A morte de Preta Gil causou uma comoção nacional. Com milhões de fãs espalhados pelo país e milhares de seguidores nas redes sociais, a filha prodígio do mestre Gilberto Gil acendeu a luz vermelha ao tornar público, em 2023, que tinha câncer colorretal.
Um alerta para os riscos da doença, mas principalmente para a importância da prevenção. Por isso, resolvi pegar carona nessa atitude de Preta Gil, incontestavelmente humana, e falar especificamente sobre como devemos nos prevenir desse tipo de câncer — o terceiro com maior incidência entre homens e mulheres no Brasil e no mundo.

Colonoscopia
Esse é o nome do exame que pode nos salvar! Não acredito em coincidências: em 2024, um ano depois de Preta Gil anunciar que estava doente, houve um aumento de 138% — 574.578 exames — no número de colonoscopias realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), devem surgir no Brasil aproximadamente 45.630 novos casos de câncer colorretal em cada ano do triênio de 2023 a 2025.
Desse total, cerca de 21.970 casos são esperados entre homens e 23.660 entre mulheres. Esses números correspondem a um risco estimado de 21,10 casos por 100 mil habitantes, sendo 20,78 para homens e 21,41 para mulheres.
A colonoscopia pode evitar a doença: através do procedimento é possível identificar e retirar pólipos (lesões que ficam presas na parede do intestino) antes que possam evoluir para o tumor maligno.
Orientações médicas
O exame avalia o intestino grosso e a parte final do intestino delgado e é recomendado para pacientes que apresentam sintomas de origem intestinal, como sangramento nas fezes, diarreia, intestino preso e dor abdominal, além de anemia e perda de peso sem motivo aparente.
Para a população sem sintomas, com o objetivo de prevenir o câncer colorretal, o ideal é fazer o exame a partir dos 45 anos e repeti-lo a cada cinco anos. Caso o paciente tenha histórico de câncer na família, deve ser realizado dez anos antes. Para quem tem histórico de tumor maligno no intestino entre parentes próximos, a periodicidade e o início do acompanhamento podem mudar, conforme avaliação médica.
Informação preciosa que precisa circular: talvez a falta dela nos deixe suscetíveis ao pior.
“Geralmente o diagnóstico não é precoce; quando é detectado cedo, a doença tem possibilidade de cura”, afirma o Dr. Jander Bairral Vasconcelos, membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, coordenador da Pós-graduação em Colonoscopia do Sabin Ensino e especialista em Coloproctologia pela Associação Médica Brasileira e Sociedade Brasileira de Coloproctologia.
Nem todo mundo tem acesso
Somos mais de 212 milhões de brasileiros e, com certeza, a grande maioria não tem disponibilidade de serviços de saúde de qualidade. Muitos dependem exclusivamente do SUS, ou seja, precisam aguardar na fila para a realização de consultas e exames.
Existem relatos de que a espera para fazer uma colonoscopia pode durar meses. Logo, nem sempre a prevenção depende apenas da vontade do cidadão.
Perguntei ao médico quanto custa o exame na rede particular e fiquei surpresa com a resposta:
“O valor depende do local. Em Juiz de Fora (MG), por exemplo, uma colonoscopia normal fica em torno de R$ 1.000 a R$ 1.200. Se houver necessidade de algum procedimento, pode chegar a R$ 4.000”, revela.
Hábitos saudáveis podem ajudar na prevenção
De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o surgimento do câncer colorretal tem origem em diferentes fatores, sendo doenças pré-existentes no intestino e hábitos alimentares as principais causas para o aparecimento de tumores.
Dietas pobres em frutas, verduras e legumes, além do consumo de carnes processadas e alimentos com baixo teor de fibras, podem facilitar o surgimento do câncer colorretal. A OPAS recomenda o consumo de pelo menos 400 g diários de vegetais e frutas, incluindo legumes, verduras, nozes e cereais integrais.
O especialista alerta:
“Agora existe um novo perfil de pacientes: pessoas cada vez mais jovens. Isso se deve aos hábitos de vida — alimentação baseada em alimentos ultraprocessados e processados, obesidade e sedentarismo. O DNA não é predeterminante”, complementa o Dr. Jander.
Preta Gil presente!
Tenho certeza de que um movimento está acontecendo. Conversando na rua, com médicos, com amigos, percebo que as pessoas querem fazer a colonoscopia, querem se prevenir.
Mais uma vez, vamos agradecer a Preta Gil: seu legado como artista e empresária atinge tantas mentes, mas principalmente desnudou o preconceito contra um exame que pode salvar vidas e contra a bolsa de colostomia que envergonha quem precisa usá-la. Obrigada, Pretinha: você é um presente!


