Nesta semana, Paris se torna o centro das discussões sobre segurança alimentar global. A capital francesa recebe, nos dias 27 e 28 de março, a cúpula Nutrition for Growth, evento que reúne representantes de governos, sociedade civil, setor privado e pesquisadores com um objetivo em comum: buscar soluções para combater a fome e melhorar a nutrição da população mundial.
A cúpula acontece em um contexto alarmante. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 2,8 bilhões de pessoas não têm acesso a uma alimentação saudável, e mais da metade das mortes infantis estão relacionadas à desnutrição. Diante desse cenário, a conferência busca compromissos financeiros e políticos para enfrentar o problema.

O que está em jogo na cúpula?
O evento pretende mobilizar investimentos para reduzir o déficit anual de 13 bilhões de dólares em financiamento para nutrição, além de integrar a segurança alimentar a setores como saúde, agricultura, educação e meio ambiente. O secretário-geral da cúpula, Brieuc Pont, destaca que a conferência é um espaço para troca de conhecimento e inovação.
“Trata-se de um momento de intercâmbio entre sociedade civil, cientistas, empresas, governos e ONGs para buscar ideias que possam transformar a vida das pessoas localmente”, explica Pont.
Além dos compromissos políticos, são esperados anúncios de novos investimentos financeiros. O evento já registrou promessas de financiamento em sua plataforma oficial, incluindo contribuições significativas de bancos públicos de desenvolvimento.
Na edição anterior, em Tóquio (2021), foram registrados 396 compromissos de 181 entidades, somando 27 bilhões de dólares. Agora, espera-se um engajamento ainda maior, com novos bancos e países se comprometendo com a causa.
Brasil marca presença no evento
O Brasil será representado pela primeira-dama Janja Lula da Silva, que fará um discurso na abertura do evento e se reunirá com líderes globais, incluindo o presidente francês Emmanuel Macron e a diretora do Programa Mundial de Alimentos, Cindy McCain. O país tem se destacado nas discussões sobre segurança alimentar, especialmente com programas de combate à fome e incentivo à agricultura familiar.
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Segurança alimentar e mudanças climáticas
Um dos temas centrais da cúpula deste ano é a transição para sistemas alimentares sustentáveis. Estudos indicam que os modelos atuais de produção de alimentos contribuem significativamente para a degradação ambiental e são vulneráveis a eventos extremos, como secas, inundações e ondas de calor.
A busca por um equilíbrio entre produção sustentável e segurança alimentar se torna essencial diante das mudanças climáticas. Relatórios apresentados no evento mostram que investir em práticas agrícolas resilientes pode minimizar impactos ambientais e garantir alimentos para populações vulneráveis.
Desafios e perspectivas
Apesar dos esforços internacionais, os desafios para erradicar a fome ainda são grandes. O direcionamento de investimentos para setores como defesa tem reduzido o orçamento disponível para segurança alimentar. Segundo Pont, é fundamental que os países compreendam que a segurança global não se resume à defesa militar, mas também ao desenvolvimento social.
“Não existe segurança para povos endinheirados se os vizinhos estão morrendo de fome”, alerta o secretário-geral da cúpula.
A expectativa é que a cúpula de Paris consiga reforçar o compromisso de governos e instituições financeiras para garantir um futuro com mais acesso à alimentação e nutrição de qualidade. Com novas parcerias e investimentos, a esperança é que as metas globais de erradicação da fome fiquem mais próximas de serem alcançadas.


