A relação da AIEA com o Irã
O Irã é um dos países que fazem parte da AIEA e também assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que é um acordo mundial para impedir a criação de novas armas nucleares. Por causa disso, o país é obrigado a permitir que a agência inspecione suas instalações nucleares com frequência.
Entre os locais que a AIEA inspeciona no Irã estão as usinas de Natanz, Fordow e Isfahan. Nessas visitas, os técnicos verificam se o urânio está sendo usado apenas para produzir energia ou fins científicos — e não para fabricar armas. Esse trabalho é feito com equipamentos modernos, como sensores, câmeras de vigilância e coleta de amostras.
Mas a relação entre o Irã e a AIEA nem sempre é tranquila. Em junho de 2024, pouco antes do início de um novo conflito entre Irã e Israel, o diretor da AIEA revelou que partículas de urânio artificial — que não aparecem naturalmente — haviam sido encontradas em três locais secretos, que o Irã não havia declarado à agência. Esses locais são Varamin, Marivan e Turquzabad.
Segundo Grossi, o Irã não deu “explicações tecnicamente confiáveis” para o aparecimento dessas partículas, mesmo após anos de conversas com os inspetores da AIEA. Esse tipo de urânio é um forte indício de que o país pode ter feito atividades nucleares não autorizadas ou escondidas no passado.
Além disso, o Irã está enriquecendo urânio a quase 60%, um nível muito acima do que é necessário para uso civil. A AIEA alerta que esse grau de pureza está perto do necessário para fabricar armas nucleares, o que preocupa a comunidade internacional.
Como resposta à pressão da AIEA, o parlamento iraniano aprovou medidas para reduzir a cooperação com a agência. Isso inclui desligar câmeras de segurança, impedir algumas inspeções e parar de enviar relatórios regulares.


