Um ciclone extratropical deve atingir as regiões Sul e Sudeste do Brasil com ventos que podem alcançar até 130 km/h, conforme previsão da MetSul Meteorologia. O fenômeno teve origem em um centro de baixa pressão atmosférica no Rio Grande do Sul e, segundo os meteorologistas, deve ganhar força à medida que avança pelo litoral do país.
A formação começou no domingo, 27 de julho, e intensificou-se nesta segunda-feira, 28 de julho, com previsão de que os ventos atinjam áreas do Sul gaúcho, Leste de Santa Catarina, Leste do Paraná e Litoral Sul de São Paulo. A capital paulista e a Região Metropolitana, além da Serra do Mar e partes do estado do Rio de Janeiro, também estão sob alerta.
O impacto mais imediato do ciclone são os danos físicos provocados pela ventania. Em nota oficial, a MetSul alertou para destelhamentos, queda de árvores e postes, placas publicitárias e interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Prejuízos econômicos e operacionais já são esperados
Além dos riscos à integridade física da população e aos bens patrimoniais, o avanço do ciclone traz repercussões econômicas diretas. Um dos setores mais afetados deve ser o de energia elétrica. Segundo o Instituto Climatempo, eventos com ventos acima de 100 km/h costumam causar desligamentos em larga escala, especialmente em regiões com alta concentração populacional e urbana, como a Grande São Paulo.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (ABRADEE), a cada hora de interrupção no fornecimento de energia em grandes centros urbanos, estima-se um prejuízo de cerca de R$ 5 milhões à economia, devido à paralisação de atividades comerciais e industriais. Caso o ciclone provoque cortes significativos e prolongados no fornecimento, esse valor pode ultrapassar a marca dos R$ 100 milhões por dia.
No Sul do país, a preocupação também se estende ao agronegócio. O Rio Grande do Sul e Santa Catarina concentram produções agrícolas e pecuárias relevantes. Ventos intensos, associados a fortes chuvas, podem provocar perdas em lavouras e atrasar a logística de escoamento, impactando diretamente o PIB agropecuário local.
Transporte e serviços públicos podem ser afetados
A logística urbana e intermunicipal tende a sofrer restrições temporárias. Com o aumento da velocidade do vento, o tráfego de balsas, embarcações de pequeno porte e até operações aeroportuárias podem ser suspensos por questões de segurança. Em 2023, por exemplo, um evento similar levou ao cancelamento de mais de 70 voos nos aeroportos de Porto Alegre e Florianópolis, com impacto estimado em R$ 12 milhões em reembolsos, realocações e perdas operacionais.
Rodovias em áreas de serra, como a Régis Bittencourt e a BR-116, também são pontos críticos, segundo a Polícia Rodoviária Federal. A queda de árvores e deslizamentos já registrados em eventos anteriores de mesma natureza indicam risco elevado de interdições temporárias.
Além disso, os serviços públicos municipais, como coleta de lixo, iluminação e transporte coletivo, também podem ser comprometidos. Em cidades como Joinville e Blumenau, o histórico mostra que rajadas acima de 80 km/h são suficientes para suspender operações de ônibus e fechar acessos a bairros mais vulneráveis.
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Eventos climáticos extremos pressionam orçamento de emergências
Segundo dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), os eventos climáticos extremos já exigiram mais de R$ 1,2 bilhão em recursos emergenciais do governo federal em 2023. O avanço de um ciclone com ventos dessa magnitude tende a ampliar a demanda por verbas emergenciais para reconstrução, abrigamento de pessoas e reparos em infraestruturas públicas.
Especialistas apontam que o aumento na frequência desses fenômenos eleva a pressão sobre o planejamento orçamentário dos municípios. Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), divulgado em maio de 2024, indica que cerca de 64% dos municípios brasileiros não possuem plano de contingência climático atualizado ou fundo de reserva suficiente para enfrentar crises dessa natureza.
Empresas e população devem adotar medidas de precaução devido ao ciclone
Diante do cenário previsto, a Defesa Civil e os centros de meteorologia recomendam que empresas e residências adotem medidas preventivas, como a fixação de estruturas metálicas, limpeza de calhas e o desligamento de equipamentos elétricos em caso de apagão. Em 2022, um levantamento da Porto Seguro indicou que 38% dos sinistros de seguro residencial estavam relacionados a eventos de vento forte e chuva intensa, especialmente em meses de inverno.
A orientação para o setor empresarial é garantir que as equipes de manutenção estejam em alerta, e que geradores, estoques e sistemas de backup estejam operacionais. Nas áreas rurais, a contenção de animais e a proteção de máquinas agrícolas são consideradas prioridades.
A previsão para os próximos dias indica que o ciclone deve se afastar do continente gradualmente, mas ainda há possibilidade de ventos fortes e ressaca no litoral até o final da semana, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).


