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EUA: entenda o custo da guerra comercial

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As tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos (EUA) sob a gestão de Donald Trump têm um custo estimado de US$ 450,1 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 2,5 trilhões, em perdas para o comércio mundial. A avaliação foi divulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em parceria com a consultoria TINA (Trade Intelligence and Negotiation Adviser, na sigla em inglês) e a Fundação Hinrich.

A medida reduzirá o PIB (Produto Interno Bruto) real dos Estados Unidos em 0,8% na próxima década. Para comparação, em 2024, o PIB brasileiro foi de R$ 2,18 trilhões, valor próximo ao montante que os norte-americanos devem perder.

China, União Europeia, Japão e Reino Unido são os países mais afetados. A China deve registrar perdas de US$ 156,6 bilhões (R$ 856 bilhões), a União Europeia de US$ 92,6 bilhões (R$ 506 bilhões) e o Japão de US$ 27,7 bilhões (R$ 151 bilhões).

Leia também: Entenda como as bolsas de Nova York impactam o Ibovespa

Tarifas dos EUA elevam preços globais e devem custar R$ 2,5 trilhões ao comércio mundial, segundo a ONU | Foto: Reprodução/Gage Skidmore from Peoria, AZ, United States of America
Tarifas dos EUA elevam preços globais e devem custar R$ 2,5 trilhões ao comércio mundial, segundo a ONU | Foto: Reprodução/Gage Skidmore from Peoria, AZ, United States of America

Efeitos no Brasil

O Brasil também aparece entre as nações impactadas. O país deve perder US$ 8,7 bilhões, cerca de R$ 47,5 bilhões, com o tarifaço norte-americano. As exportações brasileiras somaram US$ 337 bilhões em 2024, o que indica uma queda de aproximadamente 2,58% no valor exportado.

Os setores mais atingidos são os de commodities, como soja, milho e carnes, que enfrentam maiores barreiras de entrada no mercado americano. O impacto é relevante, considerando que os Estados Unidos foram o terceiro maior destino das exportações brasileiras em 2024, atrás apenas da China e da União Europeia, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A maior alta desde 1933 nos EUA

Segundo estudo do Laboratório de Orçamento da Universidade de Yale, os consumidores americanos já enfrentam uma taxa média de 18,6% sobre os produtos adquiridos em 2025, o maior patamar desde 1933. Em janeiro, essa média era de apenas 2,4%, o que representa um aumento de 16,2 pontos percentuais em apenas oito meses.

Essa elevação reflete diretamente nos preços. Os vestuários, por exemplo, tiveram aumento de 37%, enquanto o couro e seus derivados, como calçados e bolsas, subiram 39%. No setor têxtil, a alta foi de 21%. A expectativa é que, até 2028, mesmo com ajustes de mercado, os preços permaneçam significativamente mais altos: 19% para couro, 18% para vestuário e 11% para têxteis.

O setor alimentício também sente os efeitos. Os preços devem subir 3,2% no curto prazo, até 2027, e permanecer 2,9% mais elevados em 2028. Já os veículos automotores, cujo preço médio de um carro novo nos EUA foi de US$ 48 mil (R$ 262 mil) em 2024, devem encarecer US$ 6 mil (R$ 32,7 mil) até 2027 e US$ 4,5 mil (R$ 24,5 mil) até 2028.

Metais e produtos agrícolas lideram a alta. O preço dos metais pode subir até 41% em 2027 e 17% em 2028, enquanto as safras agrícolas devem encarecer 31,5% e 18% nos mesmos períodos.

Peso no bolso das famílias

A pesquisa de Yale aponta que os aumentos já provocam uma perda média de renda familiar de US$ 2,7 mil (cerca de R$ 14,7 mil) somente em 2025. O impacto é mais intenso para famílias de baixa renda, cujo prejuízo chega a ser três vezes maior proporcionalmente do que o observado nas camadas mais altas da população.

Receita tarifária em alta

Por outro lado, o governo norte-americano comemora a arrecadação. Apenas em julho, os EUA arrecadaram quase US$ 30 bilhões (R$ 163 bilhões) em tarifas, de acordo com o Departamento do Tesouro. O valor representa um crescimento de 242% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Ainda assim, economistas alertam que os ganhos fiscais podem não compensar os prejuízos no longo prazo. Setores como a construção civil devem registrar contração de 3,6% até 2027, enquanto a agricultura deve encolher 0,8%. Já a indústria deve crescer 2,1%, mas insuficiente para equilibrar os efeitos negativos nos demais segmentos.

Consequências futuras da guerra tarifária

De acordo com a Fundação Hinrich, a tendência é de que os impactos das tarifas sejam sentidos de maneira desigual entre os setores. Os dados sugerem que a política pode prolongar a pressão inflacionária nos Estados Unidos, mesmo diante da expectativa de desaceleração da inflação global.

Enquanto o governo defende que a medida fortalece a produção nacional, pesquisadores de Yale classificam a política como um “trade-off”: ganhos em determinados setores, mas com perdas expressivas em outros.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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