IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%

Guerra tarifária traz riscos e oportunidades para o Brasil, diz presidente do BNDES

Por

·

Em um momento em que o mundo vive um cenário cada vez mais incerto, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, falou nesta quinta-feira, 10 de abril, sobre as consequências da guerra de tarifas iniciada pelos Estados Unidos, sob o comando de Donald Trump. De acordo com Mercadante, esse movimento protecionista traz tanto riscos quanto oportunidades para a economia do Brasil.

Brasil diante da guerra tarifária global
Mercadante vê boas chances para o Brasil, especialmente no agronegócio, já que barreiras nos EUA podem abrir espaço para novos fornecedores |Foto: Reprodução/Freepik

As ações de Trump têm como objetivo principal proteger a economia dos Estados Unidos. Para isso, o governo americano decidiu aumentar as taxas sobre produtos que vêm de outros países, numa tentativa de fortalecer a produção dentro do próprio país e diminuir a necessidade de importar mercadorias. Mesmo com a suspensão temporária de 90 dias da nova cobrança para a maioria das nações, Trump manteve tarifas muito altas para os produtos vindos da China, que ultrapassaram 100%.

Mercadante falou sobre o assunto enquanto conversava com jornalistas, depois de participar de um seminário sobre cooperativismo na sede do BNDES, no Rio de Janeiro. Na opinião dele, o que estão chamando de “tarifaço” foi decidido de forma unilateral, ou seja, sem negociação com outros países e sem levar em conta as regras das instituições internacionais que cuidam do comércio mundial, como a Organização Mundial do Comércio (OMC). Para o presidente do BNDES, essa decisão trouxe muita instabilidade para a economia e para o sistema financeiro do mundo todo.

Pressão inflacionária e impactos globais

Segundo Mercadante, um dos primeiros efeitos dessa guerra de tarifas será o aumento dos preços no mundo todo. Com as importações ficando mais caras, muitos produtos vão subir de preço, não só nos Estados Unidos e na China, mas também em outros países que fazem parte da cadeia global de fornecimento.

Ele também alertou que os investimentos importantes podem atrasar. Com tanta incerteza, os investidores preferem esperar para entender melhor os rumos da política dos Estados Unidos antes de colocar dinheiro em novos projetos.

Apesar disso, Mercadante reconheceu que, por enquanto, os maiores impactos estão sendo sentidos principalmente pelos EUA e pela China. A América Latina, incluindo o Brasil, ainda está relativamente protegida desses problemas iniciais.

Boas notícias para o agronegócio brasileiro?

Nesse cenário, Mercadante vê boas oportunidades para a economia brasileira, principalmente para o agronegócio. Ele explicou que os EUA são grandes concorrentes do Brasil em vários mercados agrícolas. Com as novas barreiras comerciais, outros países podem procurar novos fornecedores, favorecendo o Brasil.

“O mercado já estava se abrindo, e agora vai abrir ainda mais rápido”, disse Mercadante. A agricultura e a pecuária do Brasil, que já são muito competitivas, podem ganhar ainda mais espaço no mundo, especialmente porque a busca por segurança alimentar está aumentando.

Além disso, o Brasil, por ser um país pacífico e ter boas relações com os países da ONU, tem ainda mais chances de atrair investimentos no setor. Mercadante destacou que o mundo está muito interessado em parcerias para aumentar a produção de alimentos, especialmente porque as expectativas para as próximas colheitas no Brasil são muito boas.

Indústria e inovação ganham espaço

Além do agronegócio, Mercadante disse que a indústria brasileira também pode se beneficiar. Ele lembrou que o Brasil voltou para a 25ª posição no ranking mundial da indústria e destacou as oportunidades em setores de alta tecnologia, como a fabricação de aviões, carros (inclusive híbridos) e centros de pesquisa.

Segundo ele, a chegada de centros de inovação ao Brasil mostra que o país tem capacidade e pode criar empregos qualificados, além de se integrar mais nas cadeias globais de produção.

A força do mercado interno

Mercadante também falou sobre a importância do mercado interno brasileiro. Ele acredita que o consumo dentro do próprio país é uma grande vantagem, especialmente agora que muitos países estão tentando proteger mais suas economias. “Temos um mercado interno muito forte, que é o principal motor do nosso crescimento”, afirmou.

Ele disse que o Brasil deve aproveitar para se aproximar de outros países que também estão sendo afetados pelas barreiras dos EUA, como México e Canadá, criando parcerias estratégicas.

O papel do Brasil no sul global

Por fim, Mercadante comentou sobre o papel cada vez mais importante do Brasil no chamado Sul Global — que reúne países em desenvolvimento como Rússia, Índia, China, África do Sul e outros.

Nesse contexto, o encontro dos BRICS, que será nos dias 6 e 7 de julho de 2025, no Rio de Janeiro, será uma grande oportunidade para o Brasil. O evento vai ajudar o país a fortalecer parcerias, atrair investimentos e aumentar sua influência no mundo.

Leia também: Tarifas: Apple envia 1,5 milhão de iPhones da Índia aos EUA

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade