A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, atingiu um marco importante: o número mínimo de países participantes necessário para que as decisões oficiais da ONU (Organização das Nações Unidas) durante o evento sejam válidas.
Segundo dados atualizados pelo Ministério do Turismo e pela Secretaria Extraordinária da COP30 (Secop), 132 nações já confirmaram hospedagem em Belém (PA), o que representa dois terços do total de 198 partes da convenção do clima da ONU (197 países mais a União Europeia). Esse número é o mínimo exigido para que as decisões tomadas durante a conferência tenham validade internacional.

A COP30 será realizada entre 11 e 21 de novembro de 2025, e deve reunir líderes mundiais, cientistas, representantes de governos e da sociedade civil para discutir formas de reduzir os impactos das mudanças climáticas e garantir o cumprimento das metas do Acordo de Paris, que completa dez anos em 2025.
Esforço conjunto para garantir presença internacional
O crescimento no número de países confirmados é resultado direto de uma força-tarefa criada pelo governo federal em 18 de agosto, com o objetivo de ajudar as delegações estrangeiras que enfrentavam dificuldades para reservar hospedagens. O problema surgiu após o forte aumento dos preços dos hotéis em Belém, que acabou gerando uma crise nos preparativos da conferência.
A alta repentina nas diárias assustou várias delegações e levantou preocupações dentro da própria ONU, que passou a monitorar a situação de perto. A organização do evento estima que cerca de 50 mil pessoas devem participar da COP30, incluindo representantes oficiais, imprensa, ativistas e visitantes.
Desde que a capital paraense foi anunciada como sede da conferência, os valores de hospedagem dispararam, e muitas empresas do setor se recusaram a apresentar explicações ao governo sobre os preços cobrados, o que agravou o impasse. Para tentar resolver o problema, o governo iniciou uma negociação com o setor hoteleiro para firmar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), que definiria limites e regras para os preços durante o evento. Até o momento, porém, não houve acordo.
ONU amplia ajuda a países mais pobres diante da alta nos preços
Com os custos de hospedagem subindo muito em Belém, a ONU decidiu aumentar o subsídio destinado aos países mais pobres que participarão da COP30. O objetivo é garantir que essas nações também possam estar presentes, mesmo com as diárias mais caras.
O valor do auxílio, que ajuda a pagar hospedagem e alimentação para representantes de 144 países menos desenvolvidos e pequenos Estados insulares, passou de US$ 144 (cerca de R$ 784) para US$ 197 (aproximadamente R$ 1.057) por dia.
Essa medida busca evitar que a alta nos preços impeça a presença de delegações que dependem desse tipo de apoio financeiro para participar das conferências da ONU. Sem o reajuste no subsídio, muitos desses representantes poderiam ficar de fora, o que reduziria a diversidade e o equilíbrio das discussões sobre o clima.
Histórico de grande participação
Mesmo com os desafios, a expectativa é que a COP30 repita o sucesso de adesão das últimas conferências. As três edições anteriores tiveram quase todos os países presentes: a COP29, no Azerbaijão, contou com 193 partes; a COP28, em Dubai, teve 196; e a COP27, no Egito, reuniu 195 nações.
O número atual de confirmações mostra que Belém está no caminho certo para alcançar o mesmo nível de participação, algo importante para a credibilidade da conferência e para o Brasil, que será o anfitrião do evento pela primeira vez.
O que é o Acordo de Paris?
Assinado em 2015, o Acordo de Paris é o principal compromisso global contra o aquecimento do planeta. Ele foi criado para que todos os países trabalhem juntos na redução das emissões de gases que aumentam a temperatura da Terra, como o gás carbônico e o metano. A meta central é limitar o aumento da temperatura média global a 1,5 °C acima dos níveis da era pré-industrial. Para isso, cada nação deve apresentar seus próprios planos e metas de redução de poluentes, chamados de “contribuições nacionais”.
Cumprir essas metas é essencial para evitar desastres ambientais mais graves, como secas prolongadas, enchentes, ondas de calor e a perda de biodiversidade. Por isso, a COP30 é vista como uma conferência decisiva: ela vai marcar uma década desde que o acordo foi firmado e será o momento de avaliar o que foi feito e o que ainda falta fazer.
Expectativas para novembro
Além das discussões sobre o clima, a COP30 deve movimentar fortemente a economia local. O evento é visto como uma oportunidade histórica para o Pará e para o Norte do Brasil, que poderão mostrar ao mundo a importância da Amazônia na luta contra as mudanças climáticas. Por outro lado, o desafio logístico é lidar com o alto fluxo de visitantes, demandas de infraestrutura e, principalmente, com a oferta limitada de hospedagens.
Com o número mínimo de países garantido, o Brasil dá um passo importante rumo à realização de uma conferência histórica. Agora, os esforços se concentram em garantir que todos os participantes possam estar presentes em novembro e que a COP30 cumpra seu papel: unir o mundo em torno de soluções reais e urgentes para frear o aquecimento global.