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Apenas 12% dos brasileiros conhecem economia circular; pesquisa revela desafios da reciclagem no país

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Embora a maioria dos brasileiros demonstre preocupação com a destinação correta dos resíduos e confiança na reciclagem, o conhecimento sobre o conceito de economia circular ainda é bastante limitado no país. É o que mostra a nova edição da pesquisa “Reciclagem no Brasil: Hábitos, Desafios e Percepções da População”, realizada pelo Movimento Plástico Transforma em parceria com o Instituto QualiBest.

Segundo os dados, apenas 12% dos entrevistados afirmam conhecer bem o conceito de economia circular, enquanto 39% nunca ouviram falar sobre o tema. Outros participantes disseram conhecer o assunto apenas superficialmente, demonstrando que a circularidade ainda não chegou ao cotidiano econômico e prático da maior parte da população.

Embora a separação de materiais cresça no país, o Brasil ainda engatinha na transição para a economia circular: apenas 12% da população domina o conceito | Foto: Reprodução/ Pexels
Embora a separação de materiais cresça no país, o Brasil ainda engatinha na transição para a economia circular: apenas 12% da população domina o conceito | Foto: Reprodução/ Pexels

O que é economia circular?

A economia circular é um modelo estratégico de negócios baseado na redução do desperdício e no reaproveitamento contínuo de materiais e produtos, transformando o que seria lixo em receita.

Ao contrário da economia linear tradicional, caracterizada pelo ciclo ineficiente de extrair, produzir, consumir e descartar, o modelo circular busca manter os recursos em circulação pelo maior tempo possível dentro do mercado. Isso é feito por meio de:

  • Reciclagem;
  • Reutilização e remanufatura de peças;
  • Logística reversa empresarial;
  • Recuperação inteligente de materiais.

Na prática, uma embalagem plástica, por exemplo, pode voltar à indústria como matéria-prima de baixo custo para novos produtos. Esse processo reduz a necessidade de extração de recursos naturais caros e diminui o volume de resíduos enviados aos aterros sanitários.

Brasileiros querem gerar menos lixo

Apesar do desconhecimento técnico sobre o termo economia circular, a pesquisa mostra que a população está disposta a adotar hábitos de consumo mais sustentáveis e eficientes.

Os números revelam que:

  • 74% afirmam estar dispostos a mudar hábitos de consumo para gerar menos resíduos;
  • 23% dizem não ter interesse nessa mudança;
  • 3% responderam que talvez mudassem seus hábitos.

O levantamento também identificou uma percepção crescente de que gerenciar resíduos é uma responsabilidade compartilhada que impacta o bolso de toda a sociedade. Segundo os entrevistados:

  • 78% acreditam que a população tem papel fundamental;
  • 63% responsabilizam o governo;
  • 55% atribuem responsabilidade às empresas;
  • 35% citam as escolas;
  • 30% mencionam organizações não governamentais.

Na comparação com os dados de 2025, aumentou significativamente a cobrança por ações eficazes tanto do setor público quanto da iniciativa privada, que hoje enfrenta pressões de investidores focados em critérios ESG (Ambiental, Social e Governança).

Economia circular deve movimentar trilhões

Segundo estimativas globais da Ellen MacArthur Foundation, a consolidação de um modelo circular pode gerar US$ 4,5 trilhões (R$ 23,31 trilhões) em benefícios econômicos globais até 2030, impulsionada pela redução drástica de desperdícios, aumento da produtividade industrial e criação de novos modelos de negócio.

Enquanto o mundo mira essa fatia trilionária, o Brasil ainda perde bilhões de reais anualmente ao enterrar materiais que poderiam ser reindustrializados. Especialistas apontam que o fortalecimento da reciclagem e da logística reversa no cenário nacional pode:

  • Reduzir severamente os custos operacionais das indústrias;
  • Estimular novos aportes de capital de fundos de investimento verdes;
  • Gerar milhares de empregos de tecnologia e operação;
  • Fortalecer a cadeia de fornecedores e cooperativas;
  • Aumentar a competitividade internacional das empresas brasileiras.

Reciclagem como motor de emprego e renda

A cadeia de reaproveitamento tem impacto direto sobre o Produto Interno Bruto (PIB) e a economia real do Brasil. Além das indústrias recicladoras de grande porte, milhares de cooperativas e catadores de materiais dependem crucialmente da atividade para a geração de renda familiar.

O avanço definitivo da economia circular contribui diretamente para:

  • Reduzir gastos públicos bilionários com a manutenção de aterros sanitários;
  • Diminuir multas e emissões de gases de efeito estufa das indústrias;
  • preservar recursos naturais valiosos e escassos;
  • Estimular a inovação e o desenvolvimento de ecodesign nas fábricas;
  • Ampliar mercados de exportação para insumos reciclados certificados.

O estudo conclui que desmistificar e ampliar o conhecimento da população sobre o que é a economia circular será o passo fundamental para acelerar essa transformação cultural, atrair investimentos privados e elevar, de forma definitiva, os índices de reciclagem e lucratividade do país.

Sobre o autor Fernanda Evarista

Jornalista com qualificação em gestão esportiva e atuação na captação de recursos para a realização de projetos sociais de alto impacto

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