As comunidades quilombolas do arquipélago do Marajó, no Pará, ganharam destaque internacional com o anúncio de um investimento de cerca de R$ 56 milhões no projeto Marajó Resiliente. Financiado pelo Fundo Verde do Clima, a iniciativa é ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).
A notícia chega meses antes da realização da COP30, que ocorrerá em novembro de 2025, em Belém (PA). O projeto tem potencial de transformar a vida de centenas de famílias em três municípios da região: Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari.
O investimento internacional de US$ 9,8 milhões será usado para implementar sistemas agroflorestais. Esses sistemas serão instalados em áreas conhecidas como “quintais”, espaços que as comunidades usam para produzir alimentos. Eles também ajudam no manejo sustentável da terra, seguindo práticas antigas.

Ao contrário do que o nome sugere, esses “quintais” não são áreas privadas ao redor das casas. Eles são espaços coletivos para a agricultura familiar e a preservação do meio ambiente.
O objetivo do projeto é simples: até 2028, o Marajó Resiliente quer criar 800 hectares de sistemas agroflorestais. Isso vai ajudar a gerar renda, garantir segurança alimentar e fortalecer as práticas produtivas tradicionais.
O modelo adotado se inspira na sabedoria dos quilombolas e nos princípios da agroecologia. Ele também ajuda a enfrentar as mudanças climáticas. Além disso, protege o bioma amazônico, que sofrerá muito com essas mudanças.
Cerca de R$ 33 milhões dos recursos serão aplicados diretamente nas comunidades participantes, por meio da distribuição de mudas, sementes e assistência técnica para o local. Os quintais receberão intervenções práticas que permitirão a produção sustentável e o manejo diversificado de alimentos, respeitando o conhecimento tradicional da região.
Confira o primeiro plantio:
Com a proximidade da COP30, o projeto ganha ainda mais relevância. A conferência, que reunirá representantes de diversos países para discutir a crise climática, deverá atrair a atenção de especialistas, jornalistas e autoridades internacionais.
As comunidades quilombolas do Marajó estão se preparando para mostrar seus territórios, mostrando o impacto dos quintais agroflorestais. Elas esperam até a visita de “gringos”, como chamam os estrangeiros na região, que vão conferir os resultados do projeto.
Comunidades quilombolas como foco do Marajó Resiliente
O protagonismo das comunidades negras do Marajó nesse projeto marca um importante avanço em termos de justiça climática e inclusão social. Durante muito tempo invisibilizadas, essas populações agora ocupam o centro de uma iniciativa de destaque internacional.
A escolha da região como sede da COP30 mostra a necessidade de ações concretas. É importante enfrentar os desafios ambientais e sociais da Amazônia. Isso inclui questões como o saneamento básico na região.
O Marajó é uma das regiões mais vulneráveis do Brasil, tanto do ponto de vista socioeconômico quanto ambiental. Com altos índices de pobreza, pouca infraestrutura e dificuldade de acesso a políticas públicas, o arquipélago é agora visto como um exemplo. Ele mostra soluções locais que podem ter um grande impacto no mundo.
O Marajó Resiliente, nesse contexto, é mais que um projeto ambiental: é uma ação estratégica de desenvolvimento sustentável com identidade local.
O sucesso da iniciativa pode servir de modelo para outras regiões da Amazônia Legal e até para outros biomas brasileiros. Ao unir o conhecimento tradicional, financiamento internacional e políticas públicas, o projeto mostra que é possível mudar realidades com base na valorização do conhecimento popular e no respeito ao território.
A expectativa é que os resultados do Marajó Resiliente comecem a aparecer nos próximos anos, tanto em indicadores sociais quanto em métricas ambientais. Com a COP30 em Belém, o mundo poderá ver uma experiência nova e inspiradora, que pode mostrar como enfrentar a crise climática com justiça social e participação da comunidade.


