A dívida pública federal do Brasil registrou um forte crescimento em 2025 e atingiu o maior patamar da história. Segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional, o endividamento encerrou o ano em R$ 8,635 trilhões, um aumento de 18% em relação a dezembro de 2024, quando o total era de R$ 7,316 trilhões.

O número chama atenção não apenas pelo valor absoluto, mas também pelo ritmo de crescimento. Em apenas um ano, a dívida aumentou mais de R$ 1,3 trilhão, reflexo principalmente do custo elevado dos juros pagos pelo governo para financiar seus compromissos.
O que é a dívida pública federal?
A dívida pública federal é o conjunto de valores que o governo federal deve a quem emprestou dinheiro ao país. Esses credores podem ser bancos, empresas, fundos de investimento ou pessoas físicas que compram títulos emitidos pelo Tesouro Nacional. Esses títulos funcionam como um empréstimo: o governo recebe o dinheiro agora e se compromete a devolver no futuro, pagando juros.
Esse endividamento cresce sempre que o governo gasta mais do que arrecada com impostos e contribuições. Quando as receitas não são suficientes para cobrir todas as despesas, o Tesouro precisa buscar recursos no mercado. Além disso, mesmo que novos gastos sejam controlados, a dívida continua aumentando por causa dos juros que incidem sobre o estoque já existente.
Juros altos explicam a maior parte do aumento
De acordo com o Tesouro Nacional, o crescimento de 18% da dívida em 2025 foi causado principalmente pelos juros elevados da economia. Em relatório oficial, o órgão afirmou que o aumento foi impulsionado pela chamada “apropriação de juros”, ou seja, pelo custo de manter a dívida em um cenário de taxas elevadas.
O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, destacou que o avanço não está ligado diretamente às despesas do dia a dia do governo, como salários, benefícios ou investimentos. Segundo ele, os chamados gastos primários, que não incluem o pagamento de juros, não foram os responsáveis pelo salto do endividamento.
Um dos principais fatores por trás desse movimento é a taxa básica de juros da economia, a Selic, definida pelo Banco Central (BC). Em 2025, a Selic chegou a 15% ao ano, um nível considerado alto. Como quase metade da dívida pública está atrelada a essa taxa, qualquer aumento nos juros faz o valor total da dívida crescer de forma automática.
Relação com a inflação
Além da Selic, uma parcela relevante da dívida pública também acompanha a inflação. Cerca de 26% dos títulos emitidos pelo Tesouro estão ligados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país. Isso significa que, quando os preços sobem, o valor a ser pago pelo governo nesses papéis também aumenta.
Na prática, juros elevados e inflação pressionada formam uma combinação que encarece o custo da dívida. Mesmo sem novos empréstimos em grande escala, o simples ajuste dos contratos já existentes faz o total crescer ao longo do tempo.
Dívida pública X orçamento das famílias
Embora a dívida pública pareça um tema distante do cotidiano, seus efeitos chegam à população de várias formas. Quando o governo precisa gastar mais recursos para pagar juros, sobra menos dinheiro para áreas como saúde, educação, infraestrutura e programas sociais. Além disso, o aumento do endividamento tende a influenciar decisões sobre impostos, tarifas e políticas econômicas.
Juros altos, que ajudam a controlar a inflação, também encarecem o crédito para famílias e empresas. Isso afeta financiamentos, empréstimos e compras parceladas, tornando o consumo mais caro e reduzindo o ritmo da economia. Com crescimento mais lento, o mercado de trabalho também pode sentir os efeitos, com menor geração de vagas.
Por outro lado, o Tesouro argumenta que manter a confiança dos investidores é essencial para garantir que o governo continue conseguindo se financiar. Para isso, é necessário mostrar capacidade de honrar os compromissos, mesmo em um cenário de dívida elevada.
Perspectivas para 2026
Além do balanço de 2025, o Tesouro Nacional divulgou o Plano Anual de Financiamento para 2026, documento que apresenta as metas e projeções para a dívida pública federal ao longo do ano.
Segundo o plano, o endividamento pode variar entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões até o fim de 2026. Caso o teto seja alcançado, isso representaria um crescimento de até 19% em relação ao nível atual. O cenário reforça a expectativa de que a dívida continuará aumentando, embora o ritmo dependa de fatores como juros, inflação e desempenho da economia.
O governo aposta que uma eventual redução da Selic, caso o controle da inflação permita, pode aliviar a pressão sobre a dívida nos próximos anos. Enquanto isso não acontece, o custo financeiro segue como o principal motor do endividamento.


