Panorama regional e influência de escolaridade, religião e raça
Os dados regionais mostram que o Sudeste possui atualmente a menor taxa de fecundidade do país, com apenas 1,41 filhos por mulher, bem distante dos 6,34 registrados em 1960. O Sul também apresenta um índice abaixo da média nacional, com 1,50. No Centro-Oeste, a taxa é de 1,64, e no Nordeste, 1,60. A Região Norte ainda apresenta a maior taxa do Brasil (1,89), mas também bem abaixo dos 8,56 filhos por mulher em 1960. Roraima é o único estado com taxa acima da reposição populacional (2,19).
A idade média da fecundidade também aumentou: em 2000, era de 26,3 anos; em 2022, passou para 28,1 anos. Esse envelhecimento na idade de ter filhos foi observado em todas as regiões. O Distrito Federal lidera com média de 29,3 anos, enquanto o Pará apresenta a menor (26,8 anos). O adiamento da maternidade também se reflete no aumento de mulheres que chegam ao final do período reprodutivo sem ter filhos. Entre aquelas de 50 a 59 anos, 16,1% não tiveram filhos em 2022 — um salto em relação aos 10% de 2000.
A escolaridade exerce forte influência na taxa de fecundidade. Mulheres sem instrução ou com ensino fundamental incompleto têm, em média, 2,01 filhos. Já entre aquelas com ensino superior completo, a taxa cai para 1,19 filhos. A idade média da fecundidade também varia conforme a educação: mulheres com menos escolaridade têm filhos por volta dos 26,7 anos, enquanto as com ensino superior engravidam, em média, aos 30,7 anos.
Religião e raça também mostram diferenças significativas. As mulheres evangélicas apresentam a maior taxa de fecundidade (1,74), enquanto espíritas (1,01) e praticantes de umbanda ou candomblé (1,25) registram os menores índices. Contudo, não se pode atribuir essas diferenças unicamente à religião, pois outros fatores, como renda, localização e escolaridade, também influenciam.
No recorte racial, as indígenas continuam acima da taxa de reposição, com 2,8 filhos por mulher. Pardas e pretas também superam a média nacional, com 1,7 e 1,6 filhos, respectivamente. As mulheres brancas têm uma média de 1,4 filhos, enquanto as amarelas (de origem asiática) registram o menor índice, com 1,2 filhos por mulher.


