As projeções de mercado para a inflação em 2025 permaneceram estáveis nesta segunda-feira, 8 de setembro, de acordo com o Relatório Focus divulgado pelo Banco Central do Brasil. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 4,85%, interrompendo uma sequência de 14 semanas consecutivas de cortes.
O Focus, publicado semanalmente, reúne expectativas de cerca de cem instituições financeiras e consultorias. Os dados são considerados um termômetro das perspectivas econômicas do setor privado e servem como referência para decisões de política monetária.
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Câmbio registra leve recuo
A mediana das projeções para o câmbio em 2025 recuou de R$ 5,56 para R$ 5,55. Para os próximos anos, também houve ajustes: a estimativa para 2026 caiu de R$ 5,62 para R$ 5,60, o mesmo valor projetado para 2027. Já para 2028, a expectativa recuou de R$ 5,60 para R$ 5,56.
Esse movimento reflete, em parte, a percepção de melhora nas condições externas e o impacto das políticas monetárias adotadas no Brasil e no exterior.
PIB apresenta leve redução
As expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 caíram de 2,19% para 2,16%. Para 2026, a projeção passou de 1,87% para 1,85%, e em 2027 recuou de 1,89% para 1,88%. A projeção para 2028 permaneceu em 2%, patamar estável há 78 semanas consecutivas.
Esses números indicam que o mercado projeta crescimento econômico moderado, alinhado às condições atuais de juros e inflação.
Expectativas para a taxa Selic
As projeções para a taxa básica de juros (Selic) em 2025 permaneceram em 15%, repetindo a estimativa das últimas 11 semanas. Para 2026, a expectativa é de queda para 12,50%, seguida de recuo para 10,50% em 2027 e 10% em 2028, índice que se mantém inalterado há 37 semanas.
A manutenção da Selic elevada em 2025 indica a cautela dos analistas em relação ao controle da inflação, apesar da trajetória de redução esperada para os anos seguintes.
Inflação futura em trajetória de queda
O Relatório Focus também trouxe revisões nas expectativas para os próximos anos. A projeção para 2026 ficou em 4,30%, levemente abaixo da semana anterior. Para 2027, a estimativa passou de 3,94% para 3,93%, enquanto para 2028 caiu de 3,80% para 3,70%.
No caso do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), utilizado como referência em contratos de aluguel e reajustes de tarifas, a previsão para 2025 subiu de 1,14% para 1,15%, e para 2026 foi mantida em 4,23%.
Preços administrados e impacto regulatório
O relatório também apontou que a expectativa para os preços administrados dentro do IPCA em 2025 permaneceu em 4,68%. Esses preços incluem tarifas como energia elétrica, combustíveis e transporte público, que são regulados ou influenciados pelo governo.
Para os anos seguintes, as projeções são de 4% em 2026 e 2027 e de 3,70% em 2028. Esses valores refletem a importância de políticas regulatórias e fiscais no comportamento da inflação no médio prazo.
Contexto internacional
As revisões apresentadas no boletim também consideram o cenário externo. Nas últimas semanas, o mercado acompanhou dados da economia chinesa, falas do Federal Reserve nos Estados Unidos e a crise política na França, fatores que impactam diretamente a percepção de risco e o fluxo de capitais para países emergentes como o Brasil.
Esses elementos ajudam a explicar ajustes nas projeções de câmbio e juros, mostrando que a política monetária brasileira está conectada a um ambiente global volátil.
Perspectivas para o cenário econômico
Com a estabilidade da inflação projetada em 4,85% para 2025, o Relatório Focus sugere que o mercado aguarda sinais mais claros do Banco Central em relação aos próximos passos da política monetária. A manutenção da Selic em patamares elevados reforça a estratégia de conter pressões inflacionárias em um contexto de incerteza doméstica e internacional.


