A suspensão das doações dos EUA para o Brasil trouxe preocupações e dificuldades para vários projetos sociais e ambientais. Com a paralisação da USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), o governo dos EUA bloqueou bilhões de dólares que estavam destinados a projetos ao redor do mundo e impôs outras limitações à cooperação internacional.
A USAID é o principal órgão dos EUA responsável por ajudar países em áreas como saúde, educação, meio ambiente e desenvolvimento econômico, visando promover o progresso e a paz mundial. No Brasil, a agência investe em programas ambientais, como o combate ao desmatamento, e apoia comunidades vulneráveis. Em 2024, destinou mais de US$ 20,6 milhões (cerca de R$ 118 milhões) para esses projetos, reforçando o compromisso dos EUA com a colaboração internacional e o desenvolvimento sustentável.

Para entender melhor os impactos dessa suspensão e buscar soluções para o Terceiro Setor, a Sitawi Finanças do Bem fez uma pesquisa com 37 organizações que dependem desses recursos. Destas, 81% têm contratos diretos (38%) ou indiretos (43%) com a USAID. As iniciativas cobrem temas como desenvolvimento local, defesa de direitos, meio ambiente e inclusão produtiva.
“Embora essa pesquisa não represente todo o setor, ela mostra um grupo significativamente afetado, que enfrenta desafios urgentes e busca soluções para o futuro”, afirma em nota, Leonardo Letelier, CEO e fundador da Sitawi.
Cenário preocupante
A pesquisa, com dados atualizados até 18 de março, mostra que mais de R$ 200 milhões, provenientes da USAID e outras agências dos EUA, devem ser afetados. Isso representa 34% do orçamento de 2025 das organizações que participaram da pesquisa.
O estudo indica que as pequenas organizações são as mais impactadas. Enquanto as grandes instituições conseguem lidar melhor com a situação, as menores correm sérios riscos: mais de 50% do orçamento pode ser perdido.
O medo de perder o emprego também está aumentando entre os trabalhadores das organizações. Até o final de 2024, 171 (7%) dos funcionários já foram demitidos e outros 368 (15%) estão em risco de demissão. Nas pequenas organizações, mais de 80% dos funcionários podem perder o emprego.
O levantamento revelou uma preocupação: apenas 23% das organizações estavam preparadas para situações como a suspensão repentina de repasses. Além disso, 47% delas têm uma reserva financeira fraca, suficiente para no máximo 3 meses.
O corte nos financiamentos internacionais exige um esforço conjunto para garantir que projetos sociais e ambientais importantes sigam em funcionamento. Alternativas, como diversificar fontes de recursos, novos modelos financeiros e parcerias estratégicas, se tornam ainda mais urgentes.
“Precisamos aprofundar o diagnóstico para encontrar soluções, mas seguimos comprometidos. A resiliência do setor depende de inovação, colaboração e, acima de tudo, ação”, conclui Letelier.
Governo Trump e a USAID
O governo do presidente Donald Trump informou oficialmente ao Congresso dos EUA nesta sexta-feira, 28 de março, sobre o fechamento da USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional). A decisão transfere algumas de suas funções para o Departamento de Estado e encerra as atividades que não estão alinhadas com as novas prioridades do governo. A reorganização deve ser concluída até 1º de julho.
Essa medida faz parte de um processo iniciado no início do segundo mandato de Trump, quando foi suspensa a assistência externa dos EUA por 90 dias para revisar os programas e avaliar se eles atendem aos interesses do país. O governo americano afirmou que a USAID se afastou de sua missão original e passou a financiar projetos que, segundo a Casa Branca, não beneficiam o povo americano.
“Graças ao presidente Trump, essa era equivocada e irresponsável fiscalmente chegou ao fim. Estamos ajustando nossos programas de ajuda externa para que atendam diretamente ao que é melhor para os Estados Unidos e seus cidadãos”, afirmou à imprensa americana o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
Na mesma data, os funcionários da USAID receberam avisos informando que todos os cargos que não são obrigatórios por lei serão eliminados entre julho e setembro. Essa informação foi enviada em um memorando interno do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), liderado por Elon Musk, empresário aliado de Trump. De acordo com o documento, os trabalhadores serão dispensados em duas etapas: 1º de julho ou 2 de setembro.
“O Departamento de Estado e a USAID notificaram o Congresso sobre a intenção de reorganizar a agência, transferindo algumas funções para o Departamento de Estado até 1º de julho e encerrando as funções que não atendem às prioridades do governo”, diz o comunicado oficial.
A dissolução da agência ocorre mesmo após uma decisão judicial que considerou inconstitucional o fechamento sem a aprovação do Congresso. Mesmo assim, a Casa Branca seguiu com o plano, argumentando que os gastos bilionários da agência não estavam trazendo resultados adequados.
A transição não garante que os funcionários da USAID, que têm direito pela lei, sejam transferidos automaticamente para o Departamento de Estado. Segundo o memorando, haverá “um novo processo de contratação” para preencher as novas funções.
A Casa Branca afirmou recentemente que mais de 80% dos programas da USAID já foram cancelados desde o início do ano, marcando uma mudança importante na política de ajuda externa dos EUA, agora focada mais nos interesses diretos da população americana.
Sobre a Sitawi
A Sitawi Finanças do Bem é uma organização sem fins lucrativos, fundada em 2008, que desenvolve soluções financeiras para a Economia de Impacto. Desde sua criação, mobilizou mais de R$ 530 milhões para causas socioambientais, ajudando mais de 3 mil iniciativas que beneficiaram 14 milhões de pessoas e contribuíram para a conservação de 5 milhões de hectares em todo o país. Mais informações: https://sitawi.net
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