O Governo do Estado de São Paulo marcou para o dia 13 de novembro de 2025 o leilão do projeto de concessão do Sistema de Travessias Hídricas, que inclui balsas e embarcações que transportam pessoas e veículos entre margens de rios e canais. O evento ocorrerá na sede da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, localizada na capital.

Conduzido pela Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), o projeto também será fiscalizado pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).
Estrutura do contrato
O modelo de concessão será uma Parceria Público-Privada (PPP). Nesse tipo de contrato, uma empresa assume a operação e manutenção do serviço, enquanto o governo paga parte dos custos para garantir a continuidade do atendimento. O prazo da concessão será de 20 anos.
Conforme o edital, a empresa que vencer o leilão ficará com 20% do valor arrecadado com tarifas. Os outros 80% serão pagos pelo governo estadual, o que reduz o risco de prejuízo em períodos de menor demanda. As tarifas para os usuários não sofrerão reajuste imediato, e o governo informou que serão mantidas as gratuidades e benefícios existentes, como as isenções para moradores de determinadas regiões e pessoas com deficiência.
Atualmente, o sistema de travessias hídricas transporta cerca de 11 milhões de passageiros e 10 milhões de veículos por ano. O objetivo da concessão é garantir a continuidade do serviço com menor custo para o Estado e mais eficiência operacional.
Investimentos previstos
O contrato exige que a futura concessionária faça uma renovação completa da frota, com a compra de 45 novas embarcações. Parte delas deverá ser elétrica ou híbrida, com menor consumo de combustível e menor emissão de gases poluentes. O governo estima que a substituição das embarcações movidas a diesel deve reduzir cerca de 18 mil toneladas de gás carbônico (CO₂) por ano, o equivalente à poluição anual de aproximadamente 4 mil carros de passeio.
Os terminais também passarão por reformas. O edital prevê a construção de instalações padronizadas, acessíveis e climatizadas, com banheiros adaptados, áreas de alimentação e postos de atendimento ao público. Haverá ainda obras de acessos e calçadas, além de melhorias nos espaços de apoio aos trabalhadores.
Linhas que farão parte da concessão
O sistema inclui 14 travessias, sendo oito no litoral paulista e as demais em regiões do interior e da Grande São Paulo. Confira a lista:
- Litoral de São Paulo
- Santos – Guarujá
- Santos – Vicente de Carvalho
- Bertioga – Guarujá
- Litoral Norte
- São Sebastião – Ilhabela
- Litoral Sul / Vale do Ribeira
- Cananéia – Ilha Comprida
- Cananéia – Continente
- Iguape – Juréia
- Cananéia – Ariri
- Região Metropolitana de São Paulo
- Bororé – Grajaú
- Taquacetuba – Bororé
- João Basso – Taquacetuba
- Vale do Paraíba (interior)
- Porto Paraitinga
- Porto Varginha
- Porto Natividade da Serra
Essas linhas atendem regiões em que a travessia por barco é a principal forma de transporte entre comunidades separadas por rios ou canais.
Como será o leilão?
O leilão acontecerá na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. As empresas interessadas poderão apresentar propostas para operar o sistema. Vence quem oferecer a menor contraprestação, ou seja, o menor valor a ser pago pelo governo para manter o equilíbrio financeiro da operação.
Após o resultado, a empresa vencedora deverá assinar contrato e iniciar os investimentos previstos. A fiscalização do cumprimento das obrigações ficará sob responsabilidade da Artesp, que é o órgão estadual que regula e supervisiona transportes e concessões de rodovias e serviços aquaviários.
Impactos esperados
Com o início da concessão, o governo espera melhorar a qualidade do serviço e reduzir custos de manutenção. A troca de embarcações antigas por modelos elétricos deve diminuir o consumo de combustível e reduzir a emissão de poluentes.
Para os usuários, as mudanças devem trazer redução no tempo de espera e melhor organização nas filas, principalmente nas travessias com maior movimento, como Santos–Guarujá e São Sebastião–Ilhabela.
O governo também pretende garantir maior previsibilidade de horários e segurança nas operações, pontos que geram reclamações frequentes entre passageiros e motoristas que utilizam as balsas diariamente.
Relação com o túnel Santos–Guarujá
O leilão das travessias ocorre em paralelo a outro projeto importante do litoral paulista: o Túnel Imerso Santos–Guarujá, que ligará as duas cidades por baixo do canal do Porto de Santos.
Esse projeto foi leiloado em setembro de 2025, também na B3, e teve como vencedora a empresa Mota-Engil, de origem portuguesa. O investimento previsto é de R$ 6,8 bilhões, com contrato de 30 anos.
O túnel terá 1,5 quilômetro de extensão, sendo 870 metros submersos, e contará com faixas para carros, ciclistas, pedestres e o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Quando estiver pronto, o tempo de deslocamento entre as duas margens deve cair de cerca de 18 minutos de balsa para poucos minutos de carro.
Com os dois projetos — o das travessias e o do túnel — o governo estadual busca melhorar a mobilidade no litoral e nas regiões ribeirinhas. Segundo a Secretaria de Parcerias em Investimentos, o modelo de PPP permite atrair recursos da iniciativa privada e liberar verbas públicas para outras áreas, como saúde e educação.
A concessão das travessias faz parte de um programa estadual de modernização dos serviços públicos, que inclui rodovias, transporte metropolitano e infraestrutura logística. O leilão está aberto a empresas brasileiras e estrangeiras, desde que cumpram as exigências de qualificação técnica e financeira definidas no edital.


