A Petrobras anunciou um lucro líquido de R$ 26,65 bilhões no segundo trimestre de 2025. O resultado representa uma forte recuperação em relação ao mesmo período de 2024, quando a empresa havia registrado prejuízo de R$ 2,6 bilhões.
O desempenho positivo foi impulsionado principalmente pelo aumento da produção de petróleo e gás natural. Entre abril e junho, a produção total cresceu 5% em relação ao primeiro trimestre deste ano, alcançando 2,91 milhões de barris de óleo equivalente por dia. Esse crescimento ajudou a compensar a queda do preço internacional do petróleo, medido pelo barril Brent (referência para a precificação do petróleo, especialmente no mercado europeu e outros mercados.).

O Ebitda ajustado, que mostra o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 52,3 bilhões. A estatal também bateu recordes na produção total operada, com 4,19 milhões de barris de óleo equivalente por dia, e no pré-sal, com 2,39 milhões de barris por dia.
Os investimentos (capex) no trimestre totalizaram R$ 24,3 bilhões, valor convertido dos US$ 4,4 bilhões aplicados. Entre os destaques, estão o início da produção da plataforma FPSO Alexandre de Gusmão, no campo de Mero, e novas descobertas de petróleo de alta qualidade na Bacia de Santos. A Petrobras também adquiriu dez blocos exploratórios na Margem Equatorial e três na Bacia de Pelotas, além de obter licenças importantes para o plano de negócios até 2029.
Houve ainda a retomada de investimentos no parque de refino, o retorno da produção de fertilizantes e a fabricação de derivados de petróleo de maior valor agregado. Entre os próximos passos, a empresa cita a chegada de um novo navio-plataforma no quarto trimestre, ações para reduzir emissão de poluentes no transporte marítimo, novos contratos de gás, melhorias internas na gestão e a compra de dois supercomputadores.
Produção em alta e novas plataformas
A Petrobras informou que a média de produção de petróleo e gás em 2025 deve ficar próxima do limite superior da meta estabelecida para o ano.
Somente em julho, a produção de petróleo alcançou 2,47 milhões de barris por dia, um crescimento de 380 mil barris em relação ao último trimestre de 2024. Duas plataformas começaram a operar este ano no pré-sal: o FPSO Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, e o FPSO Alexandre de Gusmão, no campo de Mero.
O Almirante Tamandaré já produz 200 mil barris por dia e deve chegar a 225 mil barris em breve. O Alexandre de Gusmão entrou em operação mais de dois meses antes do previsto, reforçando a capacidade de produção da estatal.
Dividendos abaixo das expectativas
O conselho de administração da Petrobras aprovou o pagamento de R$ 8,66 bilhões aos acionistas, na forma de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP). O valor equivale a R$ 0,67 por ação e será pago em duas parcelas: JCP de R$ 0,336 por ação em novembro e R$ 0,135 por ação em dezembro; além de dividendos de R$ 0,20 por ação, também em dezembro. As ações passarão a ser negociadas sem direito a esses valores a partir de 22 de agosto.
Apesar do lucro expressivo, o mercado ficou decepcionado, pois esperava algo entre R$ 10,5 bilhões e R$ 12,2 bilhões. A diferença foi atribuída ao aumento dos investimentos, que somaram cerca de R$ 22,7 bilhões (US$ 4,1 bilhões) no trimestre, acima das projeções.
O fluxo de caixa operacional, que representa o dinheiro gerado pelas atividades da empresa, foi de aproximadamente R$ 41,5 bilhões (US$ 7,5 bilhões), abaixo do esperado. As causas incluem gastos com depósitos judiciais, abandono de campos, impostos sobre vendas e outros custos eventuais.
Mesmo com a redução nos valores pagos aos acionistas, especialistas apontam que a Petrobras segue com bons fundamentos. A empresa mantém produção elevada, forte geração de receita e investimentos voltados para aumentar sua capacidade e modernizar operações. A expectativa é que, mantendo o nível atual de produção e o preço do petróleo, o rendimento anual de dividendos fique em torno de 8%.
O desempenho no segundo trimestre demonstra que a estatal consegue crescer mesmo diante de um cenário de preços internacionais menos favoráveis. Com novas plataformas, exploração de áreas promissoras e projetos em andamento, a Petrobras aposta em sustentar bons resultados nos próximos períodos e garantir retorno consistente para seus acionistas.


