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Cinzas que viram diamantes: processo transforma memória em jóias e ganha destaque após homenagem a Preta Gil

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A despedida da cantora Preta Gil ganhou um gesto carregado de afeto, com parte de suas cinzas sendo transformadas em diamantes e entregues a familiares e amigos próximos. A artista, faleceu em julho deste ano em decorrência de um câncer no intestino.

Cinzas de Preta Gil são transformadas em diamantes para família e amigos
A decisão atendia a um desejo antigo da cantora, que via nesse processo uma maneira bonita e simbólica de permanecer presente na vida de quem amava | Foto: Reprodução / Wikimedia

Para tornar essa vontade possível, as cinzas foram enviadas para dois laboratórios diferentes. Um deles, em São Paulo, ficou responsável por transformar o carbono das cinzas em 12 diamantes, oferecidos para pessoas muito próximas da artista, como Duh Marinho, Gominho, Carolina Dieckmann e Jude Paulla. A outra parte das cinzas seguiu para Curitiba, onde foram produzidas peças destinadas à família. Nesse grupo estão nomes como a neta Sol de Maria e a mãe da cantora, Sandra Gadêlha.

Como as cinzas se tornam diamantes?

O processo de transformar cinzas em diamantes tem se popularizado no Brasil e no mundo, especialmente entre pessoas que desejam guardar lembranças de forma íntima e simbólica. Tudo começa com a separação do carbono, o principal elemento químico responsável pela formação natural da pedra preciosa.

As cinzas passam por processos de queima que removem impurezas e deixam apenas o carbono puro. Esse carbono então se transforma em uma pequena pastilha de grafite. A partir daí, entram em ação técnicas avançadas que imitam o que acontece dentro da Terra ao longo de milhões de anos.

A principal técnica usada é conhecida como Alta Pressão e Alta Temperatura, chamada de HPHT. A pastilha de grafite é colocada em uma cápsula especial, aquecida a temperaturas que podem variar de 1.500 °C a 3.000 °C, e submetida a pressões altíssimas. Em condições naturais, esse processo levaria eras geológicas, mas no laboratório, ocorre em aproximadamente 60 horas, ou em até 6 a 8 meses, dependendo da técnica utilizada, já que algumas usam nanotecnologia e outras são baseadas em máquinas de alta pressão.

Diamante feito com cinzas, cabelos e até dentes tem ganhado visibilidade.
Sob essas condições extremas, os átomos de carbono se reorganizam e dão origem ao diamante bruto. Depois disso, a pedra passa por lapidação e polimento, até chegar ao brilho e ao formato que conhecemos | Foto: Reprodução / Canva

Quanto custa transformar cinzas em diamante?

Transformar cinzas em diamantes já está ao alcance de mais pessoas, embora ainda exija um investimento significativo e planejamento antecipado. Os valores mudam conforme a empresa escolhida, o tamanho da pedra e a cor desejada. Na Diamond Legend, por exemplo, o diamante amarelo varia de R$ 2 mil a R$ 20 mil, enquanto o branco custa entre R$ 3 mil e R$ 24 mil. Já o diamante azul pode ir de R$ 7.500 a R$ 65 mil, dependendo das características definidas pelo cliente e do tempo total de produção. Em outras empresas especializadas, o valor pode variar ainda mais para a produção de um diamante. Em alguns laboratórios, o preço começa em torno de R$ 3.800, variando conforme o quilate solicitado.

Uma forma simbólica de manter a memória viva

A ideia de transformar cinzas em diamantes tem sido vista como uma forma mais próxima e afetiva de guardar lembranças. Em vez de seguir métodos tradicionais, algumas famílias preferem carregar essa memória na forma de joias que podem ser usadas no dia a dia.

No caso de Preta Gil, o gesto reflete sua relação com a arte, com o brilho e com os vínculos afetivos. Para amigos e familiares, receber um diamante criado a partir de suas cinzas é uma maneira delicada de manter viva a presença da cantora, transformando saudade em algo que pode ser tocado, admirado e cuidado ao longo dos anos.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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