Essa é a pergunta que me vem à mente toda vez que leio análises apressadas sobre a Geração Z e sua suposta dificuldade em encontrar a felicidade. Se uma roseira não dá abacate, por que esperamos que uma geração cresça saudável e feliz num solo onde faltaram nutrientes essenciais como autonomia, escuta, estímulo à criatividade e desenvolvimento de habilidades socioemocionais?
Precisamos olhar com mais responsabilidade para esse contexto. A Geração Z foi semeada, germinada, cultivada e adubada em um terreno marcado por excesso de controle, hiperexposição, medicalização precoce, escolas robotizadas e ambientes familiares muitas vezes desconectados emocionalmente. Agora que eles chegaram ao mercado de trabalho, cobramos deles protagonismo, entusiasmo, maturidade e resiliência — mas quem preparou esse caminho?

Lembro aqui da sabedoria ancestral africana: “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança.” Será que a nossa aldeia — pais, educadores, empresas, médicos, mídia e sociedade — preparou essa geração para a vida adulta? Criamos jovens autônomos, críticos e emocionalmente preparados? Ou entregamos apenas o que o mercado pediu: desempenho técnico, produtividade e respostas imediatas?
Será que as escolas formaram leitores de mundo ou apenas replicadores de conteúdo? Será que os profissionais de saúde cuidaram do emocional antes de prescrever medicamentos? Será que o audiovisual subestimou a inteligência dessa geração, oferecendo apenas conteúdos pasteurizados, que não estimulam a curiosidade nem o senso de pertencimento?


