O nível dos reservatórios que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo voltou a recuar e atingiu 25,4% do volume útil nesta quarta-feira, 3 de dezembro. O dado mantém o sistema em alerta e reforça as medidas de economia adotadas pelo governo estadual. Esse indicador corresponde à parte da água que pode ser captada normalmente para abastecer casas e comércios. Quando o volume útil diminui, cresce o risco de instabilidade no fornecimento.

O recuo vem acontecendo desde outubro, quando a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) lançou um plano de contingência para controlar o consumo, o sistema operava com 28,7% de volume útil.
Como funciona o plano de contingência
O plano criado pelo governo define faixas de operação, ajustadas conforme o comportamento do Sistema Integrado Metropolitano (SIM). Cada faixa determina um conjunto de ações que podem ir desde campanhas de uso consciente até restrições mais longas na rede.
Atualmente, o sistema está na Faixa 3, que prevê redução da pressão da água por 10 horas por dia. A medida, executada pela Sabesp, não corta o abastecimento, mas diminui o fluxo na rede. Isso pode afetar moradores de áreas altas ou distantes dos pontos principais de distribuição, onde a água chega com mais dificuldade.
Se o volume útil cair abaixo de 22,8%, o plano avança para a Faixa 4, aumentando a redução de pressão para 12 horas diárias. Veja o resumo das faixas:
- Faixa 1 – abaixo de 40,8%: revisão de transferências de água entre bacias e reforço das campanhas de economia.
- Faixa 2 – abaixo de 34,8%: redução de pressão por 8 horas.
- Faixa 3 – abaixo de 28,8%: redução por 10 horas.
- Faixa 4 – abaixo de 22,8%: redução por 12 horas.
- Faixa 5 – abaixo de 16,8%: redução por 14 horas.
- Faixa 6 – abaixo de 6,8%: regras adicionais definidas pela Sabesp.
O volume útil é calculado como a diferença entre o volume total do reservatório e o chamado “volume morto”, que fica abaixo do nível usual de captação e só pode ser retirado com bombeamento.
Por que o nível está caindo?
O principal fator por trás da queda é a redução das chuvas na maioria do estado. As primeiras semanas do período úmido, que normalmente ajudam a recompor o sistema, registraram menos precipitação do que a média histórica. Como os reservatórios dependem dessa reposição natural, períodos secos impactam rapidamente os indicadores.
Além disso, a expansão urbana e o aumento do consumo em regiões densamente povoadas pressionam a demanda por água tratada. Em cenários de estiagem, essa combinação exige planos de contingência para evitar queda brusca no volume útil.
Riscos se o volume continuar diminuindo
Caso o nível siga em trajetória de queda, o governo pode ampliar o escopo do plano. A decisão não depende apenas de um porcentual, mas de uma análise do conjunto de reservatórios, da previsão de chuva e do padrão de consumo. A migração para faixas mais restritivas tende a ampliar o número de horas com pressão reduzida e pode alterar a rotina de bairros mais sensíveis à oscilação da rede.
A Sabesp afirma que acompanha diariamente os reservatórios e ajusta a operação conforme o comportamento da demanda e as condições climáticas. O objetivo é preservar a estabilidade do sistema durante o período seco até que o regime de chuvas se normalize.
Medidas de redução de consumo precisam ser adotadas
A recomendação é reduzir o tempo de banho, aproveitar melhor a água usada em atividades domésticas, evitar mangueiras e reunir roupas para lavar de uma só vez. Com a chegada do verão, a expectativa é de aumento das chuvas, mas ainda não há garantia de que esse reforço será suficiente para recuperar rapidamente o volume útil. Até lá, o governo mantém o monitoramento e orienta a população a seguir as práticas de economia.


