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B4 prevê mais de 300 milhões de toneladas em créditos de carbono até 2030

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O Brasil está em um momento decisivo no combate às mudanças climáticas com a implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), aprovado em dezembro de 2024.

Este sistema cria um mercado regulado onde empresas que excedem seus limites de emissão podem adquirir créditos de carbono provenientes de projetos de preservação ambiental. Além disso, o mercado voluntário estimula a compensação de emissões por meio de iniciativas espontâneas.

Nesse contexto, a B4, a primeira bolsa de ação climática do Brasil, desempenha um papel essencial ao elevar a qualidade dos projetos listados por meio de seu Padrão de Acreditação. A B4 projeta atingir a marca de 300 milhões de toneladas de créditos de carbono até 2030, com base nos projetos em processo de listagem.

“Os últimos três anos foram marcados por investimentos robustos e construção sólida. A B4 avançou consideravelmente, mas o desafio agora é transformar a sustentabilidade em resultados financeiros tangíveis. Nosso foco é expandir a visão de que a economia verde não é apenas ética, mas também altamente lucrativa. Queremos mostrar ao mercado o potencial inexplorado do cuidado com o planeta aliado ao sucesso empresarial”, afirma Odair Rodrigues, fundador da B4, em material exclusivo divulgado para a imprensa.

B4 e o mercado de créditos de carbono no Brasil
Empresas que comprovam a redução na emissão de gases do efeito estufa e obtêm créditos de carbono são recompensadas financeiramente |Foto: Reprodução/B4

Em dezembro de 2024, a bolsa registrou cinco milhões de toneladas em projetos e prevê encerrar 2025 com mais de 45 milhões. Essa iniciativa fortalece o mercado interno e posiciona o Brasil como um fornecedor estratégico de créditos de carbono no cenário internacional.

Ao oferecer uma plataforma robusta para o desenvolvimento de ações climáticas reais, tanto no mercado regulado quanto no voluntário, a B4 contribui para o fortalecimento da política ambiental brasileira e para o alcance das metas climáticas globais.

O que é crédito de carbono?

O Acordo de Kyoto, firmado em 1997, foi o marco inicial para a criação de um mercado focado na diminuição da emissão de gases que intensificam o efeito estufa, atribuindo valor financeiro a essa prática. Na ONU, esse movimento é denominado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

Desde então, as nações industrializadas que aderiram ao pacto devem se esforçar para atingir as metas de redução de poluentes estabelecidas no documento. Assim, ao obter créditos de carbono, podem comercializá-los com países ou empresas que não conseguem cumprir suas metas, em um sistema de compensação.

Confira as ações que os países desenvolvidos precisam adotar para alcançar as metas até 2020, conforme o Acordo de Kyoto:

  • Aumento da eficiência energética;
  • Proteção ambiental em áreas de florestas e matas;
  • Reflorestamento e manejo sustentável de áreas verdes;
  • Práticas agrícolas sustentáveis;
  • Estímulo à pesquisa de tecnologias seguras e uso crescente de energias renováveis;
  • Redução de incentivos fiscais a empresas que contrariam as diretrizes do acordo;
  • Diminuição da emissão de gases poluentes, entre outras ações.

Como funciona?

O Acordo de Kyoto estabeleceu três mecanismos para o mercado de crédito de carbono, para incentivar países e empresas a reduzir os gases de efeito estufa. São eles:

Comércio de emissões: os países industrializados que conseguirem diminuir suas emissões e acumularem créditos excedentes podem vendê-los a outras nações que ultrapassaram os limites estipulados. A transação é realizada por meio de corretoras, como a European Climate Exchange.

Implementação conjunta: esse mecanismo permite que uma nação que não consiga atingir as metas por conta própria colabore com outra que tenha maior capacidade de reduzir emissões. O acordo possibilita o compartilhamento de custos e a transferência de tecnologia.

Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL): esse método é mais relevante para países em desenvolvimento, como o Brasil, que não possuem metas fixas, mas podem contribuir para os objetivos do protocolo. Assim, podem obter Reduções Certificadas de Emissões (CER) e negociá-las com países que assinaram o acordo, mas não alcançam suas metas.

As áreas de foco do MDL incluem transporte, setor florestal e energia, promovendo o desenvolvimento sustentável e a transferência de tecnologia entre países industrializados e em desenvolvimento. Esse mecanismo também envolve empresas e a sociedade no processo.

No Brasil, projetos desse tipo precisam ser aprovados pela Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima. Segundo o Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), mais de mil projetos foram registrados, correspondendo a 2,7 bilhões de toneladas de CO₂ equivalentes.

Como uma empresa pode se beneficiar dessa estratégia?

Empresas que comprovam a redução na emissão de gases do efeito estufa e obtêm créditos de carbono são recompensadas financeiramente, pois podem vender esses créditos e recuperar investimentos feitos em sustentabilidade. Além disso, a imagem da marca é fortalecida, mostrando ao público seu compromisso com a qualidade de vida e o meio ambiente.

Algumas companhias utilizam os créditos de carbono de forma institucional, doando-os para eventos de grande porte, como as Olimpíadas ou a Copa do Mundo, por campanhas como a Copa Sustentável, em 2014. Essa ação compensou as emissões geradas pelo evento, devido ao aumento do uso de transporte, obras e iluminação dos estádios.

O crédito de carbono é considerado uma commodity, ou seja, segue os preços do mercado internacional. Cada unidade representa uma tonelada de CO₂ que deixou de ser emitida ou foi removida da atmosfera.

Confira algumas iniciativas que podem ser aprovadas pela Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima para obtenção e comercialização de créditos de carbono:

  • Substituição de energias poluentes por fontes limpas;
  • Desenvolvimento de programas de eficiência energética;
  • Uso de softwares para reduzir o consumo de energia.

Essas e outras iniciativas contribuem para a redução das emissões de gases do efeito estufa. Após a aprovação, as empresas podem vender os créditos no mercado internacional e lucrar com o negócio.

O mercado de crédito de carbono é uma estratégia que envolve a sociedade e as empresas na luta contra as mudanças climáticas, promovendo a troca de tecnologia entre países e a adoção de práticas sustentáveis, beneficiando o meio ambiente. Além dos ganhos financeiros, as empresas conquistam a confiança dos consumidores que valorizam ações sociais e ambientais.

O impacto da COP30 no cenário econômico

A confirmação de Belém como sede da COP30 em 2025 coloca o Brasil em uma posição central no cenário ambiental global. Esta escolha estratégica oferece uma oportunidade econômica única para o país, especialmente por destacar o papel crucial da Amazônia na geração de créditos de carbono através da conservação e recuperação de ecossistemas.

A proximidade da COP30 aumenta a pressão internacional para que o Brasil demonstre avanços concretos em suas políticas ambientais. O sucesso da conferência e a demonstração de integridade nos projetos de geração de créditos de carbono são fundamentais para consolidar a credibilidade do mercado brasileiro de carbono.

Sobre a B4

Fundada em agosto de 2023, a B4 é o ponto de encontro para evitar a pegada de carbono e promover compensações eficientes rumo ao Net Zero, uma estratégia ambiental que busca reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE). O termo significa “zero emissões líquidas de carbono”.

O principal propósito é motivar, apoiar e manter empresas comprometidas com práticas sustentáveis. Com tecnologia blockchain e auditorias independentes, já foram listadas mais de cinco milhões de toneladas de créditos de carbono e temos mais de 47 milhões em análise, conectando inovação à sustentabilidade.

Leia também: Fundo da Amazônia terá contribuição de R$ 91 milhões da Irlanda

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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