O Brasil voltou a registrar queda no número de nascimentos em 2024, marcando o sexto ano consecutivo de redução. Ao mesmo tempo, o país registrou aumento no total de mortes, interrompendo a sequência de recuos que vinha sendo observada desde o fim da pandemia. Os dados fazem parte das Estatísticas do Registro Civil divulgadas pelo IBGE, que mostram mudanças importantes no comportamento demográfico do país.

Nascimentos caem 5,8% e tendência de redução se acelera
Em 2024, foram registrados 2.376.019 nascidos vivos no Brasil, uma queda de 5,8% em relação a 2023. Embora o país já viesse apresentando redução no número de bebês desde 2018, a velocidade da queda aumentou. A comparação com anos anteriores ajuda a dimensionar isso:
- Entre 2016 e 2017, a redução havia sido de 5,1%;
- Entre 2019 e 2020, a queda foi de 4,7%.
A diminuição registrada entre 2023 e 2024 supera ambos os períodos, indicando aceleração da tendência. Desde 2017, quando o país registrou 2,678 milhões de nascimentos, houve uma queda acumulada de mais de 302 mil novos brasileiros.
Uma parte dos registros de 2024 se refere a crianças que nasceram antes, mas só foram documentadas no ano passado. Isso representa 2,7% do total, o equivalente a 65.825 registros tardios.
Mais meninos que meninas
Os dados do IBGE mostram também um padrão conhecido na demografia mundial: o nascimento de mais meninos do que meninas. Em 2024:
- 51,1% dos bebês eram do sexo masculino;
- 48,7% eram do sexo feminino.
O dado chama atenção porque contrasta com a composição da população total do país. No Censo de 2022, o Brasil tinha 51,5% de mulheres, já que a mortalidade masculina é historicamente maior.
Mães cada vez mais velhas
Outro movimento importante ocorre na idade das mulheres que se tornam mães. O IBGE aponta que, em 2024, a maior parte dos nascimentos foi de bebês de mães com 25 anos ou mais. Vinte anos atrás, em 2004, essa faixa etária respondia por 48,3% dos nascimentos. Embora os motivos não sejam discutidos na pesquisa, estudos nacionais e internacionais costumam relacionar esse comportamento a fatores como mudanças no mercado de trabalho, maior acesso à educação e dificuldades econômicas que levam famílias a adiar a maternidade.
Óbitos sobem 4,6% e interrompem trajetória de queda
Enquanto os nascimentos continuam diminuindo, o número de mortes voltou a subir. Em 2024, foram registrados 1.516.381 óbitos, um aumento de 4,6% em relação ao ano anterior. O movimento reverte a tendência que vinha desde o fim da pandemia, quando o país observou queda contínua após o pico de mortes em 2020 e 2021, marcados pela covid-19.
Assim como ocorre com os nascimentos, parte das mortes registradas em 2024 se refere a pessoas que faleceram antes, mas só foram incluídas nos sistemas no ano seguinte. Foram 20,9 mil casos nessa situação.
Mortes por causas não naturais continuam preocupando
A pesquisa mostra que 7% de todas as mortes registradas em 2024 foram por causas não naturais. Isso inclui acidentes, afogamentos, homicídios, suicídios e outras situações externas. Esse grupo representa aproximadamente 103.287 mortes no ano. A desigualdade de gênero aparece com força nesse dado:
- 85.244 homens morreram por causas externas;
- 18.043 mulheres tiveram o mesmo tipo de óbito.
As regiões Norte (10%) e Nordeste (9%) concentram os maiores percentuais de mortes não naturais.
Por que esses números importam?
As Estatísticas do Registro Civil ajudam a entender como o país está mudando. A combinação de menos nascimentos e mais mortes indica que o Brasil está caminhando para um cenário de envelhecimento populacional mais rápido. Esse movimento afeta áreas como:
- Mercado de trabalho;
- Previdência;
- Saúde pública;
- Educação;
- Distribuição de renda.
Embora o IBGE não interprete causas, a queda dos nascimentos é observada em vários países e costuma estar ligada a mudanças sociais, econômicas e comportamentais. No caso brasileiro, o aumento dos óbitos após anos de recuo também acende um sinal de alerta sobre saúde, violência e acesso a serviços básicos.
Como a pesquisa é feita?
O estudo do IBGE reúne informações de cartórios sobre:
- Nascimentos;
- Casamentos;
- Divórcios;
- Óbitos;
- Óbitos fetais.
Os dados divulgados agora se referem exclusivamente ao ano de 2024.


