Ao vivo

Superquarta: Brasil e Estados Unidos decidem os rumos dos juros básicos

Por

·

A chamada “superquarta” voltou ao centro das atenções do mercado financeiro e da economia mundial. Nesta semana, diretores dos Bancos Centrais do Brasil e dos Estados Unidos se reúnem para definir os novos patamares dos juros básicos em cada país. As decisões podem influenciar diretamente a vida de empresas, governos e consumidores comuns, já que o custo do crédito depende dessas taxas.

Brasil e EUA estudam taxas de juros baixos
No caso brasileiro, a expectativa majoritária é de que a taxa Selic seja mantida em 15% ao ano, nível mais alto desde 2006 | Foto: Reprodução/ Canva

Já nos Estados Unidos, projeta-se o primeiro corte de juros desde dezembro do ano passado. Esse movimento sinalizaria que a maior economia do mundo começa a mudar sua política monetária após meses de aperto.

Como funciona a decisão no Brasil?

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), ligado ao Banco Central, começou hoje em Brasília. No primeiro dia, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, e os diretores apresentam relatórios técnicos sobre a economia, como projeções de inflação, comportamento do dólar e desempenho da atividade produtiva.

A definição oficial da Selic ocorre amanhã, por volta das 18h30, depois do fechamento do mercado financeiro. O anúncio só vem nesse horário para evitar fortes oscilações na Bolsa de Valores durante o pregão.

Segundo analistas, os juros devem permanecer estáveis até o fim de 2025, com possibilidade de redução apenas na primeira reunião de 2026, quando haveria um corte de 0,25 ponto percentual.

Por que os juros importam?

A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando os preços sobem de forma persistente, os juros aumentam para encarecer o crédito, reduzir o consumo e, assim, frear a pressão inflacionária. Com o dinheiro mais caro, famílias e empresas tendem a adiar compras e investimentos, o que diminui a demanda por bens e serviços.

Essa política já mostra efeitos nos indicadores. O Produto Interno Bruto (PIB), que mede a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, perdeu fôlego nos últimos meses. Por outro lado, a inflação medida pelo IPCA acumulou 5,18% em 12 meses, menor taxa desde fevereiro.

Apesar do cenário de desaceleração, o Copom ainda não descarta novas altas da Selic. Na ata da última reunião, os diretores reforçaram o compromisso de trazer a inflação para o centro da meta oficial, citando o ambiente externo “adverso e incerto”. Entre os fatores de risco, está a recente decisão do presidente norte-americano Donald Trump de aumentar tarifas sobre produtos brasileiros, medida que pode pressionar preços e prejudicar exportações.

O que esperar da ata?

Depois da reunião, o Banco Central divulga uma ata detalhada com os argumentos que embasaram a decisão. Esse documento, previsto para o dia 23, deve trazer pistas sobre os próximos passos da política monetária. A expectativa do mercado é que o Copom sinalize nova manutenção da Selic na reunião marcada para novembro.

A decisão nos Estados Unidos

Enquanto o Brasil deve manter os juros no patamar mais alto em quase 20 anos, os Estados Unidos caminham para a direção oposta. O Federal Reserve (Fed), equivalente ao Banco Central norte-americano, deve anunciar amanhã o primeiro corte da taxa básica desde dezembro de 2024.

Diferentemente do Brasil, o Fed tem mandato duplo: controlar a inflação e zelar pelo mercado de trabalho. Por isso, a decisão será influenciada não apenas pela evolução dos preços, mas também pelo ritmo das contratações. Dados recentes mostraram uma desaceleração no emprego, o que aumenta a pressão para reduzir os juros e estimular a economia.

Pressão política

Outro ingrediente é a pressão política do presidente Donald Trump, que voltou a cobrar cortes mais agressivos nos juros desde que reassumiu a Casa Branca em janeiro. O republicano defende que taxas menores dariam mais competitividade às empresas americanas, especialmente diante da guerra comercial com a China e das tarifas impostas ao Brasil.

Impactos globais

As decisões de Brasil e Estados Unidos afetam não só suas economias, mas também os fluxos internacionais de capital. Juros altos por aqui tendem a atrair investidores estrangeiros, valorizando o real. Já cortes nos EUA podem enfraquecer o dólar globalmente e estimular investimentos em países emergentes. Por isso, a “superquarta” é acompanhada com atenção por economistas, empresários e até consumidores.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade