A presença de negros em posições de liderança no mercado de trabalho brasileiro segue muito abaixo da média, segundo pesquisa feita pela consultoria Diversitera.
A pesquisa analisou dados de mais de 128 mil trabalhadores, em 55 empresas de diferentes setores, entre os anos de 2022 e o primeiro semestre de 2025. O levantamento avaliou a distribuição racial nas companhias, principalmente em cargos de tomada de decisão, e expôs a desigualdade histórica que ainda existe dentro das organizações.

Esses números mostram que, embora pessoas negras representem a maioria da população brasileira, sua participação em postos de comando no mundo corporativo é mínima. A distância entre a base e o topo das empresas reflete desigualdades profundas que continuam a afetar oportunidades, crescimento profissional e reconhecimento.
Ambiente de trabalho ainda registra casos de racismo
Além da baixa representatividade, o estudo revelou que o racismo segue sendo uma realidade no dia a dia das empresas. Quase três em cada dez profissionais pretos disseram já ter passado por situações de preconceito, assédio ou microagressões no ambiente de trabalho. Ainda mais grave, 9% relataram ter sofrido episódios claros de racismo durante sua trajetória profissional.
Essas situações vão além de atitudes isoladas e apontam para um problema estrutural. A forma como as empresas contratam, promovem e avaliam seus colaboradores pode contribuir para a exclusão de determinados grupos, mesmo sem intenção direta. Isso reforça a importância de revisar práticas internas e de promover um ambiente mais acolhedor e justo para todos.
Medidas dentro das empresas podem ajudar a mudar esse cenário
O estudo destaca que o combate à desigualdade racial no trabalho não depende de uma única ação, mas sim de um conjunto de esforços coordenados. Uma empresa sozinha não resolve um problema tão antigo e complexo como o racismo. No entanto, pode e deve assumir a responsabilidade de contribuir para a mudança.
Entre as ações recomendadas está o diagnóstico interno. Isso significa levantar dados sobre diversidade, identificar barreiras que dificultam o acesso de grupos minorizados e entender o perfil real da empresa. A partir disso, é possível criar metas específicas para aumentar a presença de pessoas negras em diferentes áreas e níveis hierárquicos.
Outro ponto importante é revisar critérios usados em processos seletivos e promoções. Muitas vezes, exigências como fluência em outro idioma ou cursos em instituições específicas acabam excluindo candidatos talentosos que não tiveram acesso às mesmas oportunidades. A ideia não é abaixar o nível, mas adaptar as exigências à realidade de cada função.
Também é indicado investir em programas de desenvolvimento e retenção de talentos. Cursos de capacitação, mentorias, ações afirmativas e planos de carreira específicos podem ajudar a acelerar o crescimento de profissionais negros. Além disso, é importante criar condições para que eles permaneçam e avancem dentro das organizações.
A conscientização de todos os colaboradores sobre o tema é outra medida necessária. Promover formações, rodas de conversa e treinamentos ajuda a combater o preconceito e a criar um ambiente mais saudável e respeitoso.
Engajamento coletivo é parte da solução
A responsabilidade pela mudança não está apenas nas mãos das lideranças ou do setor de recursos humanos. Todos os profissionais devem se engajar nesse processo. Pessoas brancas, por exemplo, precisam reconhecer os privilégios que possuem e refletir sobre como o racismo pode ter influenciado suas trajetórias.
É fundamental também que se posicionem ao lado de colegas negros, apoiando suas ideias, reconhecendo seus talentos e ajudando a ampliar suas vozes dentro das equipes. Pequenas atitudes, como ouvir, ceder espaços e indicar profissionais negros para oportunidades, fazem diferença no dia a dia.
Já trabalhadores de outros grupos minorizados são incentivados a participar de ações afirmativas, buscar experiências educativas sobre o tema e divulgar iniciativas que promovam a equidade racial.


