A China atingiu pela primeira vez a marca de US$ 1,08 trilhão (cerca de R$ 5,73 trilhões) em superávit comercial em 2025, segundo dados oficiais divulgados nesta segunda-feira, 8 de dezembro. O superávit comercial ocorre quando um país vende mais ao exterior do que compra, e essa diferença acumulada entre janeiro e novembro ultrapassou o total registrado em 2024, de US$ 992 bilhões (R$ 5,27 trilhões).

No mês, a China exportou US$ 330,3 bilhões (cerca de R$ 1,75 trilhão) e importou US$ 218,6 bilhões (aproximadamente R$ 1,16 trilhão). Assim, o superávit mensal ficou em US$ 111,7 bilhões (R$ 593 bilhões), o maior desde junho.
Exportações para os EUA caem 29% e China amplia vendas para outras regiões
Apesar do avanço geral, as exportações da China para os Estados Unidos caíram quase 29% no ano até novembro. A queda reflete a tensão comercial entre os dois países. Hoje, a tarifa média americana sobre produtos chineses está em 47,5%, nível que reduz a margem de lucro dos exportadores.
Com esse cenário, empresas chinesas passaram a buscar novos destinos para seus produtos, ampliando embarques para:
• União Europeia: +14,8%;
• Austrália: +35,8%;
• Sudeste Asiático: +8,2%;
• América Latina: aumento consistente, segundo dados oficiais;
• África: crescimento citado nos relatórios de comércio.
A estratégia de diversificação reduz a dependência dos EUA e ajuda a manter o ritmo de exportações, mesmo com o enfraquecimento das compras americanas.
Trégua comercial temporária reduz tarifas, mas efeitos ainda não aparecem nos números
Em outubro, Trump e o presidente chinês Xi Jinping se reuniram na Coreia do Sul e anunciaram uma trégua comercial de um ano. Os EUA reduziram parte das tarifas, enquanto a China concordou em suspender controles de exportação sobre terras raras, minerais vitais para a indústria de tecnologia.
Segundo a economista Lynn Song, do ING Bank, os efeitos da redução tarifária podem aparecer apenas nos próximos meses, já que as exportações de novembro ainda refletem medidas anteriores.
Mesmo com a trégua, especialistas acreditam que a relação comercial entre os dois países continuará instável. O estrategista Chi Lo, do BNP Paribas, afirma que o impasse entre China e EUA permanece, apesar das flexibilizações temporárias.
China busca estabilidade e crescimento interno em meio à desaceleração industrial
A atividade industrial da China contraiu pelo oitavo mês seguido em novembro, segundo pesquisa oficial. Para economistas, ainda é cedo para saber se a melhora nas exportações em novembro significa uma recuperação duradoura da demanda global.
Líderes chineses realizaram uma reunião anual nesta segunda-feira para definir prioridades de 2026. O foco anunciado é “buscar progresso, garantindo estabilidade”. A agência Xinhua informou que o governo quer melhorar a coordenação da política econômica interna e lidar com disputas comerciais internacionais.
Economistas acreditam que, mesmo com desafios, a China deve alcançar a meta de crescimento de cerca de 5% em 2025. O país também reforçou sua estratégia de investir em manufatura avançada nos próximos cinco anos, incluindo veículos elétricos, robótica e baterias.
Caminho para 2030: China deve ampliar participação no comércio mundial
O banco Morgan Stanley estima que a participação da China nas exportações globais deve subir de 15% para 16,5% até 2030, impulsionada por setores de maior tecnologia. O economista Chetan Ahya afirma que, mesmo com protecionismo em países do G20, a China deve ganhar espaço devido à força de seus setores industriais.
Essa expansão ocorre enquanto empresas chinesas montam novos polos de produção em países com tarifas mais baixas, facilitando o acesso a mercados externos.
Demanda interna fraca continua sendo um ponto de preocupação
Apesar do bom desempenho do comércio exterior, a demanda doméstica da China segue fraca, principalmente pela crise prolongada no setor imobiliário. Isso aparece na queda das importações de cobre bruto, material essencial para a construção civil.
Alguns setores, porém, mostram sinais de recuperação. As exportações de terras raras subiram 26,5% em novembro, primeiro mês completo após o acordo entre Xi e Trump. As importações de soja também avançaram e podem fechar 2025 no maior nível da história, com compras de produtores dos EUA e da América Latina.