Na esteira da Semana do Meio Ambiente, a discussão sobre sustentabilidade e consumo consciente — tão presente em palestras e reportagens nos últimos dias — ganha sempre profundidade e repercussão. Pautas como reciclagem e reuso são amplamente abordadas, mas a questão que paira é: é realmente possível ser consciente ambientalmente e, ao mesmo tempo, sentir um alívio no bolso? E, para além disso, viver com menos – no sentido de consumir de forma mais responsável – é um privilégio acessível a todos ou um luxo de poucos?
A resposta para a primeira pergunta é um retumbante, sim, com algumas nuances. A economia gerada por práticas sustentáveis no dia a dia é cada vez mais evidente. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) revelam que o consumo médio de água por habitante/dia no Brasil é de 150,7 litros — volume superior aos 110 litros/dia recomendados pela ONU para necessidades básicas.
Pequenas atitudes, como fechar a torneira ao escovar os dentes ou ensaboar a louça, reduzir o tempo de banho e consertar vazamentos, podem gerar uma economia significativa na conta de água. O mesmo vale para a energia elétrica: a troca de lâmpadas incandescentes por LED, o aproveitamento da luz natural e o desligamento de aparelhos em stand-by são medidas simples que impactam diretamente o valor final da conta — e o bolso.

De acordo com o estudo Sustainability Sector Index (SSI), da Kantar, 87% dos brasileiros optam por escolhas mais sustentáveis, mas apenas 35% deles estão mudando ativamente seu comportamento. Já 35% acreditam que hábitos sustentáveis são “muito caros”, e por isso não adotam um estilo de vida mais “saudável”. Ao todo, 23 mil consumidores foram entrevistados, em 22 mercados. No Brasil, foram realizadas mil entrevistas, no período de novembro de 2024 a janeiro de 2025.
Essa discrepância nos dados nos leva a refletir sobre quem de fato consegue “viver com menos” de forma plena, e quem o faz por necessidade ou por adesão superficial. O consumo consciente pressupõe informação, acesso a alternativas e, em muitos casos, poder de escolha — algo que pode ser limitado por fatores socioeconômicos.


