Antes da consciência, vem a condição
É crucial que o debate sobre consumo consciente abranja as lentes de gênero e raça, frequentemente negligenciadas. A realidade se torna ainda mais desafiadora: comunidades de baixa renda, muitas vezes compostas majoritariamente por pessoas negras e pardas, são as mais impactadas pela poluição e pela escassez de recursos, tendo menos acesso a produtos e infraestruturas que facilitam o consumo consciente.
A reciclagem, por exemplo, depende da existência de coleta seletiva eficiente — que ainda não é universal no Brasil. A compra de alimentos orgânicos ou de baixo impacto ambiental, embora mais acessível hoje, ainda pode ser um luxo para famílias que enfrentam insegurança alimentar.
“Viver com menos” e a consciência ambiental não podem ser vistos como responsabilidade exclusiva do indivíduo. É uma agenda que exige políticas públicas robustas, incentivos à produção e ao consumo sustentáveis, educação ambiental inclusiva e o combate às desigualdades estruturais. A ideia deve ser tirar a sustentabilidade da bolha do privilégio e torná-la realidade para todos — contribuindo para um futuro mais equilibrado, justo e, sim, economicamente mais vantajoso para o bolso do cidadão e para o planeta.
A Semana do Meio Ambiente é só um lembrete: o trabalho para tentar reparar os abismos não para.


