O mercado de luxo brasileiro deixou de ser nicho para virar segmento de peso — e o impulso vem da geração com mais de 50 anos. Segundo o estudo O Cliente Gold é Prata, do Data8 (hub de pesquisa, inteligência de mercado e inovação focado na Economia da Longevidade na América Latina), o público maduro está liderando o crescimento desse mercado no país.
Entre 2022 e 2024, o setor de luxo no Brasil cresceu em média 12% ao ano, segundo relatório divulgado pela Meio & Mensagem com base em dados da Bain & Company (consultoria global que atua na gestão e estratégia de negócios), e o faturamento atingiu R$ 98 bilhões em 2024. A previsão é de que o mercado chegue a R$ 150 bilhões até 2030.
Os consumidores da chamada classe alta madura são cerca de 1,5 milhão de pessoas, com US$ 860 bilhões em ativos líquidos — projeção de alcançar US$ 1 trilhão até 2030. O estudo aponta que 92% deles são homens e 78% têm mais de 50 anos.
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O que consome o público 50+
De acordo com o estudo, esse público não busca apenas status — eles desejam exclusividade, personalização e produtos de qualidade superior. Na cesta de consumo dos prateados estão:
- Transporte (compra e manutenção de veículos, embarcações e viagens)
- Alimentação e experiências gastronômicas premium
- Habitação, com investimentos em imóveis de alto padrão
- Saúde, vestuário, joias e relojoaria
Outra tendência registrada é o salto nas compras online de produtos de luxo: entre 2019 e 2024, as vendas digitais de bens de luxo pessoais cresceram 261%, com destaque para roupas, acessórios, eletrônicos e cosméticos.
Prioridades, representatividade e restrições
Agora que já acumularam patrimônio, muitos consumidores maduro desejam qualidade de vida, liberdade e autonomia financeira. Entre suas preocupações, incluem o risco de perder poder aquisitivo e a falta de reconhecimento por marcas e mídia.
Mesmo com seu peso no consumo, apenas 42% dos brasileiros com mais de 55 anos e pertencentes à classe A se sentem bem representados por empresas e mídia; 30% dizem não se sentir representados. 39% enxergam publicidade como representação de pessoas experientes; 25% como alguém cumprindo sonhos; e 22% como alguém tentando parecer mais jovem.
Em escala global, 70% do patrimônio familiar nos EUA está nas mãos dos 50+. Na China, a chamada economia prateada em 2024 foi estimada em 7 trilhões de yuan (aproximadamente US$ 966 bilhões), algo como R$ 5,4 trilhões, o que representou 6% do PIB. Para 2035, a projeção é de 30 trilhões de yuan — cerca de 10% do PIB.
No Brasil, os prateados já representam 24% do consumo privado domiciliar, gerando algo como R$ 7,3 trilhões em consumo.
Desafios para o mercado de luxo prateado
Apesar do potencial, o estudo percebe lacunas no reconhecimento desse público. Muitas marcas ainda raramente pensam em estratégias para os maduros. Segundo o Data8, a economia prateada já movimenta muito, mas precisa ganhar visibilidade maior no marketing e design de produtos.
Em projeções de longo prazo, a economia prateada deve dobrar, e o consumo dos maiores de 50 anos pode representar 35% do total consumo domiciliar privado até 2045.
Para quem trabalha no setor de luxo ou comunicação, o foco passa a ser adaptar produtos, serviços e mensagens para atender esse perfil, muitas vezes ignorado.


