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China envia nova missão à sua estação espacial e mira chegada à Lua

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A China lançou uma missão, nesta quinta-feira, 24 de abril, formada por uma equipe de astronautas rumo à sua estação espacial, chamada Tiangong. Essa estação, que foi projetada e construída com uma enorme infraestrutura, é um dos maiores orgulhos do país e parte importante do plano chinês de competir com os Estados Unidos na área espacial, dominada historicamente por potências ocidentais.

O governo chinês investe muito dinheiro nesse setor, que o presidente Xi Jinping chama de “sonho espacial”. A meta é ousada: mandar astronautas à Lua ainda nesta década e, no futuro, construir uma base por lá, que serviria como ponto de partida para missões interplanetárias.

Foguete Longa Marcha-2F inicia missão espacial da China rumo à estação Tiangong
A China já avançou significativamente no setor espacial, sendo o terceiro país a colocar humanos em órbita e enviando sondas para a Lua e Marte, coletando dados valiosos |Foto: Reprodução/Pedro Pardo / AFP

Para isso, a estação Tiangong tem um papel fundamental. É lá que são realizados vários testes e experiências que ajudam a avançar o conhecimento da China sobre a exploração espacial. A cada seis meses, uma nova equipe assume a missão. Desta vez, a missão se chama Shenzhou-20 e foi lançada do centro espacial de Jiuquan, que fica no noroeste do país, às 17h17 do horário local (6h17 no horário de Brasília).

O foguete Longa Marcha-2F, responsável por levar os astronautas, deixou um rastro de fumaça e fogo ao subir para o espaço, sinalizando o sucesso do lançamento. Antes do lançamento, uma multidão se reuniu para dar apoio. Com flores e bandeiras, muitos gritaram “Muito sucesso!” para a equipe. A cerimônia de despedida reforça o orgulho nacional em torno do programa espacial e é amplamente divulgada pela mídia chinesa como símbolo da autossuficiência tecnológica do país e da capacidade de inovação.

Quem são os astronautas e o que vão fazer

O comandante da missão é Chen Dong, de 46 anos. Ele já foi ao espaço duas vezes e, em 2022, se tornou o primeiro chinês a passar mais de 200 dias em órbita, um feito significativo para a ciência espacial chinesa. Ao lado dele estão Chen Zhongrui, de 40 anos, ex-piloto da força aérea, e Wang Jie, de 35 anos, engenheiro especializado em tecnologia espacial. Essa é a primeira missão espacial dos dois, que têm treinado intensamente para garantir o sucesso da missão.

Durante os seis meses no espaço, os três astronautas vão continuar testes importantes, como experimentos biológicos e físicos que têm implicações para a medicina e biotecnologia. Um dos destaques é que eles vão levar planárias — pequenos vermes aquáticos conhecidos por conseguirem se regenerar — para estudar como elas se comportam fora da Terra, especificamente na microgravidade. Os cientistas esperam entender melhor os efeitos da microgravidade sobre tecidos vivos e mecanismos de regeneração celular, que podem ser úteis para o tratamento de lesões em humanos.

A equipe também vai instalar proteções contra lixo espacial, fazer caminhadas espaciais e cuidar da manutenção da estação. Além disso, por alguns dias, eles ficarão juntos com os astronautas da missão anterior, que devem voltar à Terra no dia 29 de abril. Essa troca direta entre tripulações garante a continuidade das pesquisas e a operação segura da estação, facilitando a transmissão de conhecimento prático entre as missões.

Objetivo final: pisar na Lua

A China já mostrou avanços importantes no setor espacial. É o terceiro país do mundo a conseguir colocar humanos em órbita, e também já enviou sondas para a Lua e para Marte, coletando dados valiosos sobre a superfície lunar e marciana.

Agora, o próximo grande passo é levar astronautas chineses para a Lua. Segundo a agência espacial chinesa, o projeto está caminhando bem, com lançamentos programados para os próximos anos. A ideia é construir uma base lunar no futuro, o que daria ao país uma posição ainda mais forte nessa corrida espacial. Essa base poderia ser usada para estudos científicos, mineração de recursos e, futuramente, servir como ponto de apoio para missões mais distantes, como as que visam Marte.

Desde 2011, a China está fora da Estação Espacial Internacional porque os Estados Unidos proibiram a NASA de colaborar com o país. Por isso, a China resolveu criar sua própria estação e acelerar seu próprio programa espacial, estabelecendo parcerias com outros países em desenvolvimento e avançando de forma independente.

A missão Shenzhou-20 é mais um passo firme nessa direção. A cada lançamento, a China mostra que está cada vez mais próxima de alcançar a Lua — e de deixar sua marca definitiva no espaço.

Leia também: Nomeado de Trump para Nasa diz que agência priorizará missão a Marte

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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