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BNDES lança edital para recuperar áreas degradadas da Bacia do Rio Xingu

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, no Dia da Amazônia (5 de setembro), o lançamento do edital Bacia do Rio Xingu 2, que destina até R$ 6,3 milhões para financiar projetos de restauração ecológica em áreas estratégicas da floresta.

Os recursos vêm do Fundo Socioambiental do BNDES e de parceiros privados: Grupo Energisa, Norte Energia S.A. e Fundo Vale | Foto: Reprodução/ Canva

A meta é apoiar até seis iniciativas voltadas à recuperação de vegetação nativa em Unidades de Conservação (UCs), Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reservas Legais (RLs), assentamentos da reforma agrária, além de territórios indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais. O prazo de inscrição das propostas termina em 7 de novembro de 2025.

Floresta Viva: união de esforços

O edital faz parte do Floresta Viva, programa do BNDES que busca formar parcerias para apoiar projetos de restauração em diferentes biomas do Brasil. A iniciativa combina recursos públicos e privados, incentivando o plantio de espécies nativas e a implantação de sistemas agroflorestais (SAFs) — técnicas que unem produção agrícola e conservação ambiental.

Até o momento, o Floresta Viva já mobilizou aproximadamente R$ 460 milhões, metade vinda do Fundo Socioambiental do BNDES e metade de empresas parceiras.

A execução e a gestão dos recursos ficam a cargo do Funbio (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade), organização responsável por organizar os editais, receber as contribuições e repassar o dinheiro para os projetos escolhidos.

Impacto local e nacional

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a iniciativa busca recuperar áreas críticas da Amazônia e, ao mesmo tempo, gerar oportunidades econômicas para as populações locais.“Combinando recursos públicos e privados, podemos recuperar a vegetação nativa e, ao mesmo tempo, gerar emprego e renda para as comunidades”, destacou Mercadante.

A diretora socioambiental do banco, Tereza Campello, reforça que pelo menos 50% dos recursos de cada projeto devem ser destinados diretamente à restauração ecológica. Já o superintendente de programas do Funbio, Manoel Serrão, lembra que a iniciativa fortalece toda a cadeia da restauração, desde coletores de sementes até viveiros comunitários e agricultores.

A importância do rio Xingu

O rio Xingu tem cerca de 1.900 quilômetros de extensão e nasce no Cerrado brasileiro, atravessando uma longa faixa da Floresta Amazônica até finalmente desaguar no majestoso rio Amazonas. Sua bacia hidrográfica cobre aproximadamente 53 milhões de hectares, abrangendo 50 municípios localizados entre os estados de Mato Grosso e Pará. Trata-se de uma região de enorme importância ecológica, social e cultural.

Além de abrigar uma rica biodiversidade, com milhares de espécies de plantas e animais, o território do Xingu é o lar de dezenas de povos indígenas, comunidades tradicionais, ribeirinhos e pequenos agricultores. A área também concentra diversas Unidades de Conservação (UCs), criadas para proteger ecossistemas frágeis e garantir a preservação dos recursos naturais.

Entretanto, esse mesmo espaço enfrenta pressões crescentes. O avanço do desmatamento, a expansão agrícola desordenada, a grilagem de terras e conflitos fundiários ameaçam tanto o equilíbrio ambiental quanto os modos de vida das populações locais. Diante desse cenário, os investimentos em restauração e manejo sustentável tornam-se cada vez mais urgentes, não apenas para recuperar áreas degradadas, mas também para assegurar o futuro da região.

Histórico do edital

O Bacia do Rio Xingu 2 dá continuidade a uma iniciativa lançada em 2023, quando o primeiro edital da região selecionou quatro projetos, somando R$ 20,3 milhões. Parte do valor, cerca de R$ 6,3 milhões, não foi utilizada à época e agora está disponível para novas propostas.

A ideia é financiar projetos que, além do plantio de árvores, incluam capacitação de comunidades, fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis e ações de longo prazo para garantir que a floresta volte a crescer de forma consistente.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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