O governo do presidente Donald Trump apresentou nesta sexta-feira, 2 de maio, uma nova proposta orçamentária para 2026 que pode mudar radicalmente os rumos da NASA. O plano prevê cortes profundos no orçamento da agência espacial norte-americana, reduzindo seus recursos em US$ 6 bilhões (R$ 33,96 bilhões) até 2026 — o que representa uma queda de 24% em relação ao atual orçamento de US$ 24,8 bilhões (R$ 140,37 bilhões). A proposta atinge diretamente o programa lunar Artemis e sinaliza uma guinada na estratégia espacial dos Estados Unidos: menos foco na Lua, mais ambição em Marte, alinhando-se à visão do bilionário Elon Musk, da SpaceX.
Um dos pontos centrais do esboço orçamentário é o cancelamento do Sistema de Lançamento Espacial (SLS) e da cápsula Orion, após sua terceira missão prevista para 2027. Esses sistemas, desenvolvidos por gigantes da indústria aeroespacial — Boeing, Northrop Grumman e Lockheed Martin —, são peças-chave do programa Artemis, criado no primeiro mandato de Trump para levar astronautas de volta à Lua antes da chegada dos chineses. Agora, o próprio idealizador da missão propõe seu desmonte, classificando o SLS e a Orion como “extremamente caros” e excessivamente atrasados.

A justificativa da Casa Branca para o corte é econômica. O SLS custa cerca de US$ 4 bilhões (R$ 22,64 bilhões) por lançamento e já consumiu mais de US$ 23 bilhões (R$ 130,18 bilhões) desde 2010, ultrapassando o orçamento original em 140%.
A proposta é substituir esse sistema por alternativas comerciais mais baratas e eficientes — uma referência clara ao foguete Starship, da SpaceX, que também faz parte do programa Artemis e deve ser usado para pousar astronautas na Lua em 2027. Com isso, o governo aposta na iniciativa privada para liderar a próxima fase da exploração espacial.
Enquanto corta verbas de quase todas as áreas da NASA, o orçamento propõe um aumento de US$ 1 bilhão (R$ 5,66 bilhões) para os programas focados na exploração de Marte. Essa priorização marca uma aproximação ainda maior com a visão de Musk, cuja empresa tem como meta principal estabelecer presença humana no Planeta Vermelho. Musk, inclusive, investiu US$ 250 milhões (R$ 1,41 bilhão) na campanha de reeleição de Trump, reforçando os laços entre sua visão tecnológica e o projeto político do ex-presidente.
Cortes profundos e impacto global na ciência
No entanto, os cortes enfrentam críticas. Reduzir em 47% o orçamento científico da NASA compromete missões fundamentais para o avanço do conhecimento e afeta diretamente milhares de pesquisadores ao redor do mundo. Programas desenvolvidos em parceria com agências espaciais da Europa, Canadá e Japão também correm risco, o que pode abalar a cooperação internacional em projetos de ciência e tecnologia de ponta.
Especialistas apontam que esse movimento representa um “retrocesso histórico” para os esforços espaciais dos Estados Unidos. O Artemis não era apenas um plano de retorno à Lua, mas também uma plataforma para testar tecnologias e procedimentos necessários para futuras viagens a Marte. Além disso, o programa mobilizou uma extensa cadeia de empresas e profissionais, com impactos diretos na economia e na diplomacia científica do país.
Ao priorizar Marte em detrimento da Lua, o novo plano orçamentário rompe com a abordagem gradual defendida por grande parte da comunidade científica. A Lua, nesse modelo, funcionaria como campo de testes para missões mais longas e distantes, oferecendo um ambiente mais próximo e controlável. Ignorar essa etapa pode tornar as missões marcianas mais arriscadas e custosas.
Se o Congresso aprovar o orçamento proposto, a NASA terá de rever completamente sua estratégia e adaptar-se a uma nova lógica de operação, mais dependente da iniciativa privada e menos ligada aos programas científicos tradicionais. A aposta é ousada, mas controversa: Marte se torna o novo destino oficial da ambição americana no espaço, mesmo que isso custe décadas de investimentos e colaborações internacionais no caminho até lá.
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