O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) preste apoio integral à família de Juliana Marins, brasileira que morreu após sofrer uma queda durante uma trilha no Monte Rinjani, um vulcão ativo na ilha de Lombok, na Indonésia. A jovem, de 26 anos, fazia uma viagem pela Ásia quando sofreu o acidente.
A mudança na política consular foi publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira, 27 de junho, mas a decisão já havia sido anunciada por Lula no dia anterior, 26 de junho, durante um evento público.

Segundo Lula, ele soube do caso por meio da imprensa e, ao tomar conhecimento do decreto que impedia o apoio do governo ao traslado, determinou que o texto fosse revogado. O presidente afirmou que “um país que cuida do seu povo não pode deixar de prestar apoio a uma família em um momento como esse” e disse que um novo decreto será editado, para que situações parecidas não se repitam.
Ele também disse que conversou com o pai da vítima, Manoel Marins, por telefone, prestando condolências e garantindo o apoio do governo federal no processo de repatriação do corpo.
Assistência será realizada pelo Itamaraty
Nos últimos dias, o caso de Juliana mobilizou as redes sociais e causou forte comoção. Diversas figuras públicas se ofereceram para ajudar financeiramente a família, entre elas o ex-jogador Alexandre Pato. A prefeitura de Niterói, onde Juliana morava, também anunciou que arcaria com os custos do traslado.
Essa mobilização aconteceu porque, de acordo com o artigo 257, parágrafo 1º, do decreto 9.199/2017, a assistência consular prestada pelo Itamaraty não inclui o pagamento de despesas com sepultamento e translado de corpos de brasileiros falecidos no exterior, salvo em casos de emergência médica de caráter humanitário. Essa limitação legal gerou indignação e intensificou os pedidos para que o governo interviesse.
Autópsia confirma causa da morte e tempo de sobrevivência
A autópsia realizada pelas autoridades indonésias, divulgada na quinta-feira, 26 de junho, confirmou que a morte de Juliana foi causada por um traumatismo por força contundente, que provocou danos aos órgãos internos e uma hemorragia extensa.
O laudo aponta que a jovem morreu em até 20 minutos após sofrer a lesão mais grave. As lesões observadas no corpo, como escoriações e marcas de deslizamento, são compatíveis com uma queda em terreno acidentado. A força contundente é provocada por impactos com superfícies sólidas e planas, o que reforça a hipótese de um acidente causado pelas condições da trilha.
Juliana estava acompanhada por outros seis turistas e dois guias durante a caminhada até o topo do Monte Rinjani, que tem 3.721 metros de altitude e é um dos principais destinos de ecoturismo da Indonésia. O acidente ocorreu na madrugada de sábado, 21 de junho, no horário local, o que corresponde à tarde de sexta-feira, 20 de junho, no Brasil.
A operação de resgate foi dificultada pelo mau tempo, e o corpo da jovem só foi removido quatro dias depois do acidente. Como não foi possível usar helicópteros, o resgate foi feito por via terrestre e durou cerca de 14 horas. A demora gerou críticas sobre a estrutura do parque nacional e a eficácia do atendimento emergencial aos turistas.
Comoção internacional e debate sobre apoio consular
A tragédia ganhou destaque internacional, com cobertura de veículos como The New York Times, BBC, La Nación, Le Parisien, RTL Deutschland e SIC Notícias. A comoção pública e a repercussão internacional colocaram os holofotes sobre o turismo de aventura na Indonésia e sobre a falta de preparo para atender situações emergenciais em locais de difícil acesso. Especialistas também apontaram falhas na estrutura de resgate do parque e pediram mais investimentos em segurança.
Juliana era natural do Rio de Janeiro, mas morava em Niterói, na Região Metropolitana. Era formada em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e trabalhava como dançarina de pole dance. Desde fevereiro, ela fazia um mochilão pela Ásia e já havia visitado Filipinas, Vietnã e Tailândia antes de chegar à Indonésia.
O caso trouxe à tona o debate sobre o papel do Estado na proteção dos cidadãos brasileiros que vivem ou viajam para o exterior. Com a decisão de Lula de revogar o decreto de 2017, o governo sinaliza uma mudança na política consular, com foco no apoio humanitário às famílias em momentos de perda.
A expectativa agora é pela publicação do novo decreto que substituirá o anterior, garantindo que, em situações semelhantes, o governo brasileiro possa arcar com os custos de traslado e oferecer amparo digno às famílias afetadas. O caso de Juliana, além da dor, levanta reflexões importantes sobre direitos, assistência consular e o valor da vida humana diante da burocracia do Estado.


