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Plantio de árvores supera corte e bate recorde em 2024, mostra IBGE

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O Brasil viveu em 2024 um momento histórico na produção florestal. Dados da pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelaram que o plantio de árvores e o manejo do solo geraram mais retorno econômico do que o simples corte das espécies.

Plantio de árvores trouxe mais lucros
Segundo o levantamento, a silvicultura alcançou R$ 37,2 bilhões em valor de produção no ano passado, com alta de 17,4% em comparação a 2023 | Foto: Reprodução/ Canva

Já a extração vegetal, que envolve apenas o corte ou colheita de árvores para uso industrial, cresceu 13%. No total, o setor florestal chegou a R$ 44,3 bilhões, um recorde absoluto e aumento de 16,7% em relação ao ano anterior.

Esse resultado mantém a trajetória que ocorre desde 1998, quando a silvicultura passou a superar o corte em valor econômico. Plantar árvores, recuperar áreas degradadas e cuidar da fertilidade do solo têm se mostrado mais lucrativos do que derrubar a floresta sem reposição.

Silvicultura em destaque

A silvicultura é a atividade que combina plantio de espécies florestais com o replantio após o corte. O processo inclui também o tratamento do solo, para evitar esgotamento e permitir que novas árvores se desenvolvam. Dessa forma, garante-se produção contínua e sustentável.

Nos últimos anos, esse modelo tem crescido porque une preservação ambiental com retorno financeiro. Além da madeira obtida a partir de árvores cultivadas, outras fontes de renda entram na conta, como frutos, sementes, óleos e resinas. Essas alternativas ampliam a geração de riqueza e evitam a dependência exclusiva da exploração predatória.

A extração vegetal, por sua vez, segue importante para a indústria, mas sua expansão é menor. O corte direto das espécies gera ganhos imediatos, porém não garante a mesma estabilidade de longo prazo. O contraste entre os dois modelos evidencia por que a silvicultura vem liderando a produção florestal no país.

Sustentabilidade como ativo econômico

O governo federal destacou que o uso sustentável das florestas vem sendo reconhecido como um ativo financeiro de grande valor. Deixar a floresta em pé, colher de forma controlada e recuperar áreas degradadas são práticas que mostram resultados positivos tanto para a economia quanto para o meio ambiente.

Segundo especialistas consultados pelo governo, o mercado percebe que preservar e manejar florestas garante ganhos mais consistentes ao longo do tempo. O novo olhar sobre a produção florestal ajuda a construir cadeias produtivas menos dependentes da devastação.

Essas iniciativas também dialogam com compromissos internacionais. A preservação das florestas tropicais é apontada por cientistas como uma das principais estratégias para enfrentar as mudanças climáticas. O Brasil, dono da maior floresta tropical do planeta, tem posição central nesse debate.

Fundo internacional para proteger florestas

Dentro desse contexto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, no dia 23 de setembro, a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Fund – TFFF). O investimento inicial será de US$ 1 bilhão, com lançamento oficial previsto para novembro, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que acontecerá em Belém (PA).

O objetivo do fundo é oferecer recursos financeiros para países que preservam suas florestas tropicais. A proposta busca mostrar que proteger rende mais do que derrubar, reforçando que a conservação precisa ser vista como atividade econômica.

Mais de 70 países em desenvolvimento com florestas tropicais poderão receber apoio. A expectativa do governo brasileiro é que a iniciativa atraia novos aportes de governos, empresas e organizações internacionais, ampliando os valores disponíveis para projetos de preservação.

Os recursos do fundo poderão ser aplicados em programas de reflorestamento, manejo de espécies nativas, recuperação de áreas degradadas, fortalecimento da bioeconomia e apoio a comunidades que dependem diretamente da floresta.

Brasil busca liderança global

O lançamento do fundo coloca o Brasil em posição de destaque no cenário internacional. A ideia é usar a COP 30 como vitrine para mostrar ao mundo que a floresta em pé tem valor econômico real. A conferência reunirá líderes de dezenas de países e deve transformar Belém em palco de negociações ambientais decisivas.

Segundo o presidente, preservar a Amazônia e outras áreas tropicais não é apenas uma questão ambiental, mas também social e econômica. Recompensar financeiramente os países que protegem suas florestas é visto como caminho para reduzir desigualdades e criar desenvolvimento sustentável.

A expectativa é que, com maior aporte de recursos, projetos locais consigam ganhar escala e alcançar resultados mais rápidos. Iniciativas de silvicultura, bioeconomia e manejo sustentável podem se fortalecer, abrindo espaço para novos empregos e geração de energia.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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