Uma nova proposta de lei em tramitação no Congresso Nacional pode mudar o cenário da indústria automotiva brasileira e beneficiar milhões de pessoas com 60 anos ou mais. O projeto prevê a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para esse público na compra de veículos novos, semelhante ao que já ocorre com pessoas com deficiência (PcDs).
A medida, se aprovada, permitirá que idosos adquiram automóveis com desconto médio entre 7% e 25%, dependendo do modelo e da categoria do veículo. Em um carro de R$ 90 mil, por exemplo, o IPI pode representar até R$ 22.500. Com a isenção, o mesmo carro sairia por cerca de R$ 67.500, um alívio significativo para o orçamento dos consumidores mais velhos.
O projeto também prevê que a isenção poderá ser solicitada novamente a cada cinco anos, o que viabiliza a renovação da frota por parte dos idosos com mais frequência e menor impacto financeiro.

O que é o IPI e quem já tem direito à isenção?
O IPI é um tributo federal que incide sobre produtos industrializados fabricados no Brasil ou importados. No caso dos veículos, ele representa um dos principais encargos na formação do preço final. Hoje, a isenção do IPI já é concedida para:
- Pessoas com deficiência física, visual, mental severa ou profunda
- Pessoas com transtorno do espectro autista
- Portadores de doenças graves, como câncer e HIV, mediante regulamentação
A inclusão dos idosos nesse grupo pode ampliar o acesso a bens de consumo essenciais, como automóveis, que promovem mobilidade, independência e qualidade de vida.
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Como a proposta pode impactar a indústria automotiva?
O setor automotivo representa cerca de 20% da produção industrial brasileira, segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Com o desaquecimento das vendas e o aumento da concorrência, especialmente de carros importados, qualquer estímulo à demanda é visto com bons olhos.
Com a possível aprovação da nova lei, especialistas projetam os seguintes impactos:
1. Aumento nas vendas: com preços mais baixos, muitos idosos que antes não tinham condições de comprar um carro novo poderão fazê-lo.
2. Geração de empregos: o crescimento da produção e da comercialização de veículos pode movimentar toda a cadeia produtiva, incluindo montadoras, concessionárias, autopeças e oficinas.
3. Renovação da frota: ao permitir a troca de carro a cada cinco anos, a proposta favorece a circulação de modelos mais modernos e sustentáveis.
4. Incentivo à tecnologia: com um público mais sênior no radar, montadoras podem investir em inovações voltadas à segurança, acessibilidade e conforto, como bancos ajustáveis, direção assistida e sensores de estacionamento.
O que dizem os especialistas sobre a nova lei?
Segundo a economista Carla Beni, professora da FGV, a medida tem potencial para estimular o consumo de forma responsável e direcionada. “Ao mesmo tempo em que promove inclusão e acessibilidade para a população idosa, a isenção ajuda a dinamizar a economia, especialmente em um setor estratégico como o automotivo”, afirma em entrevista ao Estado de Minas.
Ela ressalta, no entanto, que o impacto fiscal da proposta deve ser monitorado com cuidado. Em 2023, a arrecadação federal com o IPI foi de R$ 51,7 bilhões, de acordo com dados da Receita Federal. Caso a isenção para idosos seja aprovada sem compensações, pode haver queda de arrecadação, o que exige equilíbrio nas contas públicas.
Quantos idosos podem ser beneficiados?
Segundo o IBGE, o Brasil tem cerca de 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o que representa aproximadamente 15% da população. Desse total, estima-se que pelo menos 5 milhões estejam em condições financeiras e com habilitação ativa para adquirir um carro zero.
Se apenas 10% desse grupo for às concessionárias ao longo de cinco anos, isso pode representar 500 mil novos veículos vendidos, número suficiente para movimentar significativamente o setor.
Além disso, o envelhecimento da população é uma tendência. A expectativa é que em 2030 o número de idosos ultrapasse o de crianças de até 14 anos no Brasil, o que reforça a relevância de políticas públicas voltadas a esse público.
Próximos passos
A proposta de isenção de IPI para idosos ainda está em tramitação na Câmara dos Deputados. Caso aprovada nas comissões temáticas, seguirá para votação no plenário e, posteriormente, para o Senado. Se sancionada, a medida poderá entrar em vigor ainda em 2025.
Enquanto isso, entidades do setor automotivo e organizações voltadas ao público sênior acompanham de perto a movimentação. Para o Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, iniciativas como essa representam um avanço na valorização da terceira idade e na construção de uma sociedade mais inclusiva.
A expectativa é de que, além de garantir mais autonomia aos idosos, a nova política possa acelerar a transformação da indústria, tornando os carros mais acessíveis, modernos e adaptados a um Brasil que envelhece com dignidade.


