Na antessala do consultório, o silêncio é sepulcral. Apesar de todos os assentos estarem tomados, os pacientes não conversam, apenas se olham. Uns estão sozinhos, outros acompanhados daquelas que parecem ser suas esposas, companheiras, namoradas.
É assim que se comportam os homens brasileiros minutos antes de se submeterem ao famoso e temido exame de toque retal, que não diagnostica o câncer, mas pode indicar a necessidade da realização de outros exames, como o Antígeno Prostático Específico — mais conhecido como PSA — e a Ressonância Magnética Multiparamétrica da próstata (RMmp).
A cena que narrei no início do texto pode não ser conhecida por todos, mas as piadinhas que escutamos nas mesas dos bares, no bate-papo entre amigos… essas sim são disseminadas ao longo da história da humanidade, assim como o machismo que se faz presente no dia a dia da sociedade.
Mas por que tanto preconceito? Ah, se eles soubessem o quanto o exame de toque retal é essencial para investigar a existência do tumor, não se fariam de rogados. Não é o único exame, mas tem uma importância relevante.
Especialistas alertam que até 40% dos casos de câncer de próstata poderiam ser prevenidos se as pessoas não fumassem, evitassem o sol, o consumo excessivo de álcool, tivessem uma dieta sadia, mantivessem um peso corporal saudável e fossem fisicamente ativas.
Para ilustrar como os bons hábitos são um grande aliado, o urologista Luís Carlos Araújo cita o Japão como referência. Segundo o especialista, o país registra um número baixo de casos de câncer de próstata — o que estaria ligado à dieta alimentar dos japoneses.
Um estudo prospectivo do Centro de Saúde Pública do Japão relaciona o estilo de vida dos homens japoneses como um fator importante na prevenção da doença. Também ficou comprovado que a ingestão de isoflavonas (compostos naturais que podem ser encontrados em alguns alimentos, como a soja e a alfafa) e de chá-verde pode diminuir o risco de câncer de próstata, localizado e avançado. Quando eu digo que somos o que comemos, ninguém leva a sério.
A pesquisa ainda traz uma informação que me deixou boquiaberta: os japoneses que moram fora da ilha — nos Estados Unidos, por exemplo — comungam com outros hábitos alimentares e ficam mais vulneráveis ao câncer de próstata. Lá, a incidência da doença é maior, confirma o médico.


