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COP30 18/11: apoio global ao fim dos combustíveis fósseis cresce e Brasil avança em demarcações

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A terça-feira, 18 de novembro, foi marcada por novos apoios à proposta brasileira de planejar o fim gradual dos combustíveis fósseis, avanços na demarcação de terras indígenas e uma série de posicionamentos internacionais durante a COP30, conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) que reúne países para negociar ações contra o aquecimento global.

A proposta conhecida como “mapa do caminho”, liderada pelo Brasil, ganhou destaque ao atingir 85 países apoiadores. O plano busca organizar, de forma conjunta, como o mundo pode diminuir a dependência de petróleo, gás e carvão, que são três fontes que mais contribuem para o aumento da temperatura do planeta.

COP30 chega ao nono dia
A presidência da COP, comandada pelo diplomata brasileiro André Corrêa do Lago, afirmou que é comum haver pressão por mais ambição por parte dos países favoráveis ao plano, enquanto nações produtoras de petróleo demonstram resistência | Foto: Reprodução / Raimundo Paccó/COP30

Em um evento oficial em Belém, ministros da Alemanha, Reino Unido, Colômbia e de outras nações reforçaram alinhamento à iniciativa e pediram que o tema apareça com mais força na decisão final da COP. O primeiro rascunho divulgado hoje cita o assunto, mas apenas propõe uma reunião entre ministros para aprofundar a discussão, o que gerou críticas de ambientalistas que esperavam um texto mais firme.

Impactos climáticos preocupam países vulneráveis

Diversas delegações usaram a plenária para reforçar riscos ligados ao aumento da temperatura. Países insulares do Pacífico, como Fiji e Vanuatu, afirmaram que a meta global de limitar o aquecimento a 1,5 °C é essencial para sua sobrevivência, já que a elevação do nível do mar ameaça a existência de algumas ilhas.

Outros discursos também ampliaram a atenção sobre conflitos e crises humanitárias. Representantes da Palestina destacaram que a reconstrução da Faixa de Gaza terá de considerar formas de reduzir emissões, enquanto delegados da Ucrânia afirmaram que a guerra no país tem atrasado compromissos ambientais em todo o mundo devido aos impactos econômicos e climáticos dos bombardeios.

A disputa pela sede da próxima COP também movimentou o dia. Turquia e Austrália reforçaram interesse em receber a conferência de 2026, com apoio de aliados regionais.

Brasil confirma quatro novas demarcações indígenas

O governo brasileiro anunciou a homologação de quatro terras indígenas, etapa que conclui o processo de reconhecimento oficial desses territórios. As áreas confirmadas foram:

  • Kaxuyana-Tunayana, no Pará e Amazonas;
  • Uirapuru, no Mato Grosso;
  • Estação Parecis, no Mato Grosso;
  • Manoki, no Mato Grosso;
Regularização de territórios indígenas na COP30
A regularização desses territórios é vista como uma medida importante para preservar áreas de floresta e ampliar a proteção a povos tradicionais, que atuam há décadas na conservação de extensões relevantes da Amazônia | Foto: Reprodução / Ueslei Marcelino/COP30

Além disso, declarações polêmicas do primeiro-ministro alemão, divulgadas nos últimos dias, geraram repercussão. Em resposta, integrantes do governo da Alemanha e ministros do país destacaram publicamente a parceria com o Brasil e elogiaram a realização da COP em Belém.

A segurança do evento também foi tema do dia. A Polícia Federal informou ter bloqueado 184 tentativas de voo proibido de drones em áreas sensíveis de Belém desde o final de outubro. Mais de 2.200 operações irregulares foram registradas no período.

Pressões sobre metas climáticas e críticas ao rascunho oficial

Organizações internacionais que acompanham as negociações analisaram o rascunho mais recente da decisão final da #COP30 e apontaram a necessidade de regras mais claras para que os países atualizem suas metas climáticas. Segundo essas entidades, o texto reconhece a importância das metas, mas ainda não responde ao tamanho da urgência global.

A rede Climate Action Network, formada por mais de mil organizações, também afirmou que é preciso conectar ambição climática com acesso a financiamento, já que muitos países em desenvolvimento não conseguem reduzir emissões sem apoio financeiro e tecnológico.

Ao longo do dia, novos posicionamentos também surgiram:

  • O Canadá recebeu o “Fóssil do Dia”, antiprêmio simbólico dado a países considerados pouco comprometidos no avanço das negociações.
  • A União Europeia recebeu menção crítica por não avançar na discussão sobre financiamento climático.
  • Israel afirmou que já atingiu o pico de emissões, mas não mencionou o impacto do conflito na Faixa de Gaza.
  • A presidência da COP informou que uma versão mais simples do texto será apresentada em breve e pediu que os países negociem diretamente para reduzir divergências.

Retorno de Lula e expectativa para novas negociações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorna a Belém nesta quarta-feira para participar de reuniões políticas que devem definir os próximos passos das negociações. O tema central continuará sendo o plano de transição longe dos combustíveis fósseis, considerado prioridade pelo governo brasileiro.

Lula também deve se reunir com representantes de diferentes blocos econômicos e com setores da sociedade civil, que pedem decisões mais firmes para frear o aquecimento do planeta.

Mesmo com os debates técnicos, a cidade continuou recebendo elogios de delegações internacionais, que mencionaram a organização, a cultura local e a receptividade da população.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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