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Incêndio em subestação do Paraná provoca apagão que atinge diversas regiões do país

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Um incêndio na Subestação de Energia de Bateais, localizada a cerca de 30 quilômetros de Curitiba (PR), provocou um apagão de grandes proporções na madrugada desta terça-feira, 14 de outubro. O problema afetou o fornecimento de energia em estados das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, além de reflexos em partes do Norte e Nordeste do país. O governo federal e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) investigam as causas do incidente.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), o incêndio ocorreu por volta de 0h30 e gerou uma perturbação de grande porte no Sistema Interligado Nacional (SIN), rede responsável por conectar as usinas geradoras de energia às linhas de transmissão e distribuição em praticamente todo o território brasileiro. Por segurança, cerca de 10 mil megawatts de carga foram desligados de forma controlada, acionando o chamado Esquema Regional de Alívio de Carga, que serve para evitar danos mais graves ao sistema.

Apagão ana madrugada em diferentes estados do país
O desligamento afetou diretamente o equilíbrio do sistema, causando interrupções em diferentes partes do país | Foto: Reprodução/ Canva

Com o incêndio, toda a subestação de 500 kV de Bateais foi desligada, provocando a desconexão das regiões Sul e Sudeste/Centro-Oeste, uma situação considerada “severa” pelas autoridades do setor elétrico.

Energia começou a voltar gradualmente

Segundo o ONS, a recomposição do sistema teve início poucos minutos após a falha, mas a normalização completa levou algum tempo. Nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, o fornecimento foi totalmente restabelecido em cerca de 1h30. Já a região Sul teve a energia recomposta integralmente por volta das 2h30 da madrugada.

A falta de energia foi registrada em pelo menos 10 estados e no Distrito Federal. Entre os mais afetados estavam São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina, Amazonas, Bahia, Pernambuco, Maranhão e Rio Grande do Norte. Em algumas localidades, a luz ficou ausente por apenas oito minutos; em outras, o apagão durou quase uma hora.

No Distrito Federal, a Neoenergia Brasília informou que oito subestações foram impactadas, deixando cerca de 300 mil clientes sem energia entre 0h31 e 1h06. Em São Paulo, também atendido pela Enel, aproximadamente 937 mil consumidores ficaram sem luz por cerca de oito minutos.

No Rio de Janeiro, a empresa Light relatou que 450 mil clientes foram afetados. Em partes da Zona Norte, Zona Oeste e Baixada Fluminense, a interrupção durou até 30 minutos. Já a Enel Rio, responsável pela Região Metropolitana, informou que 277 mil clientes tiveram o serviço interrompido entre 0h32 e 1h22.

Em Goiás, segundo a Equatorial, quase 50 municípios sofreram desligamentos temporários, atingindo mais de 520 mil unidades consumidoras. No Amazonas, o apagão afetou as cidades de Manaus, Parintins e Itacoatiara, com duração aproximada de uma hora.

Governo investiga causas do incêndio

O Ministério de Minas e Energia informou que ainda não há uma explicação definitiva para o início do incêndio na subestação de Bateais. Uma reunião preliminar com representantes do ONS, da Eletrobras e de outras companhias de energia foi marcada para esta terça-feira, com o objetivo de analisar as primeiras informações técnicas. O ONS deve elaborar um Relatório de Análise da Perturbação até sexta-feira, 17 de outubro, detalhando o que levou ao desligamento em cadeia.

Incidentes desse tipo, embora raros, podem ocorrer quando há falhas em equipamentos de alta tensão, curtos-circuitos ou superaquecimento de transformadores. Por estarem interligadas, as redes elétricas das diferentes regiões do país sofrem impactos em cascata quando uma parte do sistema sofre uma pane grave.

O que é o Sistema Interligado Nacional?

O Sistema Interligado Nacional (SIN) cobre quase todo o território brasileiro. A única exceção é Roraima, que possui um sistema independente e não é conectado à rede nacional. O SIN permite que a energia gerada em uma região, como o Norte ou o Sudeste, possa ser transmitida para outras partes do país conforme a demanda. Isso garante equilíbrio entre oferta e consumo, mas também torna o sistema sensível a falhas de grande porte.

O controle e a coordenação do SIN são realizados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável por monitorar o fluxo de energia e acionar medidas de segurança, como o desligamento preventivo de cargas, para evitar apagões mais duradouros.

Relembre o apagão de 2023

O último grande apagão nacional havia ocorrido em 2023, quando cerca de 29 milhões de brasileiros ficaram sem energia elétrica. Naquele episódio, 25 estados e o Distrito Federal foram afetados, com exceção de Roraima. A falha, provocada por uma sobrecarga na transmissão, expôs a fragilidade do sistema diante de eventos inesperados.

Embora o apagão desta terça-feira tenha sido de menor duração, especialistas ressaltam a importância de uma apuração detalhada para evitar que falhas semelhantes se repitam. A investigação deverá apontar se o incêndio foi causado por fatores climáticos, problemas técnicos ou falhas de manutenção.

Situação sob controlePor volta das 3h da manhã, o Ministério de Minas e Energia confirmou que o fornecimento havia sido totalmente restabelecido em todo o país. O governo destacou que o Esquema de Alívio de Carga funcionou corretamente, permitindo uma recomposição rápida e evitando danos maiores à rede.

Ainda assim, o episódio reacendeu o debate sobre a resiliência do sistema elétrico brasileiro e a necessidade de investimentos em manutenção e modernização das subestações. O resultado da investigação oficial deve indicar os próximos passos para reforçar a segurança e estabilidade do fornecimento de energia no país.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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