A balança comercial brasileira, que mede a diferença entre tudo o que o país vende e compra do exterior, terminou o mês de agosto com saldo positivo de US$ 6,133 bilhões (cerca de R$ 33,1 bilhões).
O número foi divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) nesta quinta-feira, 4 de setembro. O resultado surpreendeu porque agosto foi o primeiro mês de vigência da sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre vários produtos brasileiros, uma medida que ficou conhecida como tarifaço de Trump.

Apesar das barreiras, o Brasil conseguiu aumentar o superávit em 3,9% na comparação com agosto do ano passado. Isso significa que, mesmo vendendo menos para os norte-americanos, o país exportou mais para outros destinos e comprou menos do exterior.
Exportações crescem puxadas pelo campo e pela mineração
As exportações brasileiras chegaram a US$ 29,8 bilhões (R$ 160,9 bilhões) em agosto, contra US$ 28,7 bilhões (R$ 154,9 bilhões) no mesmo mês de 2024.
O destaque ficou para a carne bovina, que aumentou 56% em valor, e para o ouro, que subiu 55,9% em faturamento. Segundo o diretor de estatísticas do Mdic, Erlon Brandão, não foi apenas o preço que ajudou: o volume exportado desses produtos também cresceu.
Mesmo com esse bom desempenho em alguns setores, as vendas para o mercado americano despencaram. Em agosto, os embarques para os Estados Unidos caíram 18,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Isso mostra que o tarifaço começou a ter impacto imediato sobre os produtores e exportadores brasileiros.
O governo norte-americano anunciou em julho que passaria a cobrar 50% a mais de imposto de importação sobre uma lista de mercadorias vindas do Brasil. A medida atinge setores como siderurgia, produtos químicos e parte do agronegócio. A justificativa da Casa Branca foi proteger a indústria local, mas especialistas avaliam que se trata de uma política de viés protecionista.
Importações em queda
Do outro lado, as importações brasileiras ficaram em US$ 23,7 bilhões (R$ 127,9 bilhões) em agosto, uma redução de 2% em comparação com agosto de 2024, quando o valor havia sido de US$ 24,2 bilhões (R$ 130,7 bilhões).
Entre os itens comprados do exterior, os que mais caíram foram os bens de capital — como máquinas e equipamentos usados na produção — com recuo de 10,1%, e os bens de consumo, que diminuíram 9%. Essa queda nas importações ajudou a melhorar o saldo da balança, já que o país gastou menos para trazer produtos de fora.
Resultado acumulado do ano
De janeiro a agosto, o Brasil exportou US$ 227,5 bilhões (R$ 1,228 trilhão), o que representa crescimento de 0,5% em relação aos oito primeiros meses de 2024. Já as importações no período somaram US$ 184,7 bilhões (R$ 997,4 bilhões), alta de 6,9% em comparação com os US$ 172,9 bilhões (R$ 933,7 bilhões) importados no mesmo período do ano passado.
Com isso, o saldo positivo da balança comercial no acumulado do ano chegou a US$ 42,8 bilhões (R$ 231,1 bilhões). O chamado “saldo corrente de comércio”, que é a soma de exportações e importações, ficou em US$ 412,3 bilhões (R$ 2,226 trilhões).
Impactos e desafios
Especialistas afirmam que o resultado de agosto mostra a força do agronegócio e da mineração, que continuam garantindo boas vendas no mercado internacional. Porém, a queda nas exportações para os Estados Unidos acende um alerta. Isso porque o país é um dos principais parceiros comerciais do Brasil, ao lado da China e da União Europeia.
Se as sobretaxas continuarem, empresas brasileiras podem perder espaço em setores estratégicos, o que pode afetar empregos e investimentos. Em contrapartida, o governo brasileiro pode buscar novos acordos comerciais para ampliar destinos de exportação, tentando reduzir a dependência do mercado americano.
Governo acompanha situação
O Ministério do Desenvolvimento afirmou que está monitorando os efeitos do tarifaço e avaliando medidas para apoiar os setores mais atingidos. Até agora, não há decisão sobre levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), mas autoridades não descartam essa possibilidade caso a sobretaxa se prolongue.
Enquanto isso, produtores tentam redirecionar suas vendas para outros mercados, como Ásia e Oriente Médio, que têm mostrado interesse crescente por alimentos, minério e metais preciosos brasileiros.


