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China cresce 5% em 2025, mas consumo fraco, crise imobiliária e guerra comercial expõem limites da economia

A economia da China cresceu 5% em 2025, segundo dados oficiais divulgados nesta segunda-feira, 19 de janeiro. O resultado ficou exatamente dentro da meta definida pelo governo, mas veio acompanhado de sinais claros de enfraquecimento interno. O crescimento foi sustentado principalmente pelas exportações, enquanto o consumo das famílias e o investimento privado continuaram pressionados.

China cresce 5% em 2025
O desempenho anual repete o ritmo registrado em 2024 e confirma uma tendência de desaceleração ao longo dos últimos anos | Foto: Reprodução / Freepik

Para efeito de comparação, antes da pandemia e da crise imobiliária, a China trabalhava com metas de crescimento entre 6% e 6,5%, como em 2019. Desde então, os objetivos vêm sendo reduzidos gradualmente.

Desaceleração ficou mais clara no fim do ano

Os dados trimestrais mostram perda de força ao longo de 2025, já que, no quarto trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês cresceu 4,5%, em linha com as expectativas do mercado, mas abaixo do ritmo observado no trimestre anterior, quando a alta havia sido de 4,8%. Esse foi o crescimento trimestral mais lento desde o fim de 2022, período ainda impactado pelas restrições da pandemia de covid-19.

O governo reconheceu o cenário mais desafiador. Kang Yi, do Escritório Nacional de Estatísticas, afirmou que o impacto das mudanças no ambiente externo se aprofundou e que a economia enfrenta uma contradição interna evidente: a oferta segue forte, mas a demanda permanece fraca. Segundo ele, “ainda persistem muitos problemas”, apesar das medidas de estímulo adotadas.

Consumo interno segue como principal fraqueza

O baixo consumo das famílias continua sendo um dos maiores obstáculos para a recuperação mais consistente da economia chinesa. O comércio varejista, indicador que mede os gastos internos, cresceu apenas 0,9% em dezembro, o menor nível desde 2022. No acumulado de 2025, as vendas avançaram 3,7%, abaixo dos 4% registrados em 2024.

Esse resultado reflete tanto a perda de confiança das famílias quanto o impacto menor dos programas de estímulo ao consumo, já que os subsídios concedidos pelo governo, como incentivos para a troca de eletrodomésticos e produtos domésticos, vêm perdendo eficácia ao longo do tempo.

A crise no setor imobiliário também pesa sobre o comportamento dos consumidores. O mercado de imóveis, historicamente central para a economia chinesa, enfrenta problemas de endividamento e queda na atividade, o que afeta diretamente a sensação de segurança financeira das famílias.

Produção industrial cresce, mas depende das exportações

A produção industrial da China cresceu 5,2% em dezembro, desacelerando em relação aos 5,8% registrados no mesmo mês de 2024, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas. Apesar da queda na comparação anual, o resultado de dezembro foi ligeiramente melhor do que o de novembro, indicando algum ganho de fôlego no fim do ano.

No entanto, que esse avanço está fortemente ligado à resiliência das exportações. As vendas externas ajudaram a compensar o consumo fraco das famílias e o baixo investimento das empresas, levando o país a registrar um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão, o equivalente a cerca de R$ 6,5 trilhões.

Guerra comercial volta ao centro do debate

O cenário externo, porém, traz novos riscos. O retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos reacendeu a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. Apesar de uma trégua provisória firmada no fim de outubro, as tarifas elevadas continuam sendo uma ameaça ao comércio internacional.

Dados oficiais mostram que as exportações chinesas para os Estados Unidos caíram 20% em 2025. Ainda assim, o impacto foi parcialmente neutralizado pelo aumento das vendas para outros mercados. Economistas alertam, porém, que esse caminho pode se tornar mais difícil caso outros países sigam o mesmo movimento e elevem tarifas para proteger suas indústrias locais.

Perspectivas para 2026 são mais cautelosas

As projeções para 2026 indicam um crescimento ainda mais lento. O Deutsche Bank, um dos maiores bancos da Alemanha e uma das principais instituições financeiras do mundo, estima que a economia chinesa deve avançar cerca de 4,5%, enquanto alguns grupos independentes, como a empresa americana de pesquisa econômica Rhodium Group, avaliam que o crescimento real de 2025 pode ter sido menor do que os 5% divulgados oficialmente, ficando entre 2,5% e 3%.

Mesmo com uma expansão mais modesta, especialistas afirmam que a China deve conseguir manter a estabilidade econômica e social. No entanto, para atingir metas de longo prazo — como elevar o PIB per capita para cerca de US$ 20 mil (aproximadamente R$ 108 mil) até 2035 — o país precisará sustentar um crescimento anual entre 4% e 5%.

O resultado de 2025 deixa claro que a economia chinesa segue crescendo, mas enfrenta limites estruturais importantes. A dependência das exportações, o consumo interno enfraquecido e as tensões comerciais globais serão fatores decisivos para o desempenho do país nos próximos anos.

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