IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

Brasil registra queda nos nascimentos pelo 6º ano seguido e mortes voltam a subir, aponta IBGE

Por

·

O Brasil voltou a registrar queda no número de nascimentos em 2024, marcando o sexto ano consecutivo de redução. Ao mesmo tempo, o país registrou aumento no total de mortes, interrompendo a sequência de recuos que vinha sendo observada desde o fim da pandemia. Os dados fazem parte das Estatísticas do Registro Civil divulgadas pelo IBGE, que mostram mudanças importantes no comportamento demográfico do país.

Queda nos nascimentos no Brasil

Nascimentos caem 5,8% e tendência de redução se acelera

Em 2024, foram registrados 2.376.019 nascidos vivos no Brasil, uma queda de 5,8% em relação a 2023. Embora o país já viesse apresentando redução no número de bebês desde 2018, a velocidade da queda aumentou. A comparação com anos anteriores ajuda a dimensionar isso:

  • Entre 2016 e 2017, a redução havia sido de 5,1%;
  • Entre 2019 e 2020, a queda foi de 4,7%.

A diminuição registrada entre 2023 e 2024 supera ambos os períodos, indicando aceleração da tendência. Desde 2017, quando o país registrou 2,678 milhões de nascimentos, houve uma queda acumulada de mais de 302 mil novos brasileiros.

Uma parte dos registros de 2024 se refere a crianças que nasceram antes, mas só foram documentadas no ano passado. Isso representa 2,7% do total, o equivalente a 65.825 registros tardios.

Mais meninos que meninas

Os dados do IBGE mostram também um padrão conhecido na demografia mundial: o nascimento de mais meninos do que meninas. Em 2024:

  • 51,1% dos bebês eram do sexo masculino;
  • 48,7% eram do sexo feminino.

O dado chama atenção porque contrasta com a composição da população total do país. No Censo de 2022, o Brasil tinha 51,5% de mulheres, já que a mortalidade masculina é historicamente maior.

Mães cada vez mais velhas

Outro movimento importante ocorre na idade das mulheres que se tornam mães. O IBGE aponta que, em 2024, a maior parte dos nascimentos foi de bebês de mães com 25 anos ou mais. Vinte anos atrás, em 2004, essa faixa etária respondia por 48,3% dos nascimentos. Embora os motivos não sejam discutidos na pesquisa, estudos nacionais e internacionais costumam relacionar esse comportamento a fatores como mudanças no mercado de trabalho, maior acesso à educação e dificuldades econômicas que levam famílias a adiar a maternidade.

Óbitos sobem 4,6% e interrompem trajetória de queda

Enquanto os nascimentos continuam diminuindo, o número de mortes voltou a subir. Em 2024, foram registrados 1.516.381 óbitos, um aumento de 4,6% em relação ao ano anterior. O movimento reverte a tendência que vinha desde o fim da pandemia, quando o país observou queda contínua após o pico de mortes em 2020 e 2021, marcados pela covid-19.

Assim como ocorre com os nascimentos, parte das mortes registradas em 2024 se refere a pessoas que faleceram antes, mas só foram incluídas nos sistemas no ano seguinte. Foram 20,9 mil casos nessa situação.

Mortes por causas não naturais continuam preocupando

A pesquisa mostra que 7% de todas as mortes registradas em 2024 foram por causas não naturais. Isso inclui acidentes, afogamentos, homicídios, suicídios e outras situações externas. Esse grupo representa aproximadamente 103.287 mortes no ano. A desigualdade de gênero aparece com força nesse dado:

  • 85.244 homens morreram por causas externas;
  • 18.043 mulheres tiveram o mesmo tipo de óbito.

As regiões Norte (10%) e Nordeste (9%) concentram os maiores percentuais de mortes não naturais.

Por que esses números importam?

As Estatísticas do Registro Civil ajudam a entender como o país está mudando. A combinação de menos nascimentos e mais mortes indica que o Brasil está caminhando para um cenário de envelhecimento populacional mais rápido. Esse movimento afeta áreas como:

  • Mercado de trabalho;
  • Previdência;
  • Saúde pública;
  • Educação;
  • Distribuição de renda.

Embora o IBGE não interprete causas, a queda dos nascimentos é observada em vários países e costuma estar ligada a mudanças sociais, econômicas e comportamentais. No caso brasileiro, o aumento dos óbitos após anos de recuo também acende um sinal de alerta sobre saúde, violência e acesso a serviços básicos.

Como a pesquisa é feita?

O estudo do IBGE reúne informações de cartórios sobre:

  • Nascimentos;
  • Casamentos;
  • Divórcios;
  • Óbitos;
  • Óbitos fetais.

Os dados divulgados agora se referem exclusivamente ao ano de 2024.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade