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Opep eleva projeção para oferta de combustíveis do Brasil em 2025

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A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) revisou para cima sua projeção de oferta de combustíveis líquidos do Brasil em 2025. Segundo o relatório mensal divulgado nesta quarta-feira, 14 de maio, o cartel agora espera um aumento de cerca de 165 mil barris por dia (bpd) na produção nacional neste ano, atingindo uma média de 4,3 milhões de bpd. A estimativa anterior, publicada no relatório de abril, apontava para uma elevação de 100 mil bpd.

O principal fator para a revisão é a aceleração da produção em diversos campos de petróleo bruto, o que contribuiu para um aumento expressivo no mês de março. Naquele mês, a produção brasileira de petróleo bruto avançou 130 mil bpd, alcançando uma média de 3,6 milhões de bpd. Com isso, a produção total de combustíveis líquidos — que inclui petróleo, gás natural líquido (GNL) e biocombustíveis — chegou a 4,4 milhões de bpd, o maior nível desde dezembro de 2023.

Opep aumenta previsão para produção brasileira de petróleo em 2025
Apesar do crescimento previsto, a inflação segue como alerta. A Opep projeta índice de cerca de 5% no Brasil em 2025  |Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Esse volume também representa um crescimento de 300 mil bpd em relação a março do ano passado. As produções de GNL e biocombustíveis, por sua vez, mantiveram-se estáveis em relação aos meses anteriores. Segundo a Opep, o aumento observado reflete o bom desempenho operacional de algumas plataformas, embora ressalte que fatores técnicos e logísticos ainda podem causar atrasos no avanço esperado para os próximos meses.

Para 2026, a organização manteve sua estimativa de crescimento da oferta brasileira em 200 mil bpd, o que levaria a produção média anual para 4,5 milhões de bpd. A projeção permanece inalterada em relação ao relatório anterior.

Com esse desempenho, o Brasil segue entre os quatro países fora da Opep que mais devem contribuir para a elevação da oferta global de combustíveis líquidos em 2025. Além do Brasil, os principais impulsionadores da expansão são os Estados Unidos, o Canadá e a Argentina.

Cenário econômico

No mesmo relatório, a Opep manteve inalteradas as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A expectativa do cartel é de uma alta de 2,3% em 2025 e de 2,5% em 2026. A organização afirma que os impactos das tarifas norte-americanas sobre o Brasil devem ser marginais no curto prazo, enquanto a economia nacional tende a acelerar nos próximos anos, impulsionada por reformas fiscais, fortalecimento do consumo interno e maior flexibilização da política monetária.

Apesar do crescimento previsto, o cenário inflacionário segue como um ponto de atenção. A Opep estima que a inflação brasileira deve permanecer em torno de 5% ao longo de 2025. Essa pressão inflacionária estaria sustentada por dois fatores principais: a desvalorização do real frente ao dólar e a persistência de preços elevados no setor de serviços.

Em função desse contexto, o relatório avalia que o Banco Central do Brasil deverá manter uma postura cautelosa em relação à política de juros. A autoridade monetária poderá inclusive adotar novas altas na taxa básica de juros, a fim de manter as expectativas inflacionárias ancoradas, mesmo diante da possibilidade de que a inflação convirja para abaixo da meta no futuro.

Papel estratégico do Brasil

O destaque dado pelo relatório à produção de petróleo e combustíveis líquidos reforça o papel estratégico que o Brasil vem desempenhando no mercado energético global. A combinação de aumento na produção e estabilidade macroeconômica relativa posiciona o país como uma peça relevante para o equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos anos, sobretudo diante das incertezas geopolíticas que afetam grandes produtores.

O crescimento sustentado da produção brasileira, se confirmado, poderá contribuir para reduzir pressões sobre os preços internacionais do petróleo, além de fortalecer a balança comercial do país e atrair investimentos para o setor energético. No entanto, a Opep alerta que o ritmo dessa expansão dependerá da resolução de gargalos operacionais e da estabilidade do ambiente regulatório e econômico.

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Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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