Os Correios fecharam o segundo trimestre de 2025 com um prejuízo de R$ 2,64 bilhões. O resultado é quase cinco vezes maior que a perda de R$ 553,2 milhões no mesmo período de 2024. No acumulado do primeiro semestre, o resultado, chegou a R$ 4,37 bilhões, mais do que o triplo do registrado em igual período do ano passado, quando a estatal perdeu R$ 1,35 bilhão.

O alerta foi levado ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Primeiro, a situação foi relatada ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e depois a outros integrantes do Executivo em reunião realizada em junho.
Governo avalia possibilidades
A equipe econômica reconhece que a situação é preocupante, mas lembra que não há espaço no Orçamento para um repasse imediato. Qualquer ajuda precisaria respeitar as regras fiscais e concorrer com outras despesas do governo.
Mesmo assim, técnicos admitem que pode se tornar inevitável uma injeção de recursos, caso os Correios não consigam recuperar suas finanças.
O balanço, divulgado na noite da última sexta-feira, 5 de setembro, mostra que a crise está se aprofundando. A perda no segundo trimestre foi ainda maior que o prejuízo de R$ 1,7 bilhão do início do ano.
Receita em queda
Entre abril e junho de 2025, a receita bruta de vendas dos Correios somou R$ 4,4 bilhões, queda de 11,2% em comparação com o mesmo período do ano passado. No semestre, o total arrecadado foi de R$ 8,52 bilhões, baixa de 11,3% frente a 2024.
O principal motivo da redução está nos serviços de postagem internacional, que sofreram forte impacto após a criação do programa Remessa Conforme, da Receita Federal. Esse programa facilitou a entrada de produtos importados por empresas de comércio eletrônico que aderiram às novas regras, mas reduziu o papel dos Correios como porta de entrada dessas encomendas.
Entre abril e junho, os serviços internacionais arrecadaram R$ 422,1 milhões, uma queda de 63,6% em relação ao mesmo período do ano passado. No semestre, a receita desse segmento somou R$ 815,2 milhões, queda de 61,3%.
A medida trouxe mais arrecadação para o governo federal, já que extinguiu a isenção para compras de até US$ 50 e aumentou a cobrança de impostos, conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”. Para os Correios, no entanto, significou perda imediata de receitas.
Despesas em alta
Enquanto a receita caiu, os gastos aumentaram. O pagamento de dívidas judiciais, chamadas de precatórios, alcançou R$ 1,2 bilhão no segundo trimestre, crescimento de 812,6% em relação ao mesmo período de 2024. No semestre, o valor foi de R$ 1,59 bilhão, alta de quase 500%.
Outro peso está na folha de pagamento. Entre abril e junho, os gastos com pessoal foram de R$ 2,8 bilhões, alta de 9,5% em comparação com o ano anterior. Isso ocorreu por conta do reajuste de 4,11% concedido a mais de 55 mil empregados em acordo coletivo, além da retomada da gratificação de 70% sobre as férias.
Neste semestre, os trabalhadores estão em campanha por novos reajustes, e algumas regiões já aprovaram paralisações. Dentro da empresa, porém, há receio de que não exista espaço para aumentos salariais diante da situação financeira atual.
Tentativas de ajuste
Para tentar recuperar parte das perdas, os Correios iniciaram a venda de imóveis e lançaram um Programa de Demissão Voluntária (PDV), que já teve a adesão de cerca de 3.500 funcionários. A expectativa é de que a medida economize cerca de R$ 1 bilhão em 2026.
Outra iniciativa foi a criação de um marketplace, tentando diversificar receitas. Apesar dos esforços, a estatal precisou recorrer a empréstimos para manter suas atividades. Neste ano, já foram contratados R$ 1,8 bilhão em financiamentos com bancos como Citibank, BTG Pactual e ABC Brasil.
Esses recursos deram fôlego temporário, mas a empresa terá de começar a pagar os valores em 2026, em seis parcelas mensais. Internamente, há preocupação de que não haja dinheiro suficiente para honrar esses compromissos no futuro.
Dívidas com fornecedores
Além das dificuldades de receita e aumento de custos, os Correios não têm conseguido manter os pagamentos a fornecedores em dia. Estimativas internas mostram um passivo de cerca de R$ 600 milhões em faturas atrasadas.
No fim de junho de 2025, o saldo total de obrigações com fornecedores estava em R$ 2 bilhões, o dobro do registrado no mesmo período do ano passado e bem acima do valor do fim de 2024, que era de R$ 1,26 bilhão.