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Após libertação dos últimos reféns, cessar-fogo em Gaza entra em nova fase e acordo

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A libertação dos 20 reféns restantes na Faixa de Gaza, realizada na segunda-feira, 13 de outubro, marcou o início de uma nova etapa do cessar-fogo entre Israel e o Hamas. O episódio encerra a primeira fase do acordo de paz mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e abre espaço para discussões sobre o futuro político, militar e econômico do território palestino.

Cessar-fogo entre Israel e Hamas terá 20 passos
O cessar-fogo, aprovado pelo governo de Israel na sexta-feira anterior (dia 10 de outubro) foi resultado de negociações indiretas entre Israel e o Hamas, com mediação de Egito, Catar, Turquia e Estados Unidos | Foto: Reprodução / Wikimedia

O entendimento inclui a troca de reféns por prisioneiros, o recuo gradual das tropas israelenses e o aumento expressivo da entrada de ajuda humanitária em Gaza, duramente afetada por mais de dois anos de intensificação da guerra.

A libertação dos reféns e troca por prisioneiros

Na manhã de segunda-feira, o Hamas entregou ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) os 20 reféns vivos que ainda estavam sob seu poder, em dois grupos. Eles foram transportados até a base militar de Reim, no sul de Israel, onde passaram por exames médicos e reencontraram familiares. Depois, seguiram de helicóptero para hospitais na região de Tel Aviv, preparados para receber vítimas de longa detenção.

Os reféns faziam parte das cerca de 250 pessoas sequestradas em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas realizou um ataque contra o sul de Israel, matando cerca de 1,2 mil pessoas, a maioria civis. Desde então, as forças israelenses conduziram uma ofensiva militar na Faixa de Gaza que resultou em mais de 67 mil mortos, segundo o Ministério da Saúde do território, administrado pelo Hamas.

As autoridades israelenses estimam que o Hamas ainda possua os restos mortais de cerca de 25 reféns. A entrega desses corpos deve ocorrer em uma etapa separada do acordo e pode levar mais tempo do que as 72 horas previstas inicialmente.

Em troca dos reféns, Israel libertou 250 prisioneiros palestinos que cumpriam prisão perpétua e 1.718 detidos de Gaza, incluindo 15 menores de idade. Parte dos libertados foi transferida para Ramallah, na Cisjordânia, e outra para Gaza. Segundo listas divulgadas pelo Escritório de Imprensa dos Prisioneiros, cerca de 100 foram libertados na Cisjordânia, 15 em Jerusalém Oriental e 135 deportados para Gaza ou outros países. Mais da metade dos libertados será enviada para o exílio, mas o destino exato ainda não foi confirmado.

Recuo militar e nova configuração em Gaza

O acordo prevê que Israel retire suas tropas para uma “linha amarela” dentro do território palestino, etapa já cumprida na última sexta-feira, 10 de outubro. Atualmente, as forças israelenses controlam cerca de 53% da Faixa de Gaza, segundo informações do governo americano. O plano prevê novas reduções para 40% e depois 15%, até a formação de um “perímetro de segurança” permanente.

Uma força multinacional de aproximadamente 200 soldados, composta por militares do Egito, Catar, Turquia e Emirados Árabes Unidos, sob supervisão dos Estados Unidos, foi designada para monitorar o cumprimento do cessar-fogo. Autoridades americanas reforçaram que não haverá presença de soldados dos EUA em solo de Gaza.

Entrada de ajuda humanitária e reconstrução

O acordo também abriu espaço para uma entrada maior de ajuda humanitária. Segundo fontes israelenses, cerca de 600 caminhões por dia, operados por agências da ONU, organizações internacionais e o setor privado, estão cruzando as fronteiras com alimentos, suprimentos médicos, combustível e gás de cozinha. O volume representa o dobro do registrado antes da trégua.

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários confirmou que “a ampliação da ajuda em Gaza está bem encaminhada”, relatando o envio de alimentos, tendas, carne congelada, frutas e medicamentos para o norte e o sul do território. As Nações Unidas também estão financiando padarias e cozinhas comunitárias e fornecendo auxílio financeiro direto a 200 mil famílias para compra de alimentos.

Além disso, o Reino Unido anunciou uma doação adicional de £ 20 milhões (cerca de R$ 126 milhões) em ajuda humanitária destinada à Gaza, como parte de um novo pacote internacional de apoio.

A União Europeia também comunicou que retomará seu programa de monitoramento na fronteira entre Gaza e o Egito, para garantir a entrada segura dos comboios de ajuda.

A trégua entre Israel e o Hamas também teve impacto nos mercados internacionais. Os preços do petróleo caíram após o anúncio do cessar-fogo, refletindo a percepção de menor risco geopolítico no Oriente Médio. Isso pode aliviar custos de energia e transporte em diversos países, o que tende a beneficiar consumidores e economias que dependem fortemente de importações de combustíveis.

Estrutura política e próximos passos

O plano de 20 pontos prevê que a Faixa de Gaza seja administrada, inicialmente, por um comitê de transição composto por tecnocratas palestinos, supervisionado por um Comitê da Paz chefiado pelo próprio Trump e com participação do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.

Esse comitê terá a tarefa de estabilizar o território, coordenar a reconstrução e preparar eleições futuras. A Autoridade Palestina, que administra a Cisjordânia, deverá reassumir o governo de Gaza após reformas internas. O Hamas, que controla o território desde 2007, não participará da nova administração, mas seus membros poderão receber anistia caso aceitem a coexistência pacífica ou solicitar passagem para outro país.

O plano também garante que nenhum morador será forçado a deixar Gaza e que todos terão direito de retorno caso decidam sair temporariamente.

Um painel de especialistas deverá apresentar, nos próximos meses, o “Plano de Desenvolvimento Econômico de Trump”, voltado para a reconstrução e reativação econômica do território. O documento abordará áreas como moradia, energia e infraestrutura básica, e deve envolver investimento de países árabes e de organizações multilaterais.

Desafios e incertezas

Apesar do avanço diplomático, as próximas fases do acordo enfrentam desafios significativos. O principal é o desarmamento do Hamas, condição imposta por Israel para a consolidação da paz. O grupo palestino, no entanto, não deu sinais de que aceitará abrir mão de suas armas. Líderes do Hamas indicaram que o desarmamento só ocorreria caso fosse criado um Estado palestino reconhecido internacionalmente.

Outro ponto de impasse é a retirada total das tropas israelenses. O plano não define prazos claros para o fim da ocupação parcial, e mediadores internacionais afirmam que a falta de cronograma pode gerar novas tensões.

Ainda assim, diplomatas envolvidos nas negociações consideram que o cessar-fogo representa o avanço mais concreto desde que o conflito se intensificou e que as próximas rodadas de conversas definirão as bases para um acordo mais duradouro.

O que vem a seguir?

Com a libertação dos reféns concluída e a primeira fase do cessar-fogo cumprida, as atenções agora se voltam para as etapas seguintes do plano. As negociações devem definir mecanismos de segurança, o ritmo de retirada israelense e a composição do novo governo interino.

Enquanto isso, a recuperação de Gaza e a chegada constante de ajuda humanitária serão fatores essenciais para evitar uma nova escalada. O equilíbrio entre segurança, reconstrução e estabilidade política determinará o sucesso do acordo e poderá influenciar toda a dinâmica do Oriente Médio nos próximos anos.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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