Diante de tudo isso, como esperar abacates de uma roseira?
Não se trata de culpar ninguém — muito menos os jovens. Mas também não podemos eximir a nossa geração da responsabilidade. Precisamos, sim, convocar esses jovens a virar a mesa, mas sem esquecer que fomos nós que montamos esse tabuleiro.
Entender por que essa geração é, em média, menos feliz que as anteriores é compreender as escolhas que fizemos como sociedade. É aceitar que o bem-estar não é um luxo, mas uma base para que qualquer ser humano floresça.
E mais: é reconhecer que o futuro da sociedade depende menos de altos QIs e mais de habilidades emocionais como empatia, colaboração, escuta ativa, senso crítico e criatividade — as chamadas soft skills, que serão cada vez mais determinantes para formar bons médicos, professores, gestores, pais, filhos e cidadãos.
Enquanto desenvolvemos inteligências artificiais sofisticadas, parece que a nossa capacidade humana de pensar criticamente, imaginar novos futuros e fazer bom uso das tecnologias está se perdendo. Estamos criando softwares mais inteligentes do que nós mesmos.
É por isso que precisamos falar de felicidade, de otimismo, de esperança, de perspectiva — sobre um presente melhor e um futuro possível.
Felicidade não é um detalhe supérfluo da existência. Ela é motor. É ela que torna a mente mais desperta, o coração mais disponível e a vida mais significativa.
Precisamos criar polos de felicidade nos bairros, nas cidades, nas escolas e empresas — espaços de convivência, criatividade, escuta e acolhimento. Precisamos gerar pertencimento. Sobretudo agora, em tempos de epidemias silenciosas: solidão, vício em jogos online, crises de saúde mental entre jovens.
Se quisermos garantir um futuro possível — com pessoas brilhantes, éticas e conectadas com o coletivo —, precisamos cuidar de tudo isso agora. Só assim chegaremos, enquanto sociedade, ao século XXII com mais lucidez, mais humanidade e mais chance de permanência neste planeta.
Porque a verdade é que a aldeia falhou. Mas ainda há tempo de reconstruí-la. Uma aldeia que educa com escuta, que acolhe com presença, que inspira com exemplo, sem medo de exercer uma autoridade compassiva.
A felicidade da Geração Z — e das próximas que virão — depende do quanto estamos dispostos a transformar essa aldeia em um espaço fértil para vínculos, pertencimento e florescimento coletivo.


