O Comitê de Política Monetária (Copom) deve decidir nesta quarta-feira, 17 de setembro, manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano. Esse patamar é considerado alto e tem como objetivo segurar a inflação. Em julho, o Copom já havia sinalizado que seria preciso manter essa postura firme até que os preços fiquem mais próximos da meta definida pelo governo.
Economistas avaliam que cortes só devem ocorrer a partir de 2026. O mercado se divide entre projeções de início da flexibilização em janeiro ou em março do próximo ano.
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Decisão do Copom impacta diretamente a inflação e mercado de trabalho
A decisão do Copom deve considerar a trajetória recente da inflação. Em agosto, houve deflação de -0,11%, resultado menos intenso do que o esperado, influenciado pela queda de preços em alguns setores, mas sem melhora estrutural no índice.
O mercado de trabalho também pesa na análise. O Brasil registra emprego e renda em níveis recordes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esses fatores aumentam o consumo e mantêm pressão sobre os preços, especialmente no setor de serviços.
Cenário externo influencia
No ambiente internacional, a expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, tende a reduzir a pressão sobre o câmbio no Brasil. O real acumula valorização de 15% em 2025 frente ao dólar, movimento que já ajudou a reduzir o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A atividade econômica, por outro lado, mostra sinais de perda de ritmo. O PIB do 2º trimestre registrou desaceleração, com menor fôlego da demanda doméstica, segundo dados do IBGE.
Projeções de inflação
Apesar da melhora pontual, as expectativas de inflação seguem desancoradas. O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central (16/09) reduziu a projeção do IPCA de 4,85% para 4,83% em 2025, ainda acima da meta oficial de 3%.
Para 2026, a expectativa recuou de 3,6% para 3,5% e, para o primeiro trimestre de 2027, passou de 3,4% para 3,3%.
Segundo Rodolfo Margato, economista da XP, o Copom deve reforçar a necessidade de manter a taxa em patamar elevado. “As expectativas seguem desancoradas, e ainda há incertezas no ambiente global e fiscal”, afirmou em relatório para o InfoMoney.
Opinião de economistas
José Alfaix, da Rio Bravo Investimentos, avalia que o processo de queda da inflação é sustentado principalmente por fatores externos. “O câmbio tem dado a sensação de melhora, mas quando olhamos para serviços, que são mais sensíveis à Selic, o quadro não é tão favorável”, disse.
Na projeção da Rio Bravo, os cortes na taxa básica devem começar entre janeiro e março de 2026, em ritmo gradual.
Na Suno Research, o economista Rafael Perez afirma que o Banco Central deve adotar postura de “piloto automático” no segundo semestre, observando os indicadores antes de alterar a Selic. A estimativa da casa é de Selic em 13% ao fim de 2026, em um cenário mais conservador.
Thiago Calestine, da Dom Investimentos, também vê maior chance de cortes a partir de março de 2026, com redução inicial de 0,50 ponto percentual. Para ele, juros altos funcionam como uma trava para gastos do governo, ao encarecer o custo de endividamento.
Olhar sobre o comunicado
O mercado deve acompanhar de perto o comunicado do Copom. A atenção estará voltada para possíveis ajustes de linguagem, como a retirada da sinalização de que o comitê pode retomar o ciclo de alta de juros caso necessário.
Para Fernando Fenolio, economista-chefe da WHG, o comitê deve evitar abrir margem para expectativas de cortes antecipados. “Quanto menos o Banco Central se comprometer, melhor”, afirmou.
Além do comunicado, as projeções oficiais para inflação e câmbio serão fundamentais para indicar a visão do Banco Central sobre o cenário econômico.
Perspectivas para 2026
A XP projeta que a Selic caia gradualmente em 2026, chegando a 12% ao final do ano. Já a Dom Investimentos estima taxa entre 13,5% e 14%. O consenso é que o corte não começará em 2025, reforçando o cenário de juros altos por mais tempo.
Economistas destacam que, para a taxa básica se aproximar do nível neutro — estimado em 5,5% em termos reais —, será necessário progresso em reformas fiscais e maior equilíbrio entre oferta e demanda na economia.
*Entrevistas concedidas ao InfoMoney.


