O sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, o Pix, foi o grande destaque da etapa brasileira do World Summit Award (WSA) 2025, uma das principais premiações globais voltadas a reconhecer conteúdos digitais com impacto social e econômico. Na última sexta-feira, 12 de setembro, o Pix foi anunciado como vencedor geral da edição nacional e também como o primeiro colocado na categoria “Negócios e Comércio”.

Criado em 2003 em Genebra, durante a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, o WSA é coordenado pelo Centro Internacional de Novas Mídias, sediado em Salzburg, na Áustria, e reúne iniciativas digitais de mais de 180 países, com o objetivo de valorizar projetos capazes de transformar realidades locais.
O reconhecimento marca mais um capítulo na trajetória de ascensão do Pix, lançado em novembro de 2020 e rapidamente consolidado como o principal meio de pagamento do Brasil. Segundo dados do Banco Central, mais de 160 milhões de brasileiros já utilizam o sistema, o que corresponde a 90% da população adulta. Entre as empresas, a adesão também é expressiva: mais de 80% das pessoas jurídicas ativas operam com Pix, somando cerca de 12 milhões de negócios.
Crescimento acelerado e números recordes
O impacto se reflete nos números de movimentação. Apenas em agosto de 2025, foram registradas 4,8 bilhões de transações por meio do sistema, somando aproximadamente 2,3 trilhões de reais. Para efeito de comparação, esse volume é quase dez vezes superior ao das operações via TED e DOC combinadas, modalidades que dominaram o mercado bancário por décadas, mas que hoje respondem por uma fração mínima das transferências.
Outro dado que evidencia a relevância do Pix é a frequência das operações de baixo valor. Mais de 78% das transações registradas em 2025 movimentaram quantias inferiores a 100 reais, o que indica o uso cotidiano do sistema em compras rápidas, transferências pessoais e pagamentos de serviços. A praticidade e a gratuidade para pessoas físicas contribuíram para que o Pix se tornasse a forma mais popular de movimentar dinheiro no país, atrás apenas do uso do papel-moeda.
No setor empresarial, o Pix também tem papel decisivo. Micro e pequenos empreendedores, que antes dependiam de maquininhas de cartão sujeitas a taxas elevadas, passaram a contar com uma alternativa de baixo custo. Estudos de associações comerciais apontam que a economia gerada pelo uso do Pix já ultrapassa os 20 bilhões de reais anuais para esse segmento. A modalidade de pagamento imediato e sem taxas de intermediação tornou-se estratégica para a sobrevivência de negócios informais e formais em todo o país.
Inclusão financeira em todas as regiões
Os efeitos sociais vão além da economia. Em regiões com baixo índice de bancarização, como áreas rurais e municípios de pequeno porte, o Pix ampliou o acesso da população ao sistema financeiro. Ao permitir transferências e pagamentos apenas com o uso de um celular, mesmo sem cartão ou conta tradicional, milhões de brasileiros passaram a movimentar valores de forma rápida e segura. O Banco Central estima que mais de 7 milhões de cidadãos que não possuíam nenhum tipo de serviço bancário formal antes de 2020 hoje utilizam exclusivamente o Pix como meio de inclusão financeira.
A escalada do sistema também chamou a atenção no exterior. Países da América Latina e da África acompanham de perto o modelo brasileiro e estudam adaptações locais, considerando o sucesso da adesão. O alcance do Pix transformou o Brasil em referência mundial de pagamento instantâneo, especialmente em termos de inclusão populacional.
Reconhecimento global e desafios externos
Ao mesmo tempo em que é premiado, o sistema enfrenta uma situação de contraste no cenário internacional. Autoridades dos Estados Unidos abriram investigações sobre possíveis práticas desleais ligadas à atuação do Pix no mercado global de meios de pagamento. As apurações analisam se sua rápida expansão poderia representar obstáculos à competitividade de empresas americanas do setor.


