O Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por definir a taxa básica de juros do país, decidiu manter a Selic em 15% ao ano. A decisão foi tomada de forma unânime pelos integrantes do Banco Central do Brasil (BC) e marca a quinta reunião consecutiva sem alteração no nível dos juros.

O texto trouxe indicações de que, caso o cenário econômico evolua conforme o esperado, o Copom pode iniciar um processo de redução da taxa já na próxima reunião, marcada para março.
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando está elevada, o crédito tende a ficar mais caro, o consumo desacelera e a atividade econômica perde ritmo. Em sentido oposto, juros menores costumam estimular compras, investimentos e a geração de empregos, ainda que também exijam atenção para evitar pressões excessivas sobre os preços.
Economia desacelera, mas mercado de trabalho segue firme
Ao analisar o cenário interno, o Copom avaliou que os indicadores econômicos mostram uma desaceleração gradual da atividade, dentro do que vinha sendo projetado. Os dados recentes indicam que o crescimento perdeu força, mas sem sinais de retração brusca.
Mesmo com esse movimento, o mercado de trabalho continua apresentando desempenho sólido. A taxa de desemprego permanece baixa e a criação de vagas segue em níveis elevados. Esse fator ajuda a sustentar a renda das famílias, mas também contribui para manter a inflação de serviços em patamar mais resistente.
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— Banco Central BR (@BancoCentralBR) January 28, 2026
Em relação aos preços, o Banco Central destacou que tanto a inflação geral quanto os indicadores que medem sua tendência apresentam desaceleração. Ainda assim, esses números permanecem acima da meta oficial, o que reforça a necessidade de cautela antes de qualquer mudança mais ampla na política de juros.
As expectativas de inflação continuam sendo um ponto de atenção. Para 2026, as projeções apontam inflação de 4%, enquanto para 2027 a estimativa é de 3,8%. Ambos os números seguem acima do centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o que limita decisões mais agressivas no curto prazo.
Expectativas para o início do ciclo de queda
Com a sinalização do Copom, cresceu a expectativa de que a Selic comece a cair nos próximos meses. Segundo o Boletim Focus, pesquisa semanal realizada pelo Banco Central com economistas e instituições financeiras, a projeção é de que a taxa termine 2026 em torno de 12,5% ao ano.
No comunicado, o Copom deixou claro que tanto a velocidade quanto a intensidade dos cortes dependerão da confiança no retorno da inflação à meta. Ou seja, qualquer decisão será condicionada à evolução dos indicadores econômicos nos próximos meses.
Cenário internacional reforça postura cautelosa
O ambiente externo também teve destaque na avaliação do Comitê. O Banco Central apontou que o cenário internacional segue marcado por incertezas, especialmente em função da política econômica dos Estados Unidos e de seus efeitos sobre os mercados globais.
Nesta semana, o Federal Reserve (Fed), que é o banco central norte-americano, decidiu manter a taxa de juros do país na faixa entre 3,75% e 4% ao ano. Diferentemente do Brasil, a decisão não foi unânime. Dois dos integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) votaram pela redução da taxa.
Apesar da pressão política por juros mais baixos, a manutenção era amplamente esperada. Taxas elevadas nos Estados Unidos costumam atrair recursos para o país, fortalecendo o dólar e pressionando moedas de economias emergentes, como o real, por exemplo. Esse contexto exige maior cuidado na condução da política monetária brasileira.
Riscos seguem no radar do Banco Central
O Copom destacou que os riscos para a inflação continuam elevados, tanto para cima quanto para baixo. Entre os fatores que podem pressionar os preços estão a persistência da inflação de serviços, um mercado de trabalho ainda aquecido e impactos do cenário internacional sobre o câmbio.
Por outro lado, uma desaceleração mais intensa da economia, no Brasil ou no exterior, pode reduzir a pressão inflacionária de forma mais rápida do que o esperado. Além disso, uma eventual queda nos preços das commodities também teria efeito de alívio sobre os índices de preços.
Diante desse conjunto de fatores, o Banco Central reforçou que seguirá adotando uma postura prudente. A avaliação é de que a estratégia atual tem sido adequada para conduzir a inflação em direção à meta, ao mesmo tempo em que busca evitar oscilações bruscas na atividade econômica.
O que muda para consumidores e empresas?
No curto prazo, a decisão mantém o cenário atual. O crédito segue caro, o que afeta financiamentos, empréstimos e compras parceladas. Em contrapartida, aplicações financeiras atreladas aos juros continuam oferecendo retornos elevados.
A sinalização de que os juros podem começar a cair, no entanto, já influencia decisões de empresas e famílias, que passam a projetar um ambiente menos restritivo nos próximos meses. Caso os cortes se confirmem, a tendência é de redução gradual, sem mudanças abruptas.


