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Aluguel no Brasil: 42,2 milhões de pessoas vivem dessa forma

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O número de brasileiros vivendo em imóveis alugados cresceu significativamente nas últimas décadas. De acordo com o Censo 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 42,2 milhões de pessoas – o equivalente a 20,9% da população – moram em imóveis alugados, evidenciando mudanças importantes na dinâmica habitacional do país.

Nos imóveis residenciais, a maior taxa de inadimplência foi na faixa de aluguel acima de R$ 13.000 (5,52%), enquanto a menor foi de imóveis de R$ 2.000 a R$ 3.000 | Foto: Reprodução/Canva
O Censo 2022 revela que 20,9% dos brasileiros vivem de aluguel. Entenda o crescimento dessa modalidade e seus impactos | Foto: Reprodução/Canva

Crescimento contínuo

Comparado aos anos 2000, quando apenas 12,3% da população vivia no aluguel, o aumento é expressivo. Em 2010, esse índice subiu para 16,4% e agora alcança um novo patamar. O Censo também revelou que 16,1 milhões de domicílios no Brasil são alugados, representando 22,2% do total de domicílios particulares permanentes.

Curiosamente, o levantamento aponta que a participação dos imóveis alugados segue uma curva em “V”. Após um período de queda entre 1980 e 2000, o índice voltou a subir consistentemente. Em 1980, o percentual era de 21,2%, pouco abaixo do registrado em 2022, que marca uma recuperação da modalidade como opção de moradia.

Regiões e cidades: um panorama diverso

O estudo destaca variações significativas na concentração de moradores que optam pelo aluguel nas diferentes regiões do país. A maior proporção foi registrada no Centro-Oeste, com 26,7% da população vivendo em imóveis alugados, seguido pelo Sudeste (23,5%), Sul (21%), Nordeste (16,8%) e Norte (14,9%).

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Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, Balneário Camboriú, em Santa Catarina, lidera a lista, com 45,2% da população vivendo em aluguel. Em contrapartida, Cametá, no Pará, apresenta o menor índice, com apenas 3,1%. Outro dado interessante é que, em Lucas do Rio Verde (MT), mais da metade dos moradores (52%) vive em imóveis alugados, tornando-o o único município com tal característica.

Perfil dos inquilinos

A faixa etária também influencia a opção pelo aluguel. O pico ocorre entre os jovens de 25 a 29 anos, com 30,3% dessa população vivendo em imóveis alugados. Essa preferência tende a diminuir com o avanço da idade, chegando a apenas 9,2% entre pessoas com 70 anos ou mais.

Além disso, embora o aluguel tenha crescido, a maioria dos brasileiros ainda mora em domicílios próprios. O levantamento aponta que 72,7% da população vive em casas ou apartamentos de propriedade de algum dos moradores. Esse índice, no entanto, já foi maior – era de 76,8% em 2000.

Desafios e oportunidades no mercado de aluguel

O aumento no número de brasileiros que optam por alugar seus imóveis está relacionado a fatores econômicos, culturais e sociais. Com a alta nos preços dos imóveis e as dificuldades de acesso ao crédito imobiliário, o aluguel tem se tornado uma solução viável para muitas pessoas, especialmente para os mais jovens e moradores de grandes centros urbanos.

Por outro lado, o mercado enfrenta desafios. A inflação e as taxas de juros elevadas impactam tanto os proprietários quanto os inquilinos. Isso pode dificultar negociações e tornar o aluguel uma escolha menos acessível para parte da população.

Ainda assim, para investidores e proprietários, o aumento na demanda por aluguel representa uma oportunidade. Cidades com alta concentração de imóveis alugados, como Balneário Camboriú e Lucas do Rio Verde, demonstram o potencial do mercado em localidades estratégicas.

O futuro do aluguel no Brasil

Com a tendência de urbanização e mudanças nos padrões de vida, é provável que o mercado de aluguel continue crescendo. A mobilidade, a busca por praticidade e a flexibilização no trabalho – intensificada pela pandemia – são fatores que devem influenciar ainda mais as escolhas habitacionais nos próximos anos.

Ao mesmo tempo, políticas públicas podem desempenhar um papel crucial na ampliação do acesso à moradia, seja por meio de financiamentos acessíveis para a compra de imóveis, seja pela regulamentação do mercado de aluguel para torná-lo mais seguro e equilibrado.

O cenário, portanto, revela um equilíbrio entre desafios e oportunidades. Enquanto o número de brasileiros vivendo em imóveis alugados cresce, o mercado e os governos devem se adaptar para atender às necessidades dessa parcela significativa da população.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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