Em resposta aos recentes ataques israelenses contra seu território, o Irã disparou centenas de mísseis contra Israel nesta sexta-feira, 13 de junho, deixando pelo menos 30 pessoas feridas, duas delas em estado grave. As explosões atingiram áreas residenciais em cidades como Tel Aviv e Jerusalém.
Segundo a imprensa israelense, os ataques ocorreram em múltiplas ondas e foram classificados pela Guarda Revolucionária iraniana como uma “resposta esmagadora” aos bombardeios conduzidos por Israel nos dias anteriores.
De acordo com a agência estatal iraniana IRNA, a ofensiva começou por volta das 15h30 (horário de Brasília) com o lançamento de mísseis balísticos, que são armamentos de longo alcance que seguem uma trajetória curva até o alvo. A Guarda Revolucionária afirmou que estavam entre os alvos “bases militares, centros industriais militares e bases aéreas” em território israelense.

Apesar do alto volume de disparos, as Forças de Defesa de Israel (FDI) declararam que menos de 100 mísseis chegaram de fato a ameaçar o território, sendo a maioria interceptada por sistemas de defesa aérea. Parte dos danos registrados foi causada por fragmentos desses mísseis abatidos no ar.
O serviço de resgate israelense Magen David Adom (MDA) foi acionado com urgência e mobilizou cerca de 35 mil pessoas, incluindo paramédicos, técnicos de emergência e voluntários. Campanhas de doação de sangue foram iniciadas em todo o país para ajudar no atendimento às vítimas.
Ajuda dos EUA e impactos locais
Durante a ofensiva, militares dos Estados Unidos auxiliaram Israel na proteção da cidade de Tel Aviv, segundo a Casa Branca. Relatos de incêndios foram divulgados, inclusive nas proximidades do Ministério da Defesa israelense. A imprensa também mencionou um incêndio de grandes proporções, mas algumas dessas ocorrências ainda não foram oficialmente confirmadas pelas autoridades.
A população israelense foi instruída a buscar abrigos antiaéreos. De acordo com o Comando da Frente Interna das FDI, por volta das 16h20 os civis puderam deixar os abrigos, mas foi recomendado que permanecessem próximos em caso de novos alertas.
Resposta política e militar
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, gravou uma declaração após os ataques, classificando a operação israelense como uma das “maiores da história” do país. Ele afirmou que os alvos são o regime iraniano e sua ameaça nuclear, e não o povo. Netanyahu também encorajou a população do Irã a se rebelar contra seus líderes, dizendo que “nunca o regime esteve tão fraco”.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, condenou o fato de que os mísseis iranianos tenham sido direcionados a áreas civis. “Teerã pagará um alto preço por disparar contra lares, famílias e crianças”, afirmou o ministro, classificando o ato como um crime grave.
A mídia iraniana informou que dois caças israelenses foram derrubados durante o ataque, com um piloto supostamente capturado. No entanto, um porta-voz das Forças de Defesa de Israel negou essa informação à agência Reuters.
Discurso do líder supremo iraniano
O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, se pronunciou nas redes sociais, prometendo que Israel “não escapará em segurança” das consequências pelos bombardeios. Ele classificou os ataques israelenses como “crimes hediondos” e afirmou que a vida se tornará “amarga para os sionistas”, usando o termo frequentemente utilizado pelo regime iraniano para se referir ao governo de Israel.
Apesar de os bombardeios desta sexta-feira terem diminuído após o início da noite, o Exército israelense alertou que o Irã ainda tem capacidade de causar “danos significativos” e que a ameaça continua. Durante uma coletiva de imprensa, um porta-voz das FDI chegou a interromper a transmissão ao vivo ao ser informado de uma nova onda de ataques iminente.
A troca de ataques entre os dois países representa uma das maiores escaladas de tensão militar dos últimos anos no Oriente Médio. Com uso de armamentos avançados, como mísseis balísticos, e participação indireta de potências como os Estados Unidos, o risco de um conflito de larga escala envolvendo mais nações aumenta.
Israel, por sua vez, segue mantendo suas defesas ativas, enquanto busca apoio internacional para conter o Irã. Já o governo iraniano demonstra que não pretende recuar sem impor um “preço alto” ao rival.


