O Brasil e o México deram um passo importante para estreitar suas relações na última quarta-feira, 27 de agosto, quando autoridades dos dois países assinaram uma série de acordos, incluindo a cooperação no setor de biocombustíveis. Também houve compromissos na agropecuária e no comércio.

O vice-presidente destacou que a iniciativa pode trazer benefícios econômicos, sociais e ambientais. “Significa mais emprego, renda, novas oportunidades para a população, crescimento do setor produtivo e tecnologias para reduzir a poluição”, afirmou.
O que está em jogo?
Os biocombustíveis são combustíveis produzidos a partir de matérias-primas renováveis, como a cana-de-açúcar que, diferente da gasolina ou do diesel, eles poluem menos. O Brasil já é um dos líderes mundiais nessa área, principalmente devido ao etanol usado em carros flex.
O que foi assinado agora com o México é um acordo inicial, que cria as condições para ampliar essa cooperação. O Brasil deve compartilhar seu conhecimento e sua tecnologia para ajudar o país vizinho a desenvolver sua própria produção. O México, por sua vez, oferece um mercado novo e promissor para empresas brasileiras ligadas ao setor.
Na prática, os dois países vão trocar experiências sobre plantio, equipamentos, métodos de produção e até novas formas de reduzir a emissão de gases poluentes. Também está prevista a pesquisa em combustíveis mais modernos, como os usados em aviões e navios, que ainda dependem muito do petróleo.
O que isso pode trazer de bom?
Para os dois governos, a expectativa é que a parceria abra caminho para geração de empregos, tanto no campo, onde são produzidas as matérias-primas, quanto na indústria que processa os combustíveis. Esse tipo de produção costuma envolver muita mão de obra, o que pode significar novas oportunidades em várias regiões.
Outro efeito esperado é dar mais segurança energética, para que os países dependam menos do petróleo importado, ficando menos vulneráveis às variações de preço no mercado internacional. Isso ajuda a reduzir a instabilidade nos combustíveis que chegam ao consumidor.
Do ponto de vista ambiental, a substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis contribui para diminuir a poluição nas cidades e combater o aquecimento global. Com o ar mais limpo, a população também pode sentir impactos positivos na saúde.
Relação econômica mais forte
O acordo sobre biocombustíveis faz parte de um pacote mais amplo. Brasil e México também avançaram em temas ligados à agricultura e ao comércio. No campo, foram definidas ações conjuntas para apoiar pequenos e médios produtores, melhorar o controle sanitário de animais e plantas e incentivar pesquisas.
No comércio, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações (ApexBrasil) e a Secretaria de Economia mexicana assinaram um documento para aumentar as trocas de produtos e serviços. O plano inclui facilitar exportações, atrair investimentos e incentivar a inovação.
Essas iniciativas ganham peso porque ambos os países enfrentam dificuldades em sua relação com os Estados Unidos. O Brasil está sofrendo com tarifas de até 50% impostas por Washington, enquanto o México tenta evitar medidas semelhantes. Ao se aproximarem, as duas maiores economias da América Latina buscam alternativas para reduzir essa dependência.
O que dizem os números?
O comércio entre Brasil e México movimentou US$ 13,6 bilhões (cerca de R$ 73,98 bilhões) em 2024. O Brasil vendeu principalmente carros, carne de frango e veículos de carga. Já do lado mexicano, os destaques foram peças de automóveis e também veículos prontos. A expectativa é que a nova parceria ajude a diversificar essa lista e abrir espaço para outros setores, como o de biocombustíveis e o farmacêutico.
Além das assinaturas, a agenda incluiu encontros com representantes do Congresso mexicano e reuniões com empresários de diferentes áreas. O Brasil levou uma comitiva com ministros, secretários e representantes de órgãos como a Anvisa e a Fiocruz, além de líderes da indústria.
Esse tipo de missão tem um objetivo que vai além do papel assinado: aproximar empresas, abrir portas e preparar o terreno para que os acordos saiam do papel e cheguem à prática.


