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Primeiro dia da COP30 tem metas climáticas, ausência dos EUA, protestos indígenas e chuva forte em Belém

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Ausência dos Estados Unidos marca a abertura

Durante a plenária, um detalhe chamou atenção: a cadeira reservada aos Estados Unidos ficou vazia. O país não enviou delegação e manteve o boicote às negociações climáticas. O presidente Lula havia pedido publicamente a presença dos EUA, mas não houve resposta.

A ausência foi vista como um gesto político importante, já que os Estados Unidos são o segundo maior emissor de gases de efeito estufa do planeta. Sem o país, acordos globais perdem parte da força diplomática.

Fora dos pavilhões: protestos, flotilha indígena e chuva forte

Enquanto os debates ocorriam dentro do Parque da Cidade, o lado de fora também movimentou o primeiro dia. Pela manhã, um grupo da Caravana Sul-Americana, formado por povos indígenas de vários países, protestou na entrada principal da conferência. Com faixas e cantos de guerra, eles pediram mais participação nas negociações. Alguns ativistas deitaram no chão simulando corpos, representando indígenas mortos em conflitos ligados ao desmatamento e à exploração da floresta.

Protesto na COP30
O protesto chamou a atenção de quem chegava ao local | Foto: Reprodução / Laís Nunes / TV Liberal

Outro grupo indígena chegou a Belém após uma longa viagem. A flotilha Yaku Mama, expressão que significa “mãe água” em uma língua ancestral, navegou mais de 3.000 quilômetros pelo rio Amazonas. Participaram representantes do Equador, Peru, Colômbia, Guatemala, Indonésia e Brasil. Segundo o grupo, a viagem simboliza a defesa dos rios e mostra que os povos da floresta estão entre os primeiros atingidos pela crise climática.

No início da tarde, uma chuva intensa provocou alagamentos dentro da conferência. A Zona Azul, que reúne pavilhões de países e áreas de alimentação, ficou com trechos inundados. Parte do acesso aos ônibus precisou ser bloqueada. Algumas pessoas não conseguiram circular até a água diminuir.

Mesmo nas áreas cobertas, o barulho da chuva era tão forte que atrapalhou entrevistas e coletivas de imprensa. O alto comissário da Agência da ONU para Refugiados (Acnur), Filippo Grandi, disse que não conseguia ouvir as perguntas dos jornalistas.

Além da tempestade, a Polícia Federal divulgou um balanço sobre segurança. Nos dias 6 e 7 de novembro, antes da abertura oficial, foram detectadas 237 aeronaves não tripuladas, conhecidas como drones, sobrevoando áreas próximas ao evento. Desse total, 27 foram bloqueadas para evitar riscos às delegações e ao público.

Novas iniciativas marcam o início da conferência

O primeiro dia também teve anúncios que envolvem recursos, tecnologia e recuperação ambiental. Uma das novidades foi a doação da Suíça ao Fundo Amazônia, instrumento que financia projetos de combate ao desmatamento e iniciativas sociais na região. O país destinou 5 milhões de francos suíços, cerca de R$ 33 milhões, em uma cerimônia com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e embaixadores.

Também foi apresentada a iniciativa internacional RAIZ, ligada ao Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil. O nome vem da sigla em inglês Resilient Agriculture Investment for Net Zero Land Degradation, traduzida como “Investimento em Agricultura Resiliente para Degradação Zero”. O objetivo é recuperar terras agrícolas destruídas por erosão, queimadas e uso inadequado do solo.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estima que 2 bilhões de hectares estejam degradados no planeta, o que afeta 3,2 bilhões de pessoas e ameaça a produção de alimentos.

Outro destaque foi o lançamento do Macaozinho, ferramenta de inteligência artificial criada para funcionar durante a COP30. A plataforma pode responder perguntas em mais de 50 idiomas e foi treinada com documentos oficiais da ONU, como relatórios científicos e textos de acordos internacionais. O projeto busca facilitar o entendimento do público e evitar a circulação de informações falsas.

Ao longo do dia, a Zona Azul também recebeu encontros entre governos, bancos públicos e organizações internacionais. As conversas trataram de financiamento para adaptação climática, combate à fome, tecnologias digitais e futuras metas globais.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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