A terça-feira, 18 de novembro, foi marcada por novos apoios à proposta brasileira de planejar o fim gradual dos combustíveis fósseis, avanços na demarcação de terras indígenas e uma série de posicionamentos internacionais durante a COP30, conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) que reúne países para negociar ações contra o aquecimento global.
A proposta conhecida como “mapa do caminho”, liderada pelo Brasil, ganhou destaque ao atingir 85 países apoiadores. O plano busca organizar, de forma conjunta, como o mundo pode diminuir a dependência de petróleo, gás e carvão, que são três fontes que mais contribuem para o aumento da temperatura do planeta.

Em um evento oficial em Belém, ministros da Alemanha, Reino Unido, Colômbia e de outras nações reforçaram alinhamento à iniciativa e pediram que o tema apareça com mais força na decisão final da COP. O primeiro rascunho divulgado hoje cita o assunto, mas apenas propõe uma reunião entre ministros para aprofundar a discussão, o que gerou críticas de ambientalistas que esperavam um texto mais firme.
Impactos climáticos preocupam países vulneráveis
Diversas delegações usaram a plenária para reforçar riscos ligados ao aumento da temperatura. Países insulares do Pacífico, como Fiji e Vanuatu, afirmaram que a meta global de limitar o aquecimento a 1,5 °C é essencial para sua sobrevivência, já que a elevação do nível do mar ameaça a existência de algumas ilhas.
Outros discursos também ampliaram a atenção sobre conflitos e crises humanitárias. Representantes da Palestina destacaram que a reconstrução da Faixa de Gaza terá de considerar formas de reduzir emissões, enquanto delegados da Ucrânia afirmaram que a guerra no país tem atrasado compromissos ambientais em todo o mundo devido aos impactos econômicos e climáticos dos bombardeios.
A disputa pela sede da próxima COP também movimentou o dia. Turquia e Austrália reforçaram interesse em receber a conferência de 2026, com apoio de aliados regionais.
Brasil confirma quatro novas demarcações indígenas
O governo brasileiro anunciou a homologação de quatro terras indígenas, etapa que conclui o processo de reconhecimento oficial desses territórios. As áreas confirmadas foram:
- Kaxuyana-Tunayana, no Pará e Amazonas;
- Uirapuru, no Mato Grosso;
- Estação Parecis, no Mato Grosso;
- Manoki, no Mato Grosso;

Além disso, declarações polêmicas do primeiro-ministro alemão, divulgadas nos últimos dias, geraram repercussão. Em resposta, integrantes do governo da Alemanha e ministros do país destacaram publicamente a parceria com o Brasil e elogiaram a realização da COP em Belém.
A segurança do evento também foi tema do dia. A Polícia Federal informou ter bloqueado 184 tentativas de voo proibido de drones em áreas sensíveis de Belém desde o final de outubro. Mais de 2.200 operações irregulares foram registradas no período.
Pressões sobre metas climáticas e críticas ao rascunho oficial
Organizações internacionais que acompanham as negociações analisaram o rascunho mais recente da decisão final da #COP30 e apontaram a necessidade de regras mais claras para que os países atualizem suas metas climáticas. Segundo essas entidades, o texto reconhece a importância das metas, mas ainda não responde ao tamanho da urgência global.
A rede Climate Action Network, formada por mais de mil organizações, também afirmou que é preciso conectar ambição climática com acesso a financiamento, já que muitos países em desenvolvimento não conseguem reduzir emissões sem apoio financeiro e tecnológico.
Ao longo do dia, novos posicionamentos também surgiram:
- O Canadá recebeu o “Fóssil do Dia”, antiprêmio simbólico dado a países considerados pouco comprometidos no avanço das negociações.
- A União Europeia recebeu menção crítica por não avançar na discussão sobre financiamento climático.
- Israel afirmou que já atingiu o pico de emissões, mas não mencionou o impacto do conflito na Faixa de Gaza.
- A presidência da COP informou que uma versão mais simples do texto será apresentada em breve e pediu que os países negociem diretamente para reduzir divergências.
Retorno de Lula e expectativa para novas negociações
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorna a Belém nesta quarta-feira para participar de reuniões políticas que devem definir os próximos passos das negociações. O tema central continuará sendo o plano de transição longe dos combustíveis fósseis, considerado prioridade pelo governo brasileiro.
Lula também deve se reunir com representantes de diferentes blocos econômicos e com setores da sociedade civil, que pedem decisões mais firmes para frear o aquecimento do planeta.
Mesmo com os debates técnicos, a cidade continuou recebendo elogios de delegações internacionais, que mencionaram a organização, a cultura local e a receptividade da população.


