A inflação oficial do país avançou 0,18% em novembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, embora acima do registrado em outubro (0,09%), trouxe um dado importante: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltou a ficar dentro do limite máximo da meta definida pelo governo, algo que não acontecia havia 13 meses.

Com o resultado, o IPCA acumulou 4,46% em 12 meses, voltando para a banda permitida pelo Conselho Monetário Nacional, que estabelece objetivo central de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que a inflação não poderia ultrapassar 4,5% no período.
Passagens aéreas explicam parte da alta; energia e hospedagem também pesaram
Comportamentos diferentes entre os grupos pesquisados explicam a variação do mês. O destaque ficou com as passagens aéreas, que subiram 11,9% e foram responsáveis por 0,07 ponto percentual da inflação de novembro. O item costuma oscilar bastante e, mais uma vez, teve forte impacto sobre o resultado geral.
Outra pressão relevante veio da energia elétrica residencial, que subiu 1,27% após aplicação de reajustes tarifários em concessionárias de cidades como Goiânia, Brasília, São Paulo e Porto Alegre. O peso desse item na vida das famílias é significativo: a conta de luz foi o preço que mais influenciou a inflação acumulada em 2025, com alta de 15,08% no ano e 11,41% em 12 meses. Dos 4,46% acumulados pelo IPCA, 0,46 ponto percentual veio apenas da energia elétrica.
O grupo de despesas pessoais também avançou, registrando 0,77%. Dentro dele, o item hospedagem subiu 4,09%. O aumento foi puxado principalmente por Belém, onde os preços dispararam 178% devido à realização da COP30, que aumentou a procura por acomodações e pressionou o mercado local.
Alimentação volta a aliviar o orçamento, com queda de itens importantes
O grupo alimentação e bebidas recuou 0,01% em novembro. Embora a variação pareça pequena, o movimento confirma um ciclo de seis meses seguidos de queda na alimentação consumida em casa. Entre os itens que mais contribuíram para esse alívio estão produtos bastante presentes na mesa das famílias:
- Tomate: −10,38%;
- Leite longa vida: −4,98%;
- Arroz: −2,86%;
- Café moído: −1,36%.
A redução desses preços ajudou a compensar altas registradas em outros grupos, evitando que a inflação mensal fosse maior.
Outros grupos tiveram comportamento misto
O IPCA é composto por nove grandes grupos de consumo e, em novembro, houve variações diferentes entre eles. Artigos de residência apresentaram queda de 1,00%, enquanto vestuário subiu 0,49%. Os transportes, além das passagens aéreas, tiveram avanço de 0,22%. Já comunicação registrou recuo de 0,20%.
Os grupos saúde e cuidados pessoais, educação e parte de alimentação praticamente não influenciaram o índice, dada a estabilidade ou variações muito pequenas.
O índice de difusão, que mede quanto da cesta pesquisada está subindo, passou de 52% para 56%, mostrando que mais itens tiveram reajuste positivo no mês, mesmo que o impacto de cada um tenha sido moderado.
Meta do governo fica mais próxima de ser cumprida; dezembro será determinante
Com a inflação acumulada em 4,46%, o país se aproxima de fechar o ano dentro do limite da meta. Conforme o IBGE, se a inflação de dezembro ficar até 0,56%, o IPCA dos últimos 12 meses se manterá dentro do intervalo permitido.
Analistas acompanham com atenção a mudança nas bandeiras tarifárias da conta de luz. Após um período com a bandeira vermelha nível 1, que adicionava R$ 4,46 a cada 100 kWh consumidos, dezembro passou a operar com bandeira amarela, cuja cobrança extra é de R$ 1,885. Essa redução tende a aliviar o resultado mensal.
O Boletim Focus, levantamento semanal do Banco Central com economistas do mercado, prevê que o IPCA encerrará 2025 em 4,40%, ligeiramente abaixo do limite máximo permitido.
Juros seguem no debate: BC decide nova taxa da Selic
O anúncio do resultado da inflação ocorre no mesmo dia em que o Banco Central decide sobre a taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano, o maior nível desde 2006. A expectativa predominante é de manutenção desse patamar.
Segundo o BC, o país deve manter os juros elevados “pelo tempo necessário” para garantir que a inflação continue convergindo para a meta, especialmente em um momento em que o setor de serviços, sensível ao ritmo da economia e ao mercado de trabalho, avançou 0,60%, acima dos 0,41% de outubro.
O que o IPCA mede e quem ele acompanha
O índice é calculado a partir do consumo de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. Atualmente, o salário mínimo é de R$ 1.518. A pesquisa monitora preços em 377 subitens, coletados em dez regiões metropolitanas, além de Brasília e outras capitais como Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
O resultado de dezembro será divulgado em 9 de janeiro, definindo oficialmente se o país cumpriu ou não a meta da inflação em 2025.


