3. Os desafios internos das maiores economias da região
A América Latina inicia 2025 enfrentando o desafio de promover um crescimento econômico mais robusto.
Em uma região marcada por altos índices de pobreza e desigualdade, onde metade da população está empregada no mercado informal, o crescimento econômico — que seja inclusivo e sustentável — é visto como um elemento essencial.
Entretanto, muitos especialistas acreditam que uma taxa de crescimento em torno de 2,4% ou 2,5%, como previsto para este ano, não será suficiente para atender às necessidades da região.
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), em um relatório divulgado em dezembro de 2024, apontou que a baixa criação de empregos, a alta informalidade e as grandes disparidades de gênero no mercado de trabalho continuarão a ser desafios persistentes.
Quanto à política monetária, vários bancos centrais latino-americanos têm reduzido gradualmente as taxas de juros para tornar o custo dos empréstimos menos elevado.
No Brasil, entretanto, a tendência tem sido inversa: desde setembro de 2024, a taxa básica Selic tem aumentado, com expectativas de novos aumentos nos primeiros meses de 2025.
De acordo com o boletim Focus do Banco Central, publicado em 27 de dezembro de 2024, analistas preveem que a Selic atinja 14,75% ao ano até o final de 2025, em comparação com 11,75% no final de 2024.
Outro grande tema, além do emprego, é a inflação, que continua sendo uma das principais preocupações da população.
Especialistas acreditam que a inflação na América Latina continuará a diminuir. No Brasil, os analistas, conforme o boletim Focus de dezembro, preveem uma alta de 4,96% na inflação para o próximo ano.
Os bancos centrais têm enfrentado desafios no controle da inflação que se intensificou após a pandemia, iniciando com aumentos agressivos nas taxas de juros e, posteriormente, adotando um ciclo restritivo.
Apesar disso, em várias economias latino-americanas, as taxas de inflação ainda se mantêm acima do nível considerado “desejável”.
De acordo com Domene, a inflação está voltando a níveis mais controlados, embora o custo de vida continue elevado. Ele observa que, embora os preços ainda sejam altos, a velocidade com que aumentaram nos últimos anos diminuiu consideravelmente.
Após atingir 8,2% em 2022, a inflação na região deve alcançar cerca de 3,4% em 2024, conforme a Cepal, que destaca uma tendência de redução.
Entretanto, o risco inflacionário pode vir principalmente da taxa de câmbio, conforme indicado por Hernández, já que a desvalorização das moedas locais em relação ao dólar em 2025 poderia encarecer os produtos importados.
Um dos grandes problemas que as economias latino-americanas terão de enfrentar em 2025, segundo especialistas, será a escassez de arrecadação para os cofres públicos, especialmente em países como Colômbia e México.
Para lidar com essa situação, tanto o governo de Sheinbaum no México quanto o de Lula no Brasil têm incluído ajustes fiscais em seus planos, a fim de evitar um agravamento das finanças públicas.
Com recursos limitados nos cofres públicos e altos níveis de dívida, os governos provavelmente enfrentarão dificuldades para resistir às pressões políticas por aumentos nos gastos e atender às demandas sociais de milhões de pessoas que ainda sofrem com a pobreza.
Apesar de tudo, e embora as sequelas da pandemia ainda estejam presentes, especialistas acreditam que 2025 não será tão difícil para a economia latino-americana quanto os anos anteriores.
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